sábado, 21 de fevereiro de 2015

Minha experiência no Sul



Na quarta feira retrasada, depois de levar esporro da orientadora do mestrado, esporro do pai e se o dia não tivesse acabado, levar esporro de não sei de quem mais, finalmente pude dizer 'estou indo embora, a mala já está lá fora, vou te deixar' para minha terrinha e cruzar o país e rumar para as terras lá do sul.

Fui neste carnaval para Santa Catarina, um estado que só conhecia dos livros, das novelas e do jornal diga-se de passagem. E me surpreendi muito de ver que era bem diferente do que por vezes se imagina aqui no norte. Sempre pensamos que é um lugar frio, no qual a gente não pode sair de blusa de manga e agasalho, mas vi que pode ser bem quente e fresquinho. Todo mundo anda de blusa e camiseta, sandália havaiana e chapéus, porque o sol queima. Tipo, queima mesmo.

Inicialmente, fiquei em Bombinhas. Uma cidadezinha muito legal, tem uma praia incrível! Fiquei surpreendida em como o sol de três da tarde é menos quente que o sol de dez da manhã em determinados dias daqui de Belém. A areia é bem fresquinha, a água é gelada e transparente e no sul, muitos são o estilo farofeiro, levam seus guarda sóis, isopor com refrigerante, cerveja e sanduíches. Eu curti muito na verdade. 


A comida não é muito diferente do que vemos ser o costume: churrasco! Mas tipo é um dos melhores churrascos da história dos churrascos. Eles comem berinjela e um quiabo frito como salada, é bem gostoso, mas pessoalmente, não recomendo comer muito porque enjoa depois. As coisas no supermercado são bem variadas e bem baratinho, assim como o comércio. Comprei tanta lembrancinha e roupa que por um instante pensei: posso ficar aqui pra sempre? *-*

Porém, mais do que as praias e Bombinhas e posteriormente outras coisas que apareceram, também questões surgiram na minha mente. Os atendentes do hotel estavam sempre sorrindo... A senhora da faxina não ficou carrancuda quando precisei que ela limpasse fora do horário estabelecido e ela nem era brasileira. Acho que esse tipo de atitude nos faz pensar no que temos aqui no norte, porém mais ainda pensar em como vemos uns aos outros. Não sei se dá pra perceber que eu sou daqui, eu respondia quando perguntavam, porém fora minha pele morena e meu sotaque, eu era só mais uma pessoa. Sei que pelo que as novelas mostram a gente podia pensar: "Em terra de branquela, morena é rainha", só que não. Esse esteriótipo que fazem das pessoas do sul que são brancas que nem leite é errado, na verdade muitos são até mais bronzeados que a gente. É a regalia que se tem por poder ir a praia todo dia. Nem que seja pra ouvir o barulho das ondas.


Tirei um dia e fui ao famoso Beto Carrero. Fiquei boquiaberta com quão grande o homem conseguiu fazer seu sonho. É aquilo: ele não sabia que era impossível, foi lá e fez. Os mais chatos e radicais vão dizer que é meritocrata e jogar pedra, mas a real é que algo grandioso como aquele lugar que em nada perde pra parques como a Disney merecem um pouco mais de respeito e consideração. É lindo! E enorme! Os shows são muito bem ensaiados e os brinquedos muito bacanas. Choveu nesse dia, mas pra mim não teve problema nenhum. Viram? Lá também chove e fica chovendo o dia todo que nem aqui.





Posteriormente, fui para Florianópolis. Lá os bairros são bem distantes do centro. Então esteja preparado pra pagar uns 100,00 de táxi. Chegando, mais surpresas. Muitos turistas estrangeiros que falavam espanhol, supus ser nossos vizinhos da América Latina. O atendimento nos bares e restaurantes era muito bom, os garçons não eram meio rudes nem pareciam estar ligados no piloto automático. As ruas ficam cheias até altas horas da madrugada, assim como os estabelecimentos. As pessoas mexem no celular e tiram fotos com aquelas câmeras de 2500,00 e ficam tranquilas. Isso e fez pensar que talvez não seja o lugar onde estamos o problema, nem talvez haja razão para essa rixa norte-sul, de acharem que os do norte são índios não civilizados ou os do sul são um bando de arrogantes. Talvez sejam as pessoas, suas mentalidades, o que valorizam. Aí tudo muda de figura, porque poderia ser o norte o super e o sul, o rebaixado. O que faz com que as pessoas se sintam tranquilas de fotografar na rua com equipamentos caros em alguns lugares e em outros (como aqui) a gente sinta insegurança alheia? O que faz com que uma pessoa deixe clientes sozinhos em sua loja pra pegar algo no carro estacionado e em outro lugar a gente mal pode dar dois passos segurando uma peça de roupa sem que se acheguem seguranças? Qual é a diferença entre explorar o turismo em sua cidade e explorar o turista? Acho que a questão da mentalidade, das pessoas seja mais importante do que o lugar, pois os lugares são feitos por elas, não o contrário.



Em Florianópolis, mais praias. Acho que fui mais nelas nesse feriado do que fui nos últimos anos. E adorei! Acho que essa experiência no sul, convivendo com pessoas diferentes e vendo diferente óticas foi muito enriquecedora pra mim. Percebi que muito de discursos velhos que a gente ouve, que parecem tão comuns e certos, no fundo são furados. Somos pessoas vivendo num país só, e vamos evoluindo conforme nossas vontades e disposição. Eu acredito que um dia nosso país será mais uniforme e as pessoas, idem.

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