Recentemente eu li um texto do blogueiro Leonardo Sakamoto e devo dizer que doeu. Aos que não conhecem, ele é um importante jornalista, cobriu alguns eventos marcantes relacionados ao oriente médio e defensor dos direitos humanos. Um currículo muito bom ele tem, mas num de seus textos senti certo questionamento sobre o fato de estudar muito para se conseguir algo. Ainda que ele concorde que educação é a saída e questione os meios como ela é distribuída, dá pra sentir um gostinho leve de descrença.
Este começa falando de muitos que enfrentam dificuldades para vencer, compara as narrativas de tais histórias a orquestras. Nas quais a parte triste é ao som de violinos e a parte de vitória, a sons estridentes. Há um tom agudo ao mencionar que há certa fascinação em torno destas histórias, o que talvez nem seja tudo isso, mas uma admiração.
Não é segredo pra ninguém que possuo uma séria crença em li do retorno. O que numa tradução simples quer dizer colheita de acordo com sua semeadura e sua semeadura depende em grande parte de sua força de vontade e disposição para trabalho e esforço. Claro que nem todos partilham dessa idéia, já vivi conflitos de quererem me convencer que "mérito" não é algo justo ou pior, que não existe. Algo como "quem está bem, já tinha, herdou ou teve sorte." Eu não acredito em coincidências, tudo está no local certo, na hora certa, o que muda o rumo das coisas é seu livre arbítrio. Partindo desse princípio, acredito que trabalho e estudo são fundamentais para se ter sucesso e reconhecimento, mesmo que o caminho seja difícil e o reconhecimento demore. E mesmo que não queira nenhuma dessas duas coisas, nem que seja só para pagar suas contas, ainda assim precisará do trabalho.

Com base nisso, pessoas que estudaram e trabalharam duro para conseguir algo, ouvir tal coisa, "foi sorte", "herdou" ou como Sakamoto diz: "Estudar é mesmo o único caminho pra se ter algo?" chega a ser ofensivo e repugnante. Algo em mim tem aversão a pessoas que desmerecem o mérito da outra ou desdenham do esforço, como se não valesse. Talvez seja porque passei a vida ouvindo que sem estudo não há futuro e o que tenho hoje, mesmo que para muitos pareça pouco, foi conseguido através de estudo, trabalho e disciplina. Para falar a verdade, a maioria a minha volta também seguiu o mesmo caminho.
Daí Sakamoto pergunta se é a única forma. Não. Gostaria que fosse o mais valorizado ao menos, mas não é o único. Afinal, temos funkeiros, políticos, atletas, jogadores de futebol, cantores, artistas globais... Figuras que em questões financeiras estão melhor que muitos com um PhD no currículo sem necessariamente ter trilhado um caminho reto na academia ou oferecer um retorno de cunho mais sério (ex: pesquisas em saúde, serviços ligados a educação) a sociedade. Não os culpo, estão usando seus talentos a seu favor, seus dons. Haverá quem os aprecie e os que terão aversão, acharão injustos seus gordos salários por "nada", porém alerto que a questão aqui não é necessariamente de culpas.

O jogador é bom, tem talento, estava no local certo, na hora certa, com o olheiro certo, foi descoberto e levado para a Europa. O funkeiro pode pregar só sexo e violência em suas músicas, porém haverá quem aprecie e pague por isso, a gravadora e o agente veem uma oportunidade e o levam para uma turnê, se não gostamos do som cabe a nós sermos mais seletivos. O ponto chave é: ter sucesso, reconhecimento (e dinheiro) não necessariamente passa pelo caminho do estudo e trabalho duro, porém, esse ainda É o caminho mais óbvio, certo e seguro para tal, porque os jogadores/funkeiros/artistas ainda são, se comparados ao resto da população, como agulhas em palheiros. E considerando algumas matérias que aparecem de vez em quando, quando caem no comum, logo são jogados neste "resto". Daí não deve-se desistir do caminho árduo.

