O anúncio da estréia do filme de 50 Tons de Cinza causou muita agitação entre jovens e senhoras de todo o mundo. Eu já tinha ouvido falar esporadicamente, uma citação aqui e ali de uma colega, via o livro na prateleira, coisas assim, mas filmes e cinema são duas coisas que acabam contagiando de um jeito ou de outro. E acabou que fui ver o filme.
Não li o livro, porém sei a história base. Pessoalmente, como sou revisora de hentais e costumava ler aqueles livrinhos da banca de jornal que tinham aqueles casais na capa posso imaginar bem o teor e as descrições mais elaboradas dos 50 Tons. O próprio livro nasceu como fanfiction de Crepúsculo, o que promove uma certa aversão dos mais "eruditos", como se não houvesse escritores de fic melhores que muito PhD.
Vamos ao ponto: por que é tão bom? E se é tão bom, por que metem tanto pau ás vezes? O filme quebrou umas barreiras eu devo admitir. Não é tão Edward e Bella como muitos acham que é, levando em consideração suas raízes. Não é um filme pra crianças. É explícito. Intenso. Real. Os atores quebraram paradigmas quando se dispuseram a fazer cenas tão íntimas e transparecerem de forma tão clara os sentimentos dos personagens. Anastasia é de fato uma garota quieta e recatada e Christian o sedutor, aparentemente, não tem como dar certo sem que um seja duramente jugado, porém os dois conseguem achar um ponto comum adiante.
Christian tem uma característica que admiro não só num homem, mas nas pessoas em geral: ele é verdadeiro. Verdadeiro o bastante pra não dar ilusões a Anastasia. Ele diz que não faz amor, ele f... com força; diz que não é de flores e jantares; mostra o quartinho dos jogos antes que ela se entregasse e deixou claro seus desejos de fazê-la sua submissa e sobre o que se tratava. Ela então estava livre pra escolher. Poderia ter saído correndo como muitas fariam na vida real, mas o mundo das fics e dos livros não foi feito para realidades óbvias. E ela se dispõe a tentar, a experimentar. O receio de início é natural. Não importa se você tem 23 anos ou 66, se viver algo novo, desconhecido e aparentemente assustador, terá medo de se machucar (em todos os sentidos), de doer, será invadido por uma avalanche de sentimentos nunca antes sentidos. Mesmo com o medo que ela sentia foi adiante, e esse sentimento passou a dar espaço a um outro: paixão e posteriormente, amor.
Nesse ponto as opiniões começam a divergir. O filme tal qual o livro não mostram uma história de amor e liberdade, mas de opressão e abusos. Christian não ama Anastasia, mas a oprime enquanto mulher, castra-a em sua liberdade e vontade. Ao fazer um contrato do que quer fazer com ela, das condições, ao segui-la por toda a parte e impor sua presença ganha o título de "opressor". Nessa parte ele é chato mesmo, porém Anastasia também tem seus momentos de bater o pé e dizer não, de deixá-lo chupando o dedo.
Quanto a questão da violência contra a mulher tão levantada por grupos feministas acho contraditório. O feminismo tem como base a igualdade de gênero e liberdade da mulher, então por que ser contra a liberdade dela de querer sentir prazer de diferentes formas? Citam o fato de Christian ser rico e "comprar" Anastasia com presentes caros e deslumbrá-la com seu mundo sofisticado. Perguntaram caso ele fosse pobre. Acredito que caso ele fosse pobre, talvez conquistasse Anastasia pelo charme e carisma e teria que se valer unicamente deles, mas a preferência por cordas continuaria. Ou só porque alguém é pobre ou rico não pode se dar ao direito de tentar coisas diferentes nesse quesito? Quando a questão é atração mútua e desenvolvimento disto a partir de uma paixão, a parte material fica em segundo plano.
Acredito que os 50 Tons trazem algumas lições interessantes sobre relacionamentos e companheirismo. Christian vai se mostrando mais flexível e Anastasia, mais segura. Ambos no seu tempo e cedendo um pouco de cada lado. Acredito que no caminho ainda terão muitos ponteiros pra acertar, mas é por aí. Eu acho 50 Tons de Cinza legal. Acho muito legal na verdade. Acho legal pelas possibilidades. Pode ter sido uma fic de Crepúsculo, que muitos jogam pedra na escrita e na base, mas para quem é do meio, vira um motivo de orgulho. Existem escritores exemplares, que nunca estudaram literatura ou leem aqueles escritores eruditos (e chatos) e se destacam por suas fics. Pra mim, como escritora e revisora, me sinto feliz de ver que há essa possibilidade para uma fic bem escrita. Quantos não sonharam em ver suas fanfics transformadas em filme real? Para um ficwritter, é uma sensação incrível.
É legal ver a possibilidade de um homem mudar, sim. Por que não? Por que é tão difícil crer que o amor/sentimentos podem fazer diferença na vida de uma pessoa antes atormentada? Não é fácil, mas só por isso, é impossível? É legal ver a possibilidade de se abrir para o novo quando se sente a vontade para tal. E perceber que é incrível, que um torna o outro melhor. Perceber que é possível associar amor com a intimidade e ver que há possibilidade de uma mulher ser sim, segura o bastante para poder brincar de ser dominada. Se a mulher em questão gostar de algemas e se sentir confortável com isso, se sentir amada e respeitada inclusive quando está sem elas, andando só de mãos dadas e o homem ao seu lado, entra na brincadeira, sabendo o limite para não machucar e ambos sentem prazer e bem estar, qual a budega do problema?
Acredito que a temática envolve muito de escolha, preferência, paixão e sentimentos diversos. Afinal, o amor e o relacionamento íntimo são muito bons quando combinados harmoniosamente, porém eles também deveriam ser sempre surpreendentes.




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