
Eu precisava comprar algumas
coisinhas para um tratamento que vou fazer com um amigo meu e uma dessas coisinhas
eram bolinhas de gude pra estímulo de coordenação motora fina. Aqui a gente
também chama de peteca, eram umas coisinhas bem populares há uma década atrás,
embora em alguns lugares ainda se achem crianças brincando disso pelas ruas.
Hoje em dia, é possível se ver
dentro de vasos enfeitando a sala e baseada nisso imaginei que seria fácil
achar, uma vez que sabia mais ou menos onde procurar. 1ª decepção, no lugar onde dava por certo que tinha, não
tinha. A moça que me atendeu pelo menos me recomendou outro lugar onde poderia
ter. Cheia de esperança fui lá e não tinha também. Alguns vendedores pareciam
não entender muito bem o que era, então depois da terceira tentativa eu
perguntava se tinha “peteca” ao invés de “bolinha de gude”.
Mais duas lojas e eu perguntava
se havia “bolinhas para colocar dentro de vasos pra decorar” e nada também.
Depois de mais uma penca de ruas andando, eu decici entrar nas lojas e olhar
primeiro antes de perguntar, não só pra não receber um não de cara, mas não ter
que me chatear com a cara do vendedor de má vontade me dizendo isso.
Exatamente. O que chateia o
consumidor nem sempre é o fato de não ter o produto, o fato do produto ter um
preço elevado demais, muitas vezes é o atendimento. Noto uma diferença drástica
de atendimento em determinados lugares embora eu como consumidora mesmo podendo
gritar meus direitos de ser bem atendida, sempre cumprimento com um oi. Não
nego que embora tenha comprado em lugares bem mais em conta com péssimo
atendimento, também já optei em comprar mais caro com um atendimento
razoável/bom.
Entendo que há toda uma questão
de cansaço, afinal vendedores trabalham muito, é verdade e isso vai desde
shopping com lojas de luxo até aquele armarinho de comércio popular, porém
convenhamos que não tem nada pior do que ser atendido por um vendedor que age
como se ele estivesse fazendo um favor pra você. Atitudes como não sorrir e nem
olhar na sua cara é um claro exemplo disso.
Visitei várias lojas e procurando
as famigeradas bolinhas de gude, parei em uma loja de make pra comprar um
presente. Sempre vou lá e já sou até conhecida, a vendedora que estava no
microfone gritou meu nome e eu atravessei a rua. Lá é um claro exemplo de bom
atendimento, principalmente porque se tratando de maquiagem você nem em seus
mais loucos devaneios pode vender algo sem saber pra que serve, sem saber como
usa. As meninas de lá evoluíram bastante desde que fui lá pela primeira vez e
não por acaso a loja se tornou referência em termo de maquiagem.
Da mesma forma como lá tem bom
atendimento, há outras lojas nas quais as vendedoras só se maqueiam
literalmente. Fui em armarinhos, lojas de costura, de importados. Muitas nem
olhavam na minha cara, só diziam: Não tem. E eu observava, muitas estavam lá,
com os olhos cheios de cores, pele impecável na base, blush e rímel, mas só
isso. Só umas bonecas com um monte de acessórios, como as Barbies e suas
múltiplas profissões.
Muitas vezes me imaginei como
vendedora e a primeira que colocaria na minha cabeça é: saber o que estou
vendendo, porque também já aconteceu de eu saber mais do material que estava
comprando do que quem estava vendendo e ambos ficarem com cara de tacho, se bem
que o vendedor (a) fica além disso constrangido. Acho que saber o que está
vendendo, demonstrar conhecimento e ser simpático são ingredientes fundamentais
pra ser um bom vendedor, falo como consumidora, mas acredito que para os
comerciantes também vale...

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