Esse tipo de questionamento talvez surja com base na desvalorização não só estudo em si mas das profissões que o exigem muito. Não é preciso pensar muito pra se constatar as profissões que necessitam constantemente de aprimoramento e estão por baixo. Médicos, professores, pesquisadores..., materialmente falando, as coisas se complicam muito. Não raro trabalharem em três lugares pra poder se render algo, porém continuam trabalhando. Muitos reivindicam, protestam, fazem o melhor, mas o poder para tal ainda não está em nossas mãos quando se trata de pisos e legalidades. Nos aprimoramos cada vez mais, pois a parte do trabalho nato ainda é nossa.
Ter uma consciência de que você é responsável por boa parte de sua vida nesse quesito de trabalho, o leva a adquirir responsabilidade, não se nega que há injustiças e desigualdades, porém o trabalho próprio ainda é uma necessidade, para aprimoramento pessoal e conscientização, construção de caráter e honestidade, e quando se dá em condições adversas é como uma forma de testar sua força de (boa) vontade.
Afinal, trabalhar e se aprimorar é um caminho de múltiplos benefícios, um deles é ficar com a consciência tranquila.

Com base nisso, pessoas que estudaram e trabalharam duro para conseguir algo, ouvir tal coisa, "foi sorte", "herdou" ou como Sakamoto diz: "Estudar é mesmo o único caminho pra se ter algo?" chega a ser ofensivo e repugnante. Algo em mim tem aversão a pessoas que desmerecem o mérito da outra ou desdenham do esforço, como se não valesse. Talvez seja porque passei a vida ouvindo que sem estudo não há futuro e o que tenho hoje, mesmo que para muitos pareça pouco, foi conseguido através de estudo, trabalho e disciplina. Para falar a verdade, a maioria a minha volta também seguiu o mesmo caminho.
Daí Sakamoto pergunta se é a única forma. Não. Gostaria que fosse o mais valorizado ao menos, mas não é o único. Afinal, temos funkeiros, políticos, atletas, jogadores de futebol, cantores, artistas globais... Figuras que em questões financeiras estão melhor que muitos com um PhD no currículo sem necessariamente ter trilhado um caminho reto na academia ou oferecer um retorno de cunho mais sério (ex: pesquisas em saúde, serviços ligados a educação) a sociedade. Não os culpo, estão usando seus talentos a seu favor, seus dons. Haverá quem os aprecie e os que terão aversão, acharão injustos seus gordos salários por "nada", porém alerto que a questão aqui não é necessariamente de culpas.

O jogador é bom, tem talento, estava no local certo, na hora certa, com o olheiro certo, foi descoberto e levado para a Europa. O funkeiro pode pregar só sexo e violência em suas músicas, porém haverá quem aprecie e pague por isso, a gravadora e o agente veem uma oportunidade e o levam para uma turnê, se não gostamos do som cabe a nós sermos mais seletivos. O ponto chave é: ter sucesso, reconhecimento (e dinheiro) não necessariamente passa pelo caminho do estudo e trabalho duro, porém, esse ainda É o caminho mais óbvio, certo e seguro para tal, porque os jogadores/funkeiros/artistas ainda são, se comparados ao resto da população, como agulhas em palheiros. E considerando algumas matérias que aparecem de vez em quando, quando caem no comum, logo são jogados neste "resto". Daí não deve-se desistir do caminho árduo.

Esse tipo de questionamento talvez surja com base na desvalorização não só estudo em si mas das profissões que o exigem muito. Não é preciso pensar muito pra se constatar as profissões que necessitam constantemente de aprimoramento e estão por baixo. Médicos, professores, pesquisadores..., materialmente falando, as coisas se complicam muito. Não raro trabalharem em três lugares pra poder se render algo, porém continuam trabalhando. Muitos reivindicam, protestam, fazem o melhor, mas o poder para tal ainda não está em nossas mãos quando se trata de pisos e legalidades. Nos aprimoramos cada vez mais, pois a parte do trabalho nato ainda é nossa.
Ter uma consciência de que você é responsável por boa parte de sua vida nesse quesito de trabalho, o leva a adquirir responsabilidade, não se nega que há injustiças e desigualdades, porém o trabalho próprio ainda é uma necessidade, para aprimoramento pessoal e conscientização, construção de caráter e honestidade, e quando se dá em condições adversas é como uma forma de testar sua força de (boa) vontade.
Afinal, trabalhar e se aprimorar é um caminho de múltiplos benefícios, um deles é ficar com a consciência tranquila.

Seu texto esta ótimo mas com essa cor de fundo o texto fica pesado e da dor nas vistas beijos
ResponderExcluirOi! Muito obrigada pelo comentário, fico Felix que tenha gostado. E obrigada pela observação da cor, vou refer isso XD.
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