Ontem e hoje, pude viver a verdadeira essência do caranguejo de uma forma como não sentia há um tempo. Somos teimosos, somos persistentes, nós defendemos nosso ponto de vista, mas com a delicadeza que nosso interior e mesmo quando são grosseiros e dão pauladas no nosso casco, nossa rigidez nos protege. Não tentem cutucar deliberadamente achando que somos seres frágeis, porque nem sempre somos.
E eu precisei da minha essência ontem e hoje quando ao comentar uma postagem sobre entrada de pessoas "elitizadas" na universidade que estudei, a estadual. Primeiramente, quem entrou, é povo sim. Se não fosse, se estivesse tão acima como colocam, acham mesmo que tentariam vestibular pra uma mera Universidade do Estado? Não, tentariam pra Harvard ou Oxford. Ou se parecesse muito longe, fariam das tripas coração pra passar na Federal, que já é um passinho mais perto do mundo além das fronteiras brasileiras.
Claro que muito foi dito, muito foi direcionado. E devo dizer que as pessoas estão mais diretas nas suas ofensas, nos seus comentários e não se preocupam mais com a sutileza. Contudo, eu ainda recebi educação em casa e se tem um ponto que minha matriarca me ensinou é entrar e sair de qualquer lugar de cabeça erguida e com classe. Acredito que isso vale também para discussões na internet.
Eu tentei utilizar de convicções para convencer, palavras e extremismos nunca me impressionaram, me impressiono com atitudes. E pra mim, pessoas que mostram boas atitudes sempre serão
bons exemplos. Aquelas que usam suas adversidades para uma diversidade também, só que isso de alguma forma incomoda porque afinal é uma exceção, não regra. Porém é através das exceções que dão algo de bom, que os outros se espelham e fazem disso uma regra. Pra mim, uma regra que não é boa deveria se espelhar nas exceções boas.
Pois bem, daí pra frente foi só pau. Teve um que não hesitou em dizer que eu falava besteira e eu dei a resposta à La Katniss. Acho que muitos são como peixes que vemos nas lojas de animais. O correto seria que eles buscassem o oceano, mas não, se acostumaram com o aquário de tal forma que não enxergam nada além de seus ângulos de vidro. Só que me acostumei com esse tipo de paulada, depois desses anos de blog, sei que a gente não agrada a todos e sei mais ainda que o mundo não nos deve nada, a gente é que tem que correr atrás do que julga ser do nosso direito.
Contudo, no meio desse fogo cruzado, ontem no final da noite, recebi o que era pra ser o tiro de misericórdia, mas vindo de quem veio, eu ergui a cabeça e enfrentei. O ser em questão foi um fantasma, um fantasma que achou que podia me assombrar, só que eu não tenho medo de monstros, durmo com uma katana a 2m de mim. O indivíduo em questão, a quem me refiro como M. não por medo, mas alguns nomes de pessoas já foram tão nocivos que você sequer faz questão de pronunciá-los por extenso na atualidade, jogou uma direta pra mim na página da moça na qual comentei e apesar de querer sair pela tangente com aquela história de "Sem nomeações", seria mais digno da parte dele não subestimar minha inteligência, ao menos uma vez na vida.
Conheci M. na universidade. Cara meio bruto, de centro acadêmico, mais velho. A gente se empolga com esse mundo novo chamado universidade, mas acreditem fellas, nem todo senpai tá pra Kenshin, ás vezes eles são Mr. Satan. Ao contrário do que pode parecer, não é despeito. Saí da universidade há três anos, mal me lembro de muita coisa e muita gente de lá apesar de estar tudo guardado, nem me lembraria deste ser ignóbil se ele não tivesse falado m. e tentado me atingir da forma mais baixa.
Ele postou uma foto em seu face falando mentiras. Sendo que pessoas da minha turma assinaram embaixo, pessoas essas que me ignoravam, me olhavam de cima e nem faziam questão de disfarçar.
A transcrição:
"Sobre o resultado da UEPA...
Primeiramente, parabéns aos novxs calourxs. Entrar na UEPA sempre foi uma árdua missão, que tem se acentuado nos últimos anos. Mas o que me chamou atenção foi um debate dentro da postagem da camarada xxxxx.
Ela havia colocado sobre o fato de cada vez menos se ver o povo adentrando essa universidade, em detrimento à elitização da mesma. Daí, uma fulana "polemiza" com seu discurso vazio e meritocrata, o que se supõe que os que passam mereciam mais do que os que não passaram, independente da condição de cada candidato. Ora, é impressionante que uma pessoa que sempre teve tudo da família, que estudou em uma escola de elite de Belém desde o começo, que os pais e avós sempre fizeram suas vontades, que recebia sempre 20 ou 30 dilmas para passar o dia na universidade, sempre fez os cursos de formação que desejava pois a família pagava, que ganhou um consultório quando se formou... Enfim, sempre teve "privilégios" para poder se preocupar SOMENTE com a graduação, vir querer falar que tem mais merecimento que o filho de um trabalhador que rala o mês todo para garantir ao menos o dinheiro da passagem para seu filho ir estudar.
Cansa discutir com gente assim."
