terça-feira, 10 de junho de 2014

Solidão, solidão


Chegando o Dia dos Namorados, há sim, pessoas que estarão sós. Sozinhas de solidão, não de não ter um namorado (a). Muitos não percebem que é diferente. A solidão pode se dar independente com quem ou onde esteja, e quem já se sentiu sozinho consegue lidar com o fato de não ter alguém no dia em que todos estão de bitocas.

Sempre digo que quem venceu o medo da solidão e da morte venceu todos os outros, já que ao meu ver o ser humano tem pavor dessas duas coisas. Para alguns, a idéia de focar só é insuportável, embora todos nasçam com a capacidade de lidar com isso. Ficar só, na realidade é fácil. É uma das escolhas mais fáceis e modos mais fáceis de conduzir a vida. Tão fácil que se você não souber o equilíbrio chega a ser egoísta. Aprende-se a cuidar de si mesmo, porém a não ceder; cria-se a responsabilidade por si e por seus compromissos, mas pelo outro cria-se displicência, e por vezes, a capacidade de não se importar, de ficar indiferente.
Ficar sozinho e bem, mantendo um equilíbrio pode ser bom, já que ao perder esse pavor, você também perde o apego quando vier a ficar com alguém. As pessoas confundem desapego com falta de medo de perde a pessoa amada, o que não é verdade. Já que desapego é você querer ver o outro feliz, ainda que no fim fique só ou que a cada despedida, fique um frio na barriga com medo desses momentos se esvairem. Saber ficar só, gera um limite que não deixa você ser dominado pelo medo de perder a pessoa. O receio excessivo de ficar sozinho faz você se apegar a uma companhia como um náufrago se apega a uma bóia. E da mesma forma que a bóia é apertada, o companheiro de um apegado também corre o risco de ser sufocado.

Minha relação com a solidão foi se construindo conforme o amadurecimento, já me incomodou muito, já me entristeceu, mas aprendi a aprender com esses momentos e perceber que o lado obscuro desse sentimento não é pra sempre. Quanto ao dia dos namorados, em um desses anos, a professora passou o filme Diário de uma Paixão em homenagem aos casais, além de dar presente aos mesmos. Eu não namorava ninguém, mas tinha dois amigos, pipoca, suco e biscoito. Formamos um trio de solteirões gulosos assistindo um filme água com açúcar.

Por falar em filme, perdi muito meu medo (ou adquiri um prazer) de ficar só no dia que fui ao cinema sozinha. Quebrei uma longa trajetória de dependência com isso. Eu só ia porque um ex namorado me levava; haviam colegas que iam, mas preferiam programas mais interessantes; meu melhor amigo gostava porém ficava morrendo de medo de algum outro colega nos ver juntos e contar para a namorada dele dele que ainda não me conhecia; pensei em chamar um primo, mas por ser mais novo só gerou questionamentos do porque não convidava minha primas mais velhas para sair até que um dia, percebi o quanto gostava de ir ao cinema, contudo não havia ninguém pra ir comigo, mesmo eu sendo independente e livre, e aí resolvi ir só. Almocei no shopping, comprei um cheetos grande com suco de laranja e assisti Percy Jackson. Foi libertador. Hoje, companhia pra ir é legal, mas sozinha também é.
O supra-sumo do aprendizado sobre solidão foi ano passado. Eu estava empolgada, aquela sensação de que após o expediente haveria algo bom, o típico filme Ghost na Sessão da Tarde e a notícia de que não íamos nos ver o mínimo momento que fosse. Eu era jovem e passei só. Só o bastante para ver duas meninas se beijando e sentir ciúme, pois há muito tempo não era beijada daquela forma tão terna, nem na rua nem em casa. Mesmo podendo sofrer preconceitos, aquelas duas meninas estavam mais livres do que nós. E lembrando desse dia percebo que não é problema não ter ninguém no dia dos namorados, o ruim é você estar com alguém e ainda assim permanecer sozinho. Se é pra ficar só, que seja conscientemente.

Talvez seja por isso que para os novos apaixonados eu sempre diga que mulher perdoa homem distraído, daquele que esquece a cor favorita, data de aniversário da sogra, não nota cabelo cortado ou roupa nova, mas não perdoa homem ausente, que demora três dias pra lembrar de ligar, que não dá a mínima presença ou satisfação, não participa ou tão pouco compartilha, passa duas semanas meio sumido e aparece com um convite de viagem. Não que a viagem seja ruim, porém em casos assim, surge mais como uma compensação do que como uma surpresa. Com as ladys, não é muito diferente, homem gosta de alguém que esteja do lado, que faça mimos, demonstre que se importa.

Diante de tantos caminhos em busca do amor verdadeiro, talvez o mais certo seja aquele que você o trata como um pássaro de canto excepcional. Tal pássaro canta todos os dias para você, você o alimenta e dá de beber, daí no outro dia ele volta e assim por diante, você o escuta mas não prende a ave, por isso ele sempre está vivo e bem disposto pra continuar voltando e cantando, pois uma vez aprisionado ele fica triste e morre. 

O caminho é aquele no qual você cultiva o amor, sem muros ou medos. E com isso, o pássaro sempre ficará encantado em cantar para você, da mesma forma que você se entregará a este canto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário