Vi um cartaz numa figura: Saí do facebook. Bom, devo dizer que eu também. Não fui a nenhum protesto e olha que aqui na minha cidade, pegaram a tarifa de ônibus, a saúde, a corrupção, Belo Monte e tudo o que puderam achar. Saí do face por deveres pessoais e por saber que na rede é só isso. É realmente algo inédito, não lembro de algo parecido a não ser em algumas aulas de história que eu devia ter vergonha de dizer que não gostava de assistir. Mas enfim, venho aqui dar minha humilde opinião sobre todos esses rebus que definitivamente chacoalharam o país nos últimos dias.
Não desconsidero os atos. Em nenhum momento, tive uma opinião negativa ou julguei quem estava lá como um "faz nada da vida", acho muito válida essa comoção toda. Corrupção, déficit em saúde e educação são realidades que não podem mais ser ignoradas e com tudo que se viu nas ruas ficou claro que a população tomou uma consciência mais efetiva sobre isso. Claro que o processo não foi fácil e foi necessário um estopim, que no caso foi a tarifa aumentada da passagem.
De repente, começou um efeito dominó. A passagem aumentada lembra o transporte péssimo, o transporte péssimo lembra a falta de investimento, que lembra o investimento excêntrico da copa, que lembra a corrupção, que lembra as faltas dos políticos e assim foi. Não se esperava uma comoção do tipo. Assim, como não esperavam, reagiram de forma impulsiva, mandando a PM reprimir ferozmente os manifestantes.
Não digo que não havia vândalos, o jornal mostrou que sempre tem um pequeno grupo disposto a melar com tudo e pelo visto, disposto a estragar tudo com louvor. Embora a boa intenção da maioria não abone os saques a lojas e prejuízos, a maior parte queria mesmo fazer seu protesto sem confronto visando um ideal e melhoras.
Vi um vídeo que está circulando e fez bastante sucesso de uma menina que diz na lata que a mídia manipula imagens, que os que não estão nem aí são os responsáveis pelo país estar como está. Olha, foi tocante. Ainda que você não seja dado a manifestações, ela comenta que nenhuma mudança foi pacífica e que o pessoal está acordando. Não senti hoje no jogo do Brasil aquela comoção nacional que costuma ser, aquele fuzuê, parecia que tinha algo no ar. Acredito que todo mundo está vendo mais do que o futebol, ou melhor, está percebendo que aqui pode ser mais do que o país do futebol, do samba e das mulatas bonitas. Ainda bem.
Por aqui teve muita emoção mostrada através das redes. Passei no meio de um protesto na última quinta feira, meu bairro nunca esteve tão em alta, afinal a prefeitura fica aqui. Teve menores participando, devo dizer que são o tipo de pessoa que quando entra na universidade procura logo um centro acadêmico pra se infiltrar, professores, acadêmicos de vários cursos. Me senti á vontade de falar sobre estes protestos porque vi um comentário sobre como eles estão virando modinha, de repente tudo virou um protestão. Ali me senti á vontade.
Do nada, todo mundo que só DUBLAVA o hino de quatro em quatro anos e 7 de setembro era só um feriado, começaram a fazer interpretações profundas dos versos e estrofes, o que deve ter deixado o Gonçalves Dias muito orgulhoso. O negócio é a duração da energia. Acho válido tudo que foi dito, reivindicado, de como o povo mostrou seu cansaço de tudo. Só que o que realmente faço questão de compartilhar além da imagem capa é de como temos que vencer o jeitinho brasileiro entranhado em nós.
O jeitinho que acha de boa ficar com os 0,20 de troco á mais do supermercado ou da mercearia do Seu Joaquim, que faz fila dupla na porta de colégio, que molha a mão do guarda na blitz, fura filas, não levanta da cadeira preferencial no ônibus quando o idoso ou a gestante aparecem, dirige depois de umas latinhas sem cinto de segurança, joga lixo na rua porque uma embalagem de bala é suja demais pra ser guardada no bolso da calça até se encontrar uma lixeira ou o panfleto é demasiado irritante.
Os protestos estavam aí. A crítica ao Fenômeno, que disse que copa se faz com estádios não com hospitais, de certa forma é válida, embora o que ele disse tem certo fundamento, afinal os estádios são necessários para os jogos. O ruim mesmo é que se podia fazer estádios bons com metade do que foi empregado e quanto aos hospitais, quero lembar que o SUS, por ser o sistema público de saúde é obrigado a prestar assistência médica a qualquer pessoa em território nacional, portanto Sr. Ronaldo, se qualquer estrangeiro passar mal na rua, é o sistema e hospital públicos que tem o dever de assisti-lo.
Se quer ir às ruas no protesto, vá. Se quer ficar em casa só vendo pela TV, fique. Compartilhe o vídeo da menina revoltada ou da brasileira que não vem pra copa se preferir. As mudanças não serão feitas do dia pra noite, os senhores políticos não abdicarão de seus vales ternos tão facilmente nem a presidente Dilma admitirá que o povo não vai refrescar sua barra só porque é a primeira mulher presidente do país e foi torturada na ditadura. É bom saber que estamos nos movendo, devagar se chega ao longe, as mudanças podem demorar, mas indiscutivelmente começa dentro de nós mesmos.
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