segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Resenha livro Atos aleatórios de amor heroico


Eu fiquei tão excitada para escrever este post que mal consigo acompanhar os pensamentos. Parece que fazia séculos que eu não lia, e no momento que comecei, percebi o quanto me fez falta. E como sempre, Deus coloca o livro certo n hora certa pra mim. “Atos aleatórios de amor heroico” fala de perda. Assim pura e simples e de todos os entraves, sentimentos e loucuras que ela traz. Não é uma perda do tipo que se vê nos filmes, na qual você sabe que vai ter um reencontro: essa certeza não é garantida, é uma perda do tipo visceral, um desencontro que parece eterno e que dilacera você. Rola uma coisa com livro como rola com música, os 10s são decisivos, a primeira página também, se tiver empatia, você não para até ler o livro todo ou escutar a música 500 vezes.

Bem, tudo começa com Leo e Elani e uma viagem na qual ela morre. De início é tudo muito triste, depois fica melancólico. Notei o quanto o autor gosta de descrever; descrever as paisagens, os corpos, os gestos, fica mais fácil de entrar de cabeça no contexto e ele descreve com maestria a desolação de Leo. Como todo rapaz cuja mulher que ama morre, Leo fica inconsolável e de certa forma morre com ela. Daí vem a culpa, questionamentos se não poderia ser de outro jeito, revolta com a incompreensão de todos e por aí vai.

Paralelo a isso, está Moritz contando suas peripécias com Lotte, seu único amor antes de partir para as batalhas da 1ª Guerra Mundial como soldado. Esse é um amor incomum, ele era um pobre filho de sapateiro e ela a filha do bam-bam-bam da região. Só que rola uma afinidade e um beijo. Um simples beijo cujo sentimento era muito poderoso. E mesmo com todo o horror que Moritz veria, esse sentimento lhe dá forças para lutar, para ver sangue e não enlouquecer, enfrentar 40 graus negativos e não congelar, lutar e lutar, afinal o amor de Lote era algo que valia a pena, como todos os amores.

Novamente as descrições incríveis do autor se fazem presentes, desde as paisagens congeladas até os corpos mutilados de soldados, tudo foi descrito com grande riqueza. Quero destacar o quanto me surpreendi com a construção de Király, o companheiro de jornada de Moritz, que por vezes o achava idiota ou como ele mesmo diz: “um menino jogado num mundo de homens”, e pelo qual sentia inveja. O autor conseguiu fazer um legítimo soldado filho da mãe, com toques de sutileza e muito bom humor. Király me fez fazer caras e bocas de raiva, surpresa e emoção, arrancou risos espontâneos e possui o palavreado de mais baixo calão que eu alguma vez já li e ao mesmo tempo, um exagero e drama super cômicos. Frases como: “Admito, Moritz, quero dar isso a ela. Assim, como você também quer dar isso a Lotte. É claro que quero. O que há de errado nisso? A única diferença é que você vai ter de andar dez mil quilômetros para afogar seu ganso e eu posso afogar o meu bem aqui.”, ou o cúmulo do drama com: “Maldita aquela vaca podre e bêbada que dizia ser minha mãe e aquele cachorro de punho gordo que enfiou sua piroca do cão dentro dela. Malditos ambos por me ejacularem no pântano apodrecido e ventoso deste planeta cheio de ódio e morte”.

Fazia tempo que não me surpreendia assim. Então volta para Leo. Atormentado por seus medos e revoltas, passa por fases de descaso consigo mesmo, apatia, vontade de mandar tudo pro inferno. Os pais preocupados, pensam em uma solução para tirá-lo da apatia e a grande sacada do livro ocorre. Antes de mais nada, Moritz também teve suas decepções, viveu seus infernos, bem literais até do que o de Leo, pegou todo o tipo de doença, sendo o supra sumo descrito numa frase que fiz questão de colocar no meu face e gerou espanto entre meus amigos: “O médico disse que eu tinha tuberculose mas a verdade é que estava morrendo de coração partido.”

A grande sacada que ocorre são esses dois corações partidos se encontram: o de Leo e o de Moritz. E a partir desse momento, ao som de Into Eternity, não parei de ler até terminar. Mais uma vez a surpresa, emoção e sensação de “Incrível”. Altamente recomendo esse livro para quem tá á fim de se emocionar, para quem acredita em surpresas do destino, para quem precisa se superar de alguma forma e definitivamente, pra quem insiste em algo e nunca desiste.



2 comentários:

  1. Apesar de ser extenso, o livro encanta e nos traz reflexões sobre perdas, como o luto. Muito boa resenha. Suecesso. Vanderson

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  2. Muito obrigada pelo comentário! Realmente é um livro grande e tratar de perdas é algo realmente complicado, mas o autor abordou de forma sensível e bonita. Muito obrigada!

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