quarta-feira, 25 de junho de 2014

Dois é dois, mas casal é um




"Tem gente que não engole o fato de não ter conseguido furar meu olho com papo feminazis de que namorada dos outros não é de ninguém, "A tua namorada não é tua propriedade e ela pode ficar com quem quiser e você não manda nela" de boa cara, eu e minha mulher compartilhamos do mesmo pensamento que fidelidade é respeito de um por outro e não nos interessa outros, se quer socializar, socializa a tua mulher, de boa, aceita que não vai conseguir furar meu olho e viva sua vida de mentira ou sei lá oq que vc chama de livre amor, cada um tem seu estilo de vida, sua ideologia não é a nossa, quer respeito então respeite os outros e tenha um feliz dia dos namorados se conseguir."

Chegando ao fim o mês dos namorados, fiquei na pendência de escrever um post sobre essa proeza que li na época do dia dos namorados, além de uns status sobre sexo casual, o que tem a mesma nuance aliás. Não evitei de colocar um comentário de que virou libertinagem.  A palavra propriedade significa posse, ninguém pode ter posse de ninguém porque ninguém é objeto. Contudo, se você está com alguém, deve a essa pessoa, como ser que possui sentimentos e pensamentos, respeito e lealdade, o que inclui sinceridade. E é claro, se alguém não é objeto pra ser possuído, tão pouco é objeto pra ser partilhado e usado coletivamente. Estar com o outro é considerar o outro como ser dotado de pensamento, sentimento e espírito.

Não é a primeira vez que essa história aparece. Claro, nem é preciso dizer que é um reflexo do fato de as mulheres terem se libertado da submissão a que eram submetidas e tal, mas é necessário expressar que ainda que tenham se libertado, as idéias sofrem certas distorções e exageros como esse. Ninguém é de ninguém, não há nada de errado nessa afirmação, mas não é algo que precise ser repetido dia após dia, pois uma hora o outro se sentiria livre o bastante para dizer: "você é tão seu que não precisa de mim pra nada, então continue tendo sua total posse." e dar meia volta e ir embora.



Quanto a questão de monogamia ou poligamia, é preferência. A pessoa envolvida na declaração citada deixou isso bem claro para a pessoa de quem partiu a idéia. E cá entre nós, é uma opinião da qual partilho. Tenho muito clara na minha cabeça que posse não é algo bom, mas a sensação de ter alguém para quem voltar e sentir que alguém volta pra mim é algo que me conforta de sobremaneira. Muitos curtem o desapego na forma de falsa liberdade, dando e recebendo sem criar laço, contudo isso nada mais é do que permanecer oco de alguma maneira. Você tira a vantagem e permite que tirem de você, sem aprofundar ou criar algo mais complexo. O que isso é do que tratar o outro como qualquer item que oferece vantagem ou utilidade, mas que possui um prazo de validade para tal?

Viver um estilo ainda que limitado, mas que a você parece certo é uma escolha exclusiva, assim como as consequências de tal, contudo seu direito acaba no momento em que o do outro começa. E insinuações, críticas, alfinetadas e coisas do tipo denotam desrespeito ao direito do outro. Tenha consciência de que nem todos é agradável seu modo de ver a vida, nem interessante aderir a ele. 

Talvez situações assim mostrem o quanto ainda é difícil o respeito e tolerância, o quanto é complicado a idéia de que por melhor que algo lhe pareça e muitas vezes seja o certo, há pessoas que jogarão pedra e não respeitarão. O casal em questão mencionado prefere viver um pro outro, os dois numa relação mútua A-B, sem C's ou D's e a eles isso é o certo e dá satisfação.

Respeito é a palavra chave nesse universo de opções. E humildade também, afinal, ficar com uma pessoa só não é "limitante", ou "careta", é uma escolha, a qual os envolvidos bancam e arcam, no dia a dia e no decorrer deles. E cá entre nós, ficar com uma pessoa só, se dispor a evoluir junto com um alguém só, também é pra quem pode.




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