domingo, 12 de outubro de 2014

Anna ou Elsa?




Acho que Frozen trouxe lições preciosas e pensando um pouco, indo a um evento aqui e ali percebo o quanto a Elsa tomou conta e espaço de tudo. Não faltaram cosplays da Elsa, truques pra mudar de roupa, todo mundo comprando cadernos dela e imitando o gesto de fazer neve. E a Anna? Ela também não é importante? Entendo que Elsa é a Rainha da Neve, mas Anna foi quem a libertou pra ser quem queria ser.

Por partes, mesmo criança dá pra notar que Elsa é clara, azul, remete ao gelo e ao frio, Anna já é mais sardentinha, castanha, rechonchuda, empolgada... Consegue-se notar que Anna é muito impressionada com os poderes de Elsa, a admira e se diverte com isso. Elsa é mais centrada, tenta fazer tudo certinho, impressiona porém com uma margem de segurança. Tal qual não é seu desespero quando acerta a cabeça de Anna e como depois disso, um simples toque, um simples nervosismo faz seus poderes sairem do controle. Talvez a concentração excessiva de Elsa e essa repressão é que faz com que a neve dentro dela fique numa panela de pressão.
Anna é a ternura em pessoa, por cerca de 10 anos ela bateu na porta de Elsa, ainda que recebendo nãos, não se deixava levar pelos portões fechados e corria pela casa, gritando e falando com os quadros. Ela mantinha a alegria e não encobria isso embaixo de luvas. E era insistente... lutava contra as negativas e sempre acabava lembrando a irmã de que a tinha. Elsa preferia se trancar e não sentir. Nenhuma das duas era má, só conduziam de forma diferente suas vidas.

Os anos contudo vão acumulando certos sentimentos e apaziguando outros. Com as recusas de Elsa em determinado ponto, Anna já não batia em sua porta quando passava, apenas olhava lembrando que havia uma irmã lá dentro. E quando os pais se foram, veio a confirmação de que não havia mais ninguém, de que elas não tinham mais ninguém. Mesmo que a tendência fosse a aproximação, Elsa se afasta mais por medo e Anna permanece mais na dela.

Anna só explode quando os portões são abertos. A alegria dela já era evidente, porém ao deixar o sol entrar isso se torna potente. O encontro é inevitável e como sempre foi Anna a tomar a iniciativa, não é surpresa que tudo parta dela mais uma vez. Anna se torna importante pelo seu desabafo, por instigar de certo modo Elsa a se libertar, ainda que houvesse um certo arrependimento depois pelo ocorrido, Anna vai atrás pra ajeitar as coisas.

Anna era a caçula, mas agia com a iniciativa de irmã mais velha, por isso creio que ela teve uma importância fundamental no filme. Não só por mostrar o valor de um sacrifício por um ser amado, mas coragem de dizer que não tem medo e não desistir da irmã tentando sempre e sempre que ela conseguiria. Era um jeito muito singelo e doce, aquele jeito de carinho que não desiste, que demonstra, que não segue sem que o outro esteja junto...

Elsa pode ter cantado "Livre estou" se libertando de seu cárcere auto impingido, mas foi com todo amor do mundo que Anna cantou: "Por uma vez na eternidade, eu vou estar aqui."







Nenhum comentário:

Postar um comentário