Devido tantos problemas no computador e o início de um curso, só pude agora sentar e botar pra fora toda a sorte de idéias que estavam fervilhando na cabeça. Findando o mês de maio, posso dizer que ele é mês de três coisas: das mães, do trabalho e das noivas. E como falar de noivas sem falar de casamento? E como falar de ambos sem mencionar a noiva cadáver, uma das noivas mais famosas dos filmes. Devo dizer, contudo, que muitos não conhecem a lenda que deu origem à fofa Emily. A noiva original nada tinha de fofa, era uma menina amargurada, revoltada e esperando o noivo ideal eternidade afora.
Ela não queria, porém, a qualquer preço um noivo, muito menos era obcecada, embora isso não excluisse o fato de que era um desejo muito forte e ardoroso. A verdadeira Emily vivia nos arredores de um lago. Segundo minhas pesquisas, tem um cunho histórico aí, algumas noivas judias eram assassinadas para evitar aumento da população dos judeus. Dá pra entender a revolta e mais do que isso a sensação de injustiça. Daí segundo a lenda, um dia um rapaz noivo (tal qual Victor Vandort) e seu amigo passou recitando seus votos de casamento, brincando e colocou a aliança num galho. Uma segunda olhada e não era um galho, mas um mão. Não uma surpresa que o noivo saisse correndo, porém a noiva prendera os dois e exigiu seus direitos matrimoniais. O rabino da vila tendo se recusado a tal papel, alegando que não se podia casar um cadáver com um vivo, deixou a noiva tão triste que ela se desfez em ossos. A noiva viva, compadecida pela outra, promete jamais esquecê-la e viver seus sonhos por ela. E aí, fim.
Bem, a história nos faz pensar que certos sonhos são tão intensos que mesmo em algumas condições fazem pensar em possibilidades. Emily queria tanto casar que mesmo o fato dela ter morrido não impediu que o desejo permanecesse. Na vida real, toda mulher teve um momento de noiva cadáver. Seja por ilusões relacionadas ao casamento, seja por apego a uma pessoa, enfim. Estar com alguém e amar é aceitar que deve-se ser desapegado, ninguém é um objeto do qual se detém a posse, é preciso pensar na felicidade da pessoa amada. Ainda que se case, o matrimônio é um compromisso, não uma corrente. Você escolhe se mantém tal compromisso e arca com isso, mas não é obrigado a permanecer acorrentado se sua vontade não for essa, afinal nascemos para a felicidade.
Visando isso, digo que mesmo passando por fases de noiva cadáver, todas nós temos a chance de podermos nos libertar e ficar em paz, tal como Emily que se transformou em milhares de borboletas. Devo dizer, contudo, que a melhor noiva cadáver que vi foi Rosalie Hale, de Crepúsculo. Ela era jovem e totalmente crente no amor do noivo, tudo o que ela queria era casar, porém uma noite ao sair da casa de uma amiga e encontrar o noivo e os amigos bebendo, foi estuprada por eles. Mesmo Transformada em vampira depois, mesmo permanecendo linda por toda eternidade e encontrando um vampiro depois pra viver junto, ela se vingou. Um de cada vez, ela foi atrás de todos, deixou o noivo por último para que ele sentisse a tensão do que o esperava. O chocante é que ela fez questão de ir vestida de noiva.
Já pensei em ir vestida de noiva para um evento. Com vestido rasgado, manchado, olhos vermelhos, simbolizando esse "rasgar" de vestido, esse desenlace tão traumático que é. Só que percebi que certos vestidos de noiva valem a pena serem rasgados, principalmente se há oportunidade de usar outro ainda melhor.



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