quarta-feira, 6 de março de 2013

A polêmica do Miss Bixete 2013

  







O Miss Bixete está realmente fazendo barulho. Gerou uma discussão bem produtiva com um amigo meu e eu expressei minha opinião: as feministas não ficariam totalmente felizes com meu ponto de vista assim como o público masculino.


Tenho meu jeito de ver esse rebu todo. Começo pelo trote. Eu tive o meu, não pode ser comparado com o Bixete, mas também vi alguns posteriores. O discurso de que você não é obrigado a participar é válido na minha opinião, mas não sei porque cargas d’água muitos aceitam essas coisas absurdas do bixete, de ambos os sexos. Talvez por medo, vontade de ser aceito, vontade própria também ou até achar que os veteranos (as) são tipo, “os caras”. Bem aqui vai uma verdade na lata: Se você for bom, não precisa ser aceito ou se submeter a nenhum veterano. Quando caloura fui recepcionada por um grupo deles no 1º dia de universidade e eram do centro acadêmico, cheguei a namorar um deles, ele era metido a futurista e revolucionário. E adivinha só, eu saí, me formei e ele continua lá.


Voltando ao foco e recente comoção geral do Miss Bixete. Nem vendo de início machismo ou feminismo, é uma idiotice. Uma idiotice consentida de ambos os lados, mas uma idiotice total. Pelo lado feminista da coisa toda, as garotas são vistas como objetos e um pedaço de carne, mais precisamente por causa do coro: “Peitão! Peitão! Peitão!” e por causa da tal brincadeira do picolé simulando sexo oral. Eu não sei as outras, mas eu não chupo picolé, eu como picolé. E que eu saiba, a gente come com os dentes, não seria um recado interessante alguma garota fazer isso? Por que ninguém nunca pensou nisso?


Olhando pelo lado machista, todo homem tem um lado meio safado que curte uma mulher rebolando e tirando a roupa, embora os que são dignos e ditos “direitos” não fazem desse lado seu dominante. Acredito que lá no meio dos machos, dos que ficaram nus, dos que transaram com a boneca inflável e etc. havia sim, caras que não estavam tão á vontade assim, mas estavam lá pelos motivos que citei ou cumprir algum tipo de função social, sei lá.

Lendo uma manchete aqui, um post ali cheguei a conclusão que o Miss Bixete é um ciclo vicioso, para ambos os sexos e ambas as correntes de pensamento. Tipo assim, os caras estão errados, estão vendo a garota como um objeto e humilhando de certa forma, porém, em contra partida, algumas se mostram, independente do motivo e acabam apreciando ser "objeto de desejo".  As que fazem isso por escolha, estão seguindo algo que o feminismo (e ninguém pode dizer que não é isso) prega: "Você é dona do seu corpo e faz o que quer. Faz parte de sua autonomia". Daí, se for de sua total consciência e escolha, não se pode julgá-la por mostrar os seios numa passeata ou se exibir para um grupo de calouros tarados.


O problema maior é que no meio do coro, tem homem que leva sua peversão e safadeza a níveis tão extremos que não é mais o instinto masculino ali nem machismo, é desrespeito e agressão, prova os fatos que ocorreram de agressões contra as feministas no local. Os caras direitos com certeza não concordaram e garotas que escolheram se exibir não devem ter ficado muito contentes com feministas arruinando seu show, mostra que havia dois fios de corte ali.


Então é meio assim: tem homem safado, "machista", mas ao mesmo tempo tem garota que topa e fica nisso. Lanço uma questão: E se ninguém fizesse? Dizem que quem faz um homem é a mulher, é mentira, porque tem homens que são assim naturalmente, meio homem das cavernas e nenhuma mulher faz eles mudarem, nem a própria mãe. Mas nesse caso se nenhuma mulher topasse ou incentivasse esse lado safado que os caras tem, não aconteceria. Se todas as calouras e veteranas cruzassem os braços e dissessem: “Não vamos desfilar”, tipo, imagine os homens cruzarem os braços e não irem mais a partidas de futebol, os caras que se fazem á custa de chutes em bolas iriam á falência e precisariam procurar outro meio de vida.


Assim são os trotes. Brincadeiras e piadas não agradam sempre, muitas nem devem ser chamadas assim, porém se esse tal rito de passagem é assim tão significante, poderiam dizer não pra coisas absurdas e sim pra coisas mais legais. Os veteranos inventaram na minha primeira semana que iam trazer um cara super fera pra uma palestra e o custo seria de R$ 5,00 por pessoa, mal sabíamos as matérias que íamos estudar e descobrimos na sexta que o dinheiro foi pra uma festa que seria dada para todos. Muitos nem ligaram e nem deram dinheiro nenhum.


No fim, tudo se resume á respeito. Os homens não deviam ter agredido, seja verbalmente ou fisicamente, as feministas na passeata, da mesma forma como deveriam não tratar as que desfilam da forma que tratam. E como ainda há aquelas que aceitam, deve-se respeitar sua vontade e que estas encarem as consequências.




2 comentários:

  1. Ótimo texto.

    É a questão do bom senso...uma comemoração saudável (pintura de rosto e pedir dinheiro no semáforo) é legal, mas esses trotes bizarros que vemos por aí...são totalmente dispensáveis. Como você mesma disse, alguns calouros parecem sentir necessidade de pertencer ao grupo, achando que não participar do trote causará problemas a ele na universidade. Mentira. Na primeira semana de aula ninguém vai sequer lembrar que ele não participou. Mas é claro que quem ingressa na faculdade ainda está bem inseguro...mas se há algo que você não quer fazer, não faça. Trote saudável, sim. Bullying, não.

    PS: Não sei se vc viu o link que eu mandei..mas retomei This Is My Gang! Lembre de passar lá quando entrar no Nyah! (espero postar pelo menos uma vez por semana)

    Até

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  2. Total de acordo com a questão do bullyng. Penso em fazer um texto á respeito, afinal, muitos sentem que sua liberdade começa na universidade, é um começo na formação da auto-estima. O trote deve ser mesmo uma questão de senso, uma introdução ao mundo universitário, sem humilhações. Muitos trotes são dispensáveis realmente, mais do que dispensáveis, desnecessários. Obrigada pelo comentário e pelas observações! Feliz que tenha gostado!

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