Sabem, dificilmente faço esse tipo de coisa de mandar respostas, porém é fato que não compactuo com mentiras, falsidades e com atitudes topes, ainda mais vindo de alguém que volta do além túmulo universitário achando que tem algum direito de me ofender e falar essas mentiras torpes e imorais. Eu esclareci no meu perfil e fiz questão. Pra começar, é verdade que estudei em um colégio bom. A mensalidade era dividida entre três pessoas e me lembro sempre de um dos meus avôs vindo dar a parte dele ao meu pai. Meus pais e avós não faziam minhas vontades, aliás, se me veem fazendo posts de cosplay e eventos hoje é porque hoje eu posso pagar por isso do meu bolso.
Até entendo que este indivíduo fale da minha família com este tom de desdém, afinal nunca gostou deles mesmo. Não raras as vezes que mesmo em tom de brincadeira brigava com minha mãe, não falava direito com meu pai e meu avô, tinha raiva do meu outro avô e mesmo minha avó sendo gentil, ele era mal educado e chegou a gritar omigo quando vinha a minha casa. Mas se enchia de soberba, porque se julgava "ofendido e com a razão".
Não compactuo com essas mentiras torpes porque nunca fiz todos os cursos que quis, fiz um de inglês porque era o mais útil no momento. O dinheiro que tinha era pra passar a semana, salvo quando eu ia almoçar e tentava gastar o mínimo possível, o que nem sempre conseguia porque acabava pegando a mais pra poder dividir. Não ganhei consultório quando me formei, não ganhei carro, nem moto, nem sequer uma bicicleta, ganhei tarefas e responsabilidades. M. se mostra ou muito mentiroso, ou muito mal informado ou ambos. Eu estudei pra passar num concurso público, que é onde estou até hoje.
Este indivíduo se autodenominava "menino mimado" antes de se tornar universitário, o dinheiro que ele me "acusa" de levar pra passar o dia era o mesmo que ele mesmo gastava em duas horas bancando pizza para amigos, uma vez que segundo ele, já teve condições melhores, condições essas que critica atualmente nos outros e carrega de preconceito. É fato que por mais que colega em comum tenha dito que ele aprendeu muito na vida, parece ainda não ter aprendido a humildade pra lidar com seus próprios bichos tão pouco não culpar ou desdenhar os outros por coisas que queria ter.
M. diz que acho ter mais merecimento que o "filho de um trabalhador", ou seja, sugere que meus pais não trabalhavam. Não. Meus pais trabalharam duro até o fim da minha graduação e continuam até hoje, a diferença é que depois que comecei a trabalhar, faço de tudo pra não ser um peso e ajudar o que posso em casa.
É lamentável que esta pessoa ache que eu não sei que ela fala de mim. Ele mexeu com duas coisas que pra um canceriano são sagradas: passado e família. Nunca tente usar o passado de um canceriano contra ele, ninguém sabe mais de passado do que nós. Ninguém tem melhor memória que a nossa, acredite você pode (querer) esquecer coisas na tentativa de nos atingir com suas afirmações, mas nós dificilmente esquecemos dos detalhes, dos fatos, dos olhares, das palavras.
O relacionamento que tive com esta pessoa tal qual com muitas pessoas próxima a ele foi abusivo. Não hesitavam em me chamar de "infantil", falar das minhas roupas, achar que eu era chata por ter uma família próxima e o ser em questão nada dizia pra me defender, ao contrário, entrava na onda pra me humilhar. Engraçado que alguns após romper o vínculo direto, com algumas conversas disseram que mudaram a opinião ao meu respeito, viram que eu era diferente de como M. me fazia parecer. Uma dessas colegas inclusive me disse na biblioteca: "Eu olhava pra vocês dois e pensava: Essa menina parece ser tão meiga, o que uma menina como ela está fazendo com um cara como ele?". Acredite, foi uma questão de energias que se atraíram por um tempo, por afinidade temporária de uma menina empolgada com um cara empolgado com coisas diferentes, hoje eu repudio condutas como as que M. tem, seja de quem vier.
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| "Veste-se a carapuça. A gente vê por aqui". Mentiras torpes também querida. E como vemos. |
Este indivíduo falou o que não devia, mexeu com o que não podia. Insinuar coisas do passado e de família é algo baixo, pra um canceriano são coisas muito valiosas. Guardadas no seu interior. Ele achou que meteria a mão dele num buraco de mangue e não aconteceria nada, porém ele encontrou uma carangueja de pinças afiadas que apertou o dedo dele e cortou sua mão. Ele conheceu essa carangueja em um período que ela era assustada e corria pra se esconder, hoje as pinças são usadas para defesa. É imoral e repugnante usar o passado pra tentar me atingir, até porque não me envergonho dele. Não me envergonho sequer de dizer que conheci M., foi necessário para um projeto maior: o eu de hoje.
Todos temos erros, podemos tê-los cometido, porém com o objetivo de aprender, afinal todos estamos fadados a evoluir, por um caminho ou outro, só que atitudes assim me fazem ver que ás vezes essa evolução demora. A vergonha na cara também.
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| Cuidado, ele parece inofensivo e assustado. Mas aperta seu dedo. |




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