Muito embora se queira dizer “pesquisa nunca mais”, existe
vida depois, afinal, tem mestrado, doutorado e sabe-se lá mais o que. Só uma
coisa pode ser dita e é inerente: dá trabalho, não adianta dizer que é simples,
fácil porque o processo é bem trabalhoso e pode render uma baita dor de cabeça.
Na verdade várias.
Pra começar, pra mim TCC não é como filho que se pari depois
de um ano, nem como namorado ciumento/grudento que te faz ficar acordado por
causa de detalhes bobos e te priva, embora eu tenha achado essa muito criativa
XD (créditos para meu amigo Thyago Monteiro). Eu vejo por uma ótica bem fria
até, é só um trabalho e só isso. É estritamente necessário para que eu me forme
e depois desse outros serão necessários para se conseguir outros títulos,
embora esses trabalhos gerem ligações e este em especial me deixe orgulhosa,
afinal é a primeira coisa na minha vida acadêmica que posso chamar de MINHA,
pois eu pensei, elaborei e fiz. Porém com ajuda, que falarei posteriormente.
Logo no início, teve uma mudança de sistema na qual todo
mundo precisou se adaptar. Uns detalhes chatos na hora do cadastro, scanea
daqui, assina dali, enfim, uma treva. Alguns não tiveram paciência e fizeram o
trabalho sem aprovação do comitê de ética, como até foi recomendado antes das
coisas se normalizarem. Alguns procedimentos demoravam bastante e pra quem tem
prazo martelando na cabeça dia, noite e madrugada, tempo é folha.
Por falar em prazos, ás vezes tensão é tanta que você não consegue dormir
sem ficar pensando no procedimento, na metodologia, nas alterações que o
orientador pede. Eu ás vezes sonhava que o data show falhava ou o trabalho
estava todo errado e acordava pensando: Caramba, tenho que revisar o
referencial! E hoje precisamente, respiro mais aliviada por ter (até segundas
orientações) terminado, após fins de semana inteiros sem postar, sem fazer
vídeos e atrasando as reviews na fic do meu amigo Will (que bom que você já
passou por isso e entende amigo!) e depois do “fim” cai uma ficha de que você
conseguiu.
Passei por aquela fase de querer desistir, muitas vezes por
sinal, pensei que não ia dar resultado nenhum e todo o processo não ia dar em
nada. Aí lembrava que o barco já tava andando e não tinha mais como voltar
atrás. Percebi durante esse ano que quando se trata de pesquisa a amostra fixa
do vizinho sempre parece mais resultante que a sua, analisar prontuários dentro
de uma sala parece fácil, fazer revisão é rápido e os ratinhos só faltam te
dizer “sim senhora”, porém conversando com meus colegas vi que não tem isso de
mais fácil. prontuários são incompletos e estão em salas cheias de poeira,
fazer revisão exige pelo menos conhecimento de 4 línguas diferentes e os
ratinhos te mordem, morrem no meio da pesquisa e precisam dos mesmos cuidados
de um recém-nascido.
Durante meu trabalho vi minha amostra pensada de 65
pacientes ser reduzida a 13, mas deu resultado mesmo assim. Eu liguei pra cada
pessoa procurando saber se ela se encaixava no estudo e a conta veio horrores
de alta. Muitos faltaram e foram excluídos, não se adequavam e tal. Contudo, a
ajuda que tive durante meu trabalho foi sensacional. Contei com colaboradores
que me ajudavam a atender, Larissa, Daniel e Carla foram não só auxiliares mas
grandes amigos. Meus orientadores também, não conseguiria melhores. Ainda mais
uma pessoa indisciplinada e facilmente distraível como eu, ás vezes passava
duas semanas sem escrever nada e quando sentava pra escrever tipo 5 páginas
ficava morrendo de vontade de assistir anime.
Trabalhos são muito pessoais, você escreve segundo as normas,
mas do seu jeito. Eu referencio, coloco fonte segundo as normas, mas o jeito de
escrever parágrafos grandes é meu. Meus elementos pré-textuais foram o que tem
de mais meu no trabalho, como disse meu bioestatístico, não fazer como final de
missa: Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe. Eu coloquei o mais pessoal que
eu tinha nessa parte, agradeci e dediquei do meu jeito. Minha epígrafe consegui
semana passada, como muitas coisas na minha surgem do mais inesperado, isso
também surgiu. Citei o poema recitado por M. no filme 007 – Operação Skyfall. Nos agradecimentos, citei até o técnico de informática, o Breno, que consertou meu computador e evitou que todos os arquivos do meu trabalho fossem pro beleléu.
Hoje, depois de ter terminado, penso nos meses que se
passaram, nas linhas que escrevi, nos quilos que ganhei, que queria ter
terminado a mais tempo, enfim... acredito que valeu muito á pena tudo, o
aprendizado, as intercorrências, o gasto, penso que agora já sei como fazer um
pré-projeto, já sei como pesquisar artigos e já penso em um tema para pesquisas
posteriores, algo mais legal, mais a minha cara. Não fico nervosa pra apresentação, embora me sinta meio ansiosa imaginando minha mãe me olhando falar
Agradeço imensamente a todos que estiveram comigo seja em
pensamento, seja em presença e levarei tudo que aprendi nesses meses com toda a
consideração possível. Conviver com todos que estiveram relacionados com meu trabalho é algo do qual tenho muito, muito orgulho!

Olá! Parabéns por ter concluído seu trabalho! É verdade que esse não é o primeiro (a gente sempre achava que não tinha nada pior do que o estresse de estudar pro vestibular) e nem o último (uma tese de doutorado deve dar ainda mais trabalho), mas não deixa de ser um grande esforço finalizado e que valeu a pena.
ResponderExcluirParabéns mais uma vez e boa sorte em sua vida profissional. ^^
Até!
Obrigada pelo comentário! É, uma tese de doutorado é bem mais difícil, sei porque tive que ler algumas pro meu trabalho de agora XD. Mas no fim vale á pena e é bem gratificante mesmo! Agora mais posts virão por aí! Abraços!
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