Pensei em alguma forma de começar
este post. Várias formas na verdade. Me lembro quando vi pela primeira vez a
vinheta de Avenida Brasil, achei legal o contraste da Rita criança e adulta e
toda a carga de emoção que foi feita em torno da estreia.
Quem viu o último capítulo, pode
ter se revoltado cm cenas mostrando uma Carminha boazinha, dizendo que amava o
Tufão a sua maneira e tal. Mas... quem foi na verdade a Carminha? E a
Nina/Rita? Carminha merece o inferno? Ou o paraíso? Absolvição ou condenação
eterna? Talvez as duas devessem ir pro purgatório e tudo resolvido? Eram vilãs
ou mocinhas? Quem estava certa? E errada?
Parto de um princípio que ninguém
é tão legal assim que só mereça coisas boas nem tão ruim que não mereça uma
segunda chance, ainda que essa demore a vir. Avenida Brasil mexeu com esses
conceitos. Essa dualidade que existe nas pessoas, Carminha nutria um amor
incondicional pelo filho e Nina motivada pelos seus traumas e raiva uma vontade
de fazer justiça que por muitos momentos se confundiu com uma semente de
vingança. Até onde vai a linha da justiça cega e imparcial e passa a ser uma
vingança selvagem motivada por fatores pessoais?
O filme Kill Bill é uma super
referência onde esses conceitos se confundem. Beatrix Kiddo era uma assassina
que ganhava fortunas matando gente, mas ao ficar grávida todo seu amor e o que
tinha de bom se voltou para sua filha. Decidiu abandonar a antiga vida em nome
de seu bebê, mas nesse meio não se pode simplesmente sair pela porta dos fundos
e ficar por isso mesmo. Daí, quase foi morta pela sua antiga equipe ficando em
coma por 4 anos e achando que sua filha havia sido morta antes do nascimento. Uma
vez desperta, firmou o propósito de se vingar (fazer justiça?) pelo que a
fizeram passar. Uma das melhores frases do filme e que levo sempre comigo é
aquela dita por Hatori Hanzo, o homem que fez a espada para ela: Vingança nunca
é uma linha reta. É uma floresta. E como uma floresta é fácil de você sair do
caminho, se perder e esquecer de onde veio.
Pode parecer estranho, mas no
mundo não existem inocentes nem culpados. Se existisse não passaríamos pelo que
passamos. Assim, todos nós plantamos e colhemos o que plantamos, seja pro bem
ou pro mal, então não se pode dizer que não se merece isso ou aquilo. E não
existem culpados porque não se pode dar o que não tem embora se possa escolher
melhorar. No fim, só existe o
aprendizado.
Mas voltando pra Carminha, ela
aprendeu. Aos trancos e barrancos, fazendo besteira, colheu, levou tapa na
cara, “pagou” pelos seus crimes e aprendeu. A cena do almoço na casa da Mãe
Lucinda foi humana, não teve melação e você sentia a tensão, como era difícil
para as pessoas aceitarem que era pra ser daquele jeito e não havia
escapatória. Nina/ Rita estaria ligada a Carminha pra sempre, então não
adiantava ficar lutando e se machucando eternamente.
O abraço foi a clara visão do
perdão, acho que é um sentimento muito nobre. E libertador. Definitivamente,
faz apagar as coisas, faz você recobrar a saúde que havia perdido. Parece que
naquele momento as personagens que passaram a novela inteira querendo fazer da
vida da outra um inferno finalmente se libertaram, se libertaram pra serem
felizes e aceitaram de bom grado o aprendizado que a vida lhes deu.
É claro, há coisas que são
difíceis de perdoar. Vendo o Globo Repórter após a novela vi gente que fez a
chamada “vingança do bem” e gente que pedia a Deus toda noite pra certa família
virar pó. O que deixou essa pessoa doente, porque como dizia Shakespeare:
Guardar ressentimento é como tomar o veneno e esperar que a outra pessoa morra.
Também houve uma história bacanas de traição e mulheres que se “vingaram” na
pessoa que mais vale á pena: nelas mesmas. Como? Se aprimorando, sendo
independentes e no final até agradecendo aos maridos traidores por terem feito
com que elas passassem pela experiência.
Isso mostra que ás vezes não se
entende as colheitas e se acha uma injustiça, contudo o aprendizado é dado, se
você escolhe abraçá-lo é opcional. Casos de bandidos, monstros como disseram na
reportagem, eles também plantaram e vão colher. As “vítimas” muitas vezes se
sentem vingadas na ação da própria justiça, embora isso não seja regra. Um malfeitor
que estava livre na cadeia e de repente alguém pode sentir que não é o bastante
e começa a desejr que ele seja maltratado, depois que ele morra, depois que vá
para o pior lugar que existe (caso se acredite em vida após a morte) e aí se
torna um círculo vicioso, a justiça foi feita, mas aquela raiva faz querer mais
e aí é que quando se vê, a alma está tomada pelo desejo de vingança e o corpo
pelas doenças geradas pelo ressentimento.
Eu já me vinguei e não me
arrependo. Como o maestro que formou a orquestra disse: Eu to dando o troco, só
que em outra moeda. Como foi? Bem, eu sofri bulling por pelo menos 6 anos da
minha vida na escola, cansei de chorar pelo que as pessoas me diziam, me
achavam esquisita, com cabelo feio, gorda, nada popular que só lia e não se
interava com os outros. Fiquei com um carinha uma vez e ouvi coisas que não são
legais de ouvir. Daí por essas e por outras resolvi me vingar. Me vinguei sendo
eu mesma e fazendo meu castelo com as pedras que me jogavam. Botava the lonely sheperd e seguia em frente. Resultado: me aprimorei, passei nos três vestibulares mais difíceis da cidade
e hoje estou prestes a me formar, sendo que amo o que faço. E quem me fez mal? Bom,
sei que o carinha com quem fiquei mal conseguiu completar o médio e não passou
em vestibular nenhum, os outros não sei por onde andam, mas minha auto estima
hoje já é o meu troco. E sabe o que é mais legal? Me vinguei não deixando de
lado meus conceitos e sendo a mesma garota esquisita de sempre.
Acredito que o fim da novela foi
bom, ele mostrou muito sobre aprendizado, sobre o que realmente faz evoluir, o
que faz realmente bem e que todos nós temos nossos lados bom e mau e como um
professor meu disse uma vez: são como dois cães, vence aquele que você
alimentar mais.


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