sexta-feira, 17 de maio de 2013

Ayla e sua dança - Salve Jorge


Não posso negar que superou as expectativas essa cena. Embora muitos torcessem pela Bianca, afinal, ela é uma garota decidida, ousada, que vai pra cima e com seu jeito independente fazia em muitas cenas a Ayla parecer uma idiota por acreditar no casamento.

Só que não. Acho que Bianca é a imagem do “fácil”, relacionamento sem casa pra cuidar, filhos exigindo educação e impressão de valores, roupas lavadas em lavanderia e refeições em restaurantes e churrascarias caras. E é claro, muita cama, prazer e prazer.

Pra muitas, essa é a imagem do ser “bem resolvida”, mas eu ainda prefiro o bem resolvida da Ayla. Não que tenha alguma coisa haver com conservadorismo, paternalismo e blá, blá, blá, mas me parece uma coisa bem legal.

Ayla sempre foi ligada aos costumes, porém se permitiu. Ela podia ter desistido, mandado o casamento ás favas junto com o Zyah, mas acreditou, acreditou e foi atrás. Acho que isso pode ser chamado de amor, porque em muitos casos não há amor sem esperança. Mesmo que ela pudesse perder, não entregou os pontos logo de uma vez, pois enquanto houvesse uma possibilidade, havia chance.

O que me deixa surpresa é a torcida, muitas aconselhariam ela a desistir, mas ao invés disso, as mulheres se juntaram pra ajudá-la, porque sabiam que a questão não era um amor/casamento que acabou, mas alguém de fora querendo que acabasse.

Zyah sempre tentava falar com ela, que fugia. E deixou clara sua posição. Disse que ele poderia gritar, falar no microfone que ela não ouviria, não por negligenciar, mas por querer achar uma solução por ela mesma. E achou. Vó Farid, a idosa que julgam meio gagá, dá a ideia pra ela: dançar. Não a dança típica de quatro paredes, mas pra todos no restaurante.

Ayla ensaia, recebe panos de presente, quer ser a Salomé pedindo a cabeça de João Batista, encantar todos com o olhar. Vai lá e faz, provou não só pro Zyah mas pra ela mesma que podia. Logo na entrada, o tilintar das pulseiras, dos brincos, o voar do véu... o olhar penetrante e a surpresa do Zyah. Ayla dançou com toda a sua energia e no momento que jogou um lenço para outro homem, o marido dela explodiu e a tirou dali.

Chegando em casa, teve aquela discussão, ele a chamou de louca e ela se justificou. Disse que ele também fez algo sério quando se envolveu com outra mulher. Mas a pá de cal na lição da Ayla fica por conta de suas falas: “Queria mostrar pra você que eu sou uma mulher que também posso dançar, também posso me mostrar pros homens. Eu sou AYLA! Mãe do Ekran, a mulher que costura e cozinha pra você, mas eu posso ser muito mais se é isso que você tá procurando”. Olha, nesse momento, não me levem a mal, mas ela com esse jeitinho de super esposa e sua atitude desbancou muitas “bem resolvidas” e feministas radicais. E no fim, ela conseguiu o marido e a admiração dele, provou ser boa esposa e uma dançarina que pode seduzir. Ayla mostrou que é completa, que pode ser tudo e ter tudo também, o que inclui respeito e o amor de um homem. Há algo de errado nisso?

Acho que só por essa cena o capítulo já valeu, Bianca saiu com as asinhas abaixadas, porque entendeu que Ayla era a pessoa certa. Até pelas músicas se percebe essa diferença, se olhar as letras a música Ayla x Zyah é um tipo bem família, que fala de lar, já a de Bianca x Zyah é tipo um hit, com palavras quentes e vigor.

Daí, eu pergunto: o que você prefere, um lar para onde possa sempre voltar ou somente uma garota que está sempre em chamas?


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