Desde o ano passado, nas eleições, mais algumas coisas que ouvi aqui e ali, mais verdadeiras discussões via whatsapp e coroando o bolo todo com bloqueios de amigos no facebook, o que inclusive aconteceu comigo (sem vergonha nenhuma de dizer aliás), percebi que as pessoas/grupos/entidades se revelam quando a discussão em pauta é política, religião e futebol.
Nesse bolo de bate-volta, notei que estivemos muito perto da selvageria. Já me preparava para ver alguns grupos se confrontando e batendo na cabeça uns dos outros com paus. O domingo passado trouxe á tona algumas demonstrações de selvageria, de ambos os lados, mas também instigações para que eu falasse de alguns preconceitos incomuns que venho notando por parte de grupos e pessoas.
Considerando a comoção geral, há um termo que muito tenho visto que é "classe média". Normalmente, vem associada com críticas posteriores como "exploradora", "burguesa", "sonha em pagar os empegados com roupa velha e batom", "não aceitam que outros tenham as mesmas coisas". E eu pergunto: o que é a classe média? Ela é definida pela renda? Com uns extras aqui e ali, estouros em vários empregos, muitos conseguem ter uma consideravelmente boa. É definida pelos bens de consumo? Bem, vai do quanto você os valoriza, pois já vi pessoas que não hesitam em deixar de comprar comida para poder ter aquele tablet do momento. E outros ditos "chiques" não estão nem aí em comprar no Desapego. É definida pelo lugar onde se mora? Onde se estuda? Pelos gostos? Hobbies? Então se minha renda for x devo gostar de futebol e esportes, se for y, posso me arriscar nos cosplays?
É engraçado inclusive os preconceitos que se instalam com relação a isso. Não se parece notar que a chamada "classe média" trabalha, que produz renda, que dependendo do ramo, geram empregos ainda que rotulados de "exploradores", a renda e impostos que pagam ajudam sim, a manter os programas sociais que ajudam pessoas menos favorecidas. Querendo ou não, gostando ou não, agradando ou não, essa parcela da população tem sua importância, porém estão levando para o lado pessoal. É uma coisa engraçada notar a hostilidade, raiva, certa inveja e ataque às pessoas ditas desta classe. Pouco importa saber o que elas são, como são, se estão nessa classe, tornam-se exploradoras em potencial. Bem feito que percam seus bens, que sofram juros, que percam suas empresas, são uns porcos capitalistas que merecem sofrer toda sorte de infortúnios.
Faz diferença se a pessoa em questão passou fome e o mínimo que pode querer é que não passe por isso de novo? Faz diferença se quando criança não teve nada e queira dar aos filhos algo melhor e alguns mimos a mais? Parece no mínimo hilário pra mim que tanto ódio e preconceito seja direcionado a pessoas que desejem algo melhor e procurem trabalhar pra isso. Arrogância? Que ataquem a característica, não ponham rótulos em determinado grupo. Pois de classe média a baixa a abissal, há pessoas arrogantes, que humilham as outras e se julgam melhor, não necessariamente por bens materiais, mas por atitudes que podem acreditar corretas, mas que oprimem e julgam. É equivocado e pretencioso pensar que a "classe média burguesa" está preocupada se a empregada ou o porteiro viajam pra Miami, Paris, pro Nepal, ou se tem um super Iphone, pelo que vejo tal como todos, estão mais preocupados em trabalhar e conseguir economizar pra quando eles mesmos quiserem ir para o Nepal. E rotular ou automaticamente associar Classe média = "opressores", "desgraçados" É Preconceito.
E puxando esse assunto noto outro preconceito com relação a mérito. A chamada meritocracia tem causado comichão em muitas pessoas. "É fácil falar de mérito quando se nasce em berço de ouro", será mesmo? E se considerarmos o fato de que muitas vezes duas pessoas de recursos iguais, nascidas no mesmo lugar, com as mesmas dificuldades seguem caminhos diferentes? Um consegue crescer, melhorar e transformar sua vida em algo melhor, outro permanece como sempre, não parece que algo determinou a mudança? Sorte? "Quanto mais trabalho, mais sorte tenho", já ouvi alguém dizer. Acho que quando se escuta algo assim, logo se pensa que alguém foi desonesto, já se pensa no chamado "jeitinho brasileiro", porém a verdade é que muitos suaram, foram atrás, deram duro e ouvir se referirem a tudo isso como se fosse lixo é no mínimo ofensivo. O mérito não é algo ruim, é um retorno que vem a um esforço, uma luta feita da forma certa. "Esses são exceções, não regras", quando escuto isso sempre me perguntei se não é melhor que nos baseemos nos exemplos bons ao invés das regras que nos rebaixam.
Tendo em vista também esse fator trabalho e retorno pelo mesmo, considerando muitos programas instalados, vi preconceito contra médicos também. Engraçado olharem de viés para um profissional que cedo ou tarde será requisitado em sua vida. Muitos os acusam de serem "coxinhas", ambiciosos e de não quererem profissionais de fora. Na verdade não tem nada a ver com os de fora, tem a ver com não ter recurso nem para os que estão dentro. E quando vejo pessoas da própria área metendo pau é decepcionante. Os médicos não são safados ambiciosos que só querem dinheiro, mas é fato que muitos precisam trabalhar em pelo menos 5 lugares diferentes pra poder sobreviver. Não são eles, é a área como um todo que está por baixo. Mas já que estão falando tanto, médicos não são esses que pensam. Além de trabalhar em muitos lugares, eles estão responsáveis por um setores e vidas nele. Eles são os responsáveis por dizer a causa da morte de alguém e caso haja problema, é o carimbo deles em cheque. Agora eu pergunto: quem consegue trabalhar em cinco empregos, ser responsável por várias pessoas incluindo a família e ainda assumir o risco de processo caso algo coloque a vida de outro ser humano em risco? Se alguém se candidatar, pode ter a moral de sair xingando os médicos.
O que tenho observado com tudo, com todas as palavras hostis, bloqueios, ofensas e idéias extremas é que não estão se preocupando muito com o que as pessoas podem ser além daquela visão fechada. Não há muito pudor em ofender grupos inteiros, rotulando-os e aplicando a TODOS uma característica que pode ser de uma parte e isso caracteriza falácia. Digo que percebi muitos tendo o que chamo de preconceito maquiado. Tal como a maquiagem esconde imperfeições, ela esconde a vilania do preconceito, ele vem maquiado de uma áurea de nobreza, de luta por igualdade e por vezes muitos se sentem superiores, mas por baixo de toda essa capa, o preconceito sujo e cruel se revela. E com toda a minha franqueza, ver tantas pessoas, muitas delas da mais alta conta de inteligência, adquirindo esse tipo de preconceito é aos meus olhos, um tipo mais repugnante que o preconceito explícito.
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| Ficarei aqui observando muitos destilarem seus preconceitos maquiados e se sentindo muito nobres |



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