Ser filho único gera muitas idéias no imaginário das pessoas. Normalmente, ser único é consequência de uma decisão dos pais, eles ou querem somente um ou adiam a decisão de ter mais e quando percebem não há mais tempo. Não é algo intencional, embora eles contribuam muito para a construção da personalidade dos filhos únicos.
Começa pela denominação, esse adjetivo "único"é meio centrado e individualista, talvez por esse mesmo motivo é que acreditam que somos mimados egoístas que não sabem dividir nada. Mais uma vez os pais entram em cena, podem não nos ensinar a dividir com irmão, mas com primo, amigo, colega. Quando crianças, há uma dificuldade maior, afinal, o território é só nosso e ver outra pessoa é sinônimo de invasão. Já adultos há o aprendizado de que não se é uma ilha, porém, filhos únicos tendem a ser um pouco mais introvertidos que as outras pessoas. É como murar um castelo, você está só, sem outro pra estabelecer um contraponto, daí prefere se proteger mais do que abrir totalmente suas defesas para algo.
Já ouvi que ser filho único é vantagem. Por não ter ninguém com quem dividir, tudo é seu. Todos os brinquedos, toda a atenção, todo o carinho, há a propensão a se tornar ciumento sob a ótica de proteger o que acha que se tem posse. Não só com pessoas mas com objetos também, o que é nosso ninguém tasca. Ainda que pareça legal ter todos os holofotes virados pra você, há uma contrapartida: as críticas também são só pra você, as cobranças e broncas idem. Os olhares se voltam, se está tirando boas notas, se arrumou os brinquedos, se se comportou adequadamente. Não há um irmão pra dividir a culpa ou pra ajudar com um ombro amigo, até mesmo pra defender e ficar junto. Ser filho único te obriga desde sempre a assumir suas culpas, afinal, não há mais ninguém pra quem olhar e supor que pode ser culpado. Você aprende isso mais rápido.
Além da responsabilidade precoce, os únicos aprendem a ter menos medo. Por dormirem sozinhos logo cedo, se condicionam a não temer o próprio quarto, pois sabem que não vai haver ninguém pra segurar a mão se tiver um pesadelo, não vai haver ninguém pra dizer que não há monstros embaixo da cama, daí como a gente está só e fica com vergonha de acordar os pais, escolhemos o caminho mais difícil que é não ter medo, por isso não tememos escuro, bichos papões ou babadocks no armário. Quando pequeno temos o hábito de nos apoiar mais nos pais e em quem está em volta, por isso a fama de mimados. Contudo, conforme a idade chega, já cansados dessa fama ruim, e as responsabilidades que se instalam, passamos a ser mais independentes, criamos um instinto de se virar e correr atrás.
Ainda que a independência e a maneira de não esperar os outros se puder fazer logo as coisas venha, há um lado negativo: a possibilidade de ficar só está sempre presente. Filhos únicos permanecem com a espada da solidão pairando sobre suas cabeças, não solidão emocional, mas de companhia. Como fica um filho único que não se casa depois que seus pais se vão? Os outros tem irmãos, sobrinhos, almoços de domingo, filhos únicos não... Assim como a responsabilidade pelos pais na velhice também é deles. Eles aprendem a lidar com isso, muitos tornam-se mais amorosos e ótimos amigos, não necessariamente pelo medo da solidão mas porque se podem fazer alguém se sentir acolhido, o fazem.
Ser filho único tem muitas vantagens e ao mesmo tempo desvantagens, cabe aos próprios únicos construir suas personalidades de modo a conviver o melhor possível com as pessoas ao redor.


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