Confesso que tive muito preconceito com Crepúsculo, afinal, um vampiro que não tem aquilo de sugar sangue e assim num estalar de dedos se apaixona por uma humana me parecia muito irreal. Só que quebrei a cara, porque quando passei a ver os filmes percebi que dava pra tirar muitas coisas dessa história.
As críticas foram tão ferinas quanto os elogios foram enfáticos, já vi gente dizendo que era infantil, idiota, nada haver com os verdadeiros vampiros, machista (o.O), daí pra baixo, enfim, consigo entender todos esses pontos de vista, porém enxergo que cada coisa em Crepúsculo tem um significado.
Bella era uma garota insegura, meio estabanada e fora do contexto. Então conhece Edward e se apaixonam, meio do nada, sem motivo... mas parando um pouco pra pensar, a paixão nasce do vácuo, tipo um dia você bate o olho em alguém e seu coração vai a 100 latidos por hora hum segundo. Apesar dos problemas emocionais da Bella, ela através de Edward e sua família conseguiu ter a sensação de fazer parte de algo e descobriu um mundo diferente.
Os conflitos não eram tanto com relação aos Volturi, porém, mais com relação ao interior dos dois, já que ambos tinham dúvidas, crises de consciência, questionamentos e vontade de ficar junto. Não era como um amor proibido, tal qual Romeu e Julieta, mas era um romance incomum, por isso as críticas viscerais. Lembro que nos Anjos da Noite, a vampira se apaixona por seu escravo Lycan, o que para o contexto era quase uma monstruosidade.
Voltando para Bella e Edward, no momento em que decidiram ficar juntos, algo neles se condicionou a enfrentar o exército que fosse para viver esse amor, além de apaixonados, poderiam ser chamados de teimosos e persistentes. Por que não?
Bella dizia que não haveria nada que ela ia querer mais do que o Edward, criticaram afirmando o quão dependente ela parecia, mas isso também não pode ser chamado de sonho ou desejo? Tal qual Rosalie Hale, que afirmou que sua vida era perfeita mas havia coisas que ela ainda queria tal qual casar e ter um filho. Noto uma aversão a essa atitude das garotas de Crepúsculo, sei lá, como se fosse um desejo mixo e medíocre.
No fim, ainda que Bella optasse por casar e viver para o marido e a filha, pode-se dizer que ela conseguiu a satisfação rara de ter conseguido fazer tudo o que sempre quis. Evoluiu em sua forma de amar, e no mundo de hoje, tão crítico e por vezes irritante, é difícil aceitar que alguém, mesmo numa ficção, tenha conseguido tudo o que deseja. O tudo de Bella era o Edward, porém de quebra ganhou imortalidade e uma filha. Para ela, isso foi a felicidade plena.
Edward e Bella foram aprendendo com o tempo a não se subestimarem, a lutarem e fazerem o melhor. Ganharam uma família, no início, eram dois adolescentes assustados e no fim, já mostravam sua maturidade.
Crepúsculo mostra que é possível. Ainda que digam: "é ridículo", "é impossível", "não vai dar certo", há uma possibilidade das coisas darem certo. E nessa possibilidade, também há o valor de lutar por isso.


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