Confesso que poucas vezes (pra não dizer quase nenhuma) vi um filme com/do Jackie Chan, só sabia que ele lutava muito e tals, só que Karatê Kid superou tudo isso. Claro que Jackie Chan estava mais envelhecido do que eu costumava ver nos comerciais de filmes da Sessão da Tarde, e preciso dizer que esse fato me fez olhá-lo e achá-lo um tanto quanto charmoso e bonito. Havia uma áurea de experiência no ar. Uma sabedoria oculta na imagem de velho zelador. Algo misterioso sob os ombros curvados, o aspecto de desleixo e aparência cansada.
Já Dre mostrou sua cara desde o início. Do início mostrou que era indisciplinado e afoito, deixou claro que não estava feliz de ter se mudado para a China e demonstrou logo seu interesse pela chinesinha Mei Li. Tanta transparência, no entanto, logo atraiu a inimizade dos garotos chineses além é claro, de brigas e muitos hematomas. É numa dessas brigas, quando Dre estava prestes a desfalecer, aparece o Sr. Han. E a surpresa acontece.
Dá pra sentir que tudo ia em um rumo isolado até ocorrer o encontro. Dre era só o garoto revoltado e Sr. Han era o zelador introspectivo, depois do encontro e do contato, da cura com a técnica chinesa, tornam-se algo sincronizado, unido. É lançado o desafio do torneio de Kung Fu e os dois precisam de mais sincronia e união. Ainda durante o treino, demora até Dre compreender a importância da paciência e a utilidade do "Tira casaco. Coloca casaco". Quanto ao Sr. Han, mesmo treinando Dre, permanecia uma sombra em seu rosto, algo obscuro por trás dos consertos no carro, durante a subida na montanha e os ensinamentos dados. Tal sombra é explicada durante seu dia de folga.
Dre se decepcionou com sua amiga, ficou triste e instintivamente procurou o Sr. Han. Encontrou-o por entre estilhaços e barulhos de quebrar. Sr. Han está finalmente transparente, sem sombras nem a áurea de mestre equilibrado, ele estava de uma forma vulnerável, frágil e triste. O grande mestre tinha culpas, relacionadas à morte de sua família, uma rachadura não consertada por mais tempo que tivesse passado. Arrisco dizer que ao ver Dre, Sr. Han sentiu de novo a sensação de paternidade, o instinto protetor. Foi aí a vez de de Dre prestar solidariedade e mostrar a maturidade adquirida, o instinto protetor. Foi então a vez de Dre prestar solidariedade e mostrar a maturidade adquirida até então. Sr. Han fica meio estático de início, mas depois aceita a mão estendida de Dre. Os treinos seguem, então, á todo vapor.
Sr. Han e Dre cresceram um com o outro. Começaram a se importar um com o outro e aprenderam aquilo que lhe fazia falta. Dre aprendeu a disciplina e a não ter medo, da mesma forma como o Sr Han aprendeu que: "A vida pode derrubar, mas a gente escolhe se quer se levantar ou não". Acredito que ao irem ao torneio juntos, eles se livraram de seus fantasmas. Houve uma redescoberta do sentimento pai-filho por parte de ambos, a construção de respeito e carinho. Não nego que a atuação dos atores foi de grande excelência, confesso que achei Jackie Chan um tanto quanto sexy e doce neste filme, talvez a voz de Marcos Ribeiro como dublador deu esse toque que alcançou meu coração.
Karatê Kid foi um filme de valores e de aprendizados. Foge um pouco do lógico ao meu ver, Sr. Han não era um super mestre nem aquela cara de velhinho sábio, sua conduta nunca mostraria o quanto ele tinha pra ensinar e Dre mesmo tendo vindo do outro lado do oceano aprendeu e assimilou a disciplina e ensinamentos do Kung Fu. Aprendizados e surpresas, duas coisas que sempre me cativam. E é sobre isso que Karatê Kid (2010) trata e também por isso ele vale á pena.
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