Recepções são sempre bacanas,
embora não difiram muito umas das outras. Tem garçom, salgadinho, bebida,
música. Lembro-me de um garçom meio mal-humorado com cara de soldado malvado de
filme de guerra americano.
Os noivos chegaram e começou a
maratona de fotografia, ela tentou cantar “Como é grande meu amor por você” pra
ele, mas acho que estava emocionada demais. Teve Buffet com aquelas coisas
gostosas que só recepção tem; teve dança, mas eu não sei dançar (ou ainda não
aprendi, se é que isso soa melhor); teve lançamento de buquê, eu não peguei,
porém tive a sensação de que tive sorte mesmo assim, porque já peguei buquê e o
casal já até se separou. O noivo também jogou uma cartola, e nessa sim teve
briga pra ver quem pegava, nem tanto pra casar, mas porque quem pegava, levava
um whisky 12 anos de brinde. Em suma, casamentos são parecidos, o que muda é a
história dos noivos que nunca é mostrada na cerimônia.
Talvez não interesse mesmo aos
outros saber, nos preocupamos muito em mostrar e esquecemos o que se aprende ao
longo da caminhada e amor envolve um aprendizado no fim das contas. Casamentos
são de certa forma iguais, o que diferencia é o que vai no seu coração na hora.
Alguns querem inovar, fazem casamentos de bungee jump, casamento embaixo
d’água, com encenação teatral, coisas que são muito legais na hora e
posteriormente no vídeo, contudo, depois que os convidados saem e que a
recepção fecha, é só você e a pessoa que você ama. Romeu e Julieta, de Lady Di
a Lady Kate teve igreja, buquês, padres, “SIM”, não se teve muita diferença.
Pessoalmente, a vida me ensinou que o amor é que deve estar acima de tudo isso,
porque é ele que vai fazer com que a cada dia se possa aprender cada vez mais e
amor em si também é um aprendizado sendo possível, sim, se evitar a temida
rotina, daí você poderia casar debaixo de chuva e usando um cosplay que
ainda assim seria a pessoa mais feliz do mundo.
Gandhi disse: “A felicidade está
mais no sofrimento e na luta do que na vitória em si”. Casamento é uma
concretização, mas a jornada, as dificuldades, essas são as que proporcionam o
aprendizado necessário pra se chegar lá. Muitos pensam que 35 anos pode ser
velho, 20 anos é novo, mas e daí? O importante é se estar pronto e isso é de
cada um, de acordo com suas visões de mundo. Aos mais novos, é complicado
porque lidam com aquele gostar de querer se estar sempre junto, aí vem a vida
cobrando-lhes mais paciência e maturidade. E aos mais velhos, sempre parece que
já se tem estabilidade, bom emprego, cabeça feita, fazendo com que se questione
o porquê de não ser dado o que falta, muitos se revoltam, se deprimem, acumulando
energias negativas e enveredando por caminhos de dúvida e descrença.

A vida tem seu curso, querendo ou
não, ela não erra. Muitos choram, gritam, fazem promessa, perguntam quando vai
ser o “seu” dia. Olham as outras pessoas, suas conquistas, suas alianças e
sorrisos se perguntando quando vão poder celebrar e sorrir também, daí, vem a
vida dizendo: “Não. Espera”. Fazendo com que se caia na idéia de que somos
vítimas da injustiça do destino que nos faz sofrer, mas na realidade o “não é
justo” não existe, o que tem faltado, pode ser que falte pra mim, pra você e
pra tantas outras pessoas é mais confiança na vida e no que ela tem a oferecer,
pois quando acontecem os fatos vemos que ela foi amiga e não vilã. E ela não
hesitará em lhe dar tudo o que deseja.
Daí, não vai importar se você tem
25, 30, 35, 40 anos, será o seu momento, o momento certo e os acordes da marcha
nupcial vão tocar pra você também.

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