Eu devo estar mudando, porque definitivamente
filmes nacionais não eram meu forte, mas aceitei ver esse numa boa. E não me
arrependi nem disse a célebre frase do Chaves: “Teria sido melhor ter ido ver o
filme do Pelé”. A mensagem do filme é clara, sobre como um bom planejamento e
organização fazem a diferença na vida das pessoas. Foi inspirado no livro
Casais inteligentes enriquecem juntos, tive curiosidade de lê-lo, embora ainda
não tivesse oportunidade. Se casais inteligentes enriquecem juntos não sei
dizer, mas o contrário é verdadeiro, casais desorganizados tendem ao fracasso.
Envolvendo um pouco de
experiência pessoal, atendi em uma comunidade uma vez entrevistando grávidas e
nitidamente notei que a falta de planejamento leva á constante pindaíba. E não
tem bolsa gravidez, pós-parto, escola, família, marsupial que dê jeito.
Voltando para o filme, a atuação de Leandro Hassum e Daniele Winits foi de uma
sintonia incrível. Considerando que o filme teve seus momentos de humor, de
romance, mas também de uma profundidade que quase me arrancou lágrimas.
Hassum se adaptou bem ao papel de
milionário folgado e fanfarrão completamente apaixonado pela esposa e Winits
tem habilidade descomunal para interpretação de peruas. O casal enriquece e
fica meio deslumbrado, relembrando aqui a cena da lista de gastos da família
percebo que beira os raios do absurdo. Tal situação faz lembrar que dinheiro,
por mais que se tenha, não é um bem infinito.
Dentro desse contexto, sempre há
um personagem meio contrapartida e este é o vizinho tipicamente “chato” que trabalha
muito e é excessivamente metódico. Tal vizinho se chama Amaury, um consultor
financeiro sempre preocupado com as finanças tendo lançado um livro chamado “cinco
passos pra enriquecer”. Então Tino (personagem de Hassum) em uma situação
delicada, pra não dizer desesperadora, precisa da ajuda do tal vizinho para equilibrar
sua situação, o que proporciona diálogos incríveis.
100 milhões de reais parece muita
coisa, porém quando o gerente do banco enumera todos os gastos de Tino ao longo
de 15 anos, vemos que ele pode se esvair facilmente. Ou você acha que cinco
viagens a Disney por ano e voos gravidade zero não custam caro?
Ao longo do filme a meu ver, cada
um tem que lidar com suas próprias limitações. Até mesmo Amaury, que é tão
controlado tem que admitir que tanto controle ás vezes priva de vida e
felicidade. Tino aprende não só o valor da humildade, mas também passa por
provações que o fazem ver o quanto vale ter uma família e o quanto todo o
dinheiro, posses e status pode se tornar nada caso você só tenha a solidão pra
compartilhá-los.
Até que a sorte nos separa é um
filme muito recomendado por mim, tem um toque especial de humor, lições e
emoção na medida certa. As atuações estão bem convincentes e os atores souberam como cativar. Não sou muito de filme nacional como já disse, pois muitos foram desastrosos, mas esse foi um que valeu
a pena ser visto e tenho só elogios pra ele.
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