terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sobre a correção da Redação do ENEM




Quando eu vi a polêmica das notas da redação do Enem, a enxurrada de revolta pelas “notas baixas” ainda que com “tema maravilhoso”, lembrei do meu post em outubro, do tanto de gente que meteu bronca em mim, me chamou de ignorante e tal como a Ludmila, eu disse: É hoje! Ah, mas é hoje!

Já tinha dito que em 2016 que ia desistir de entrar em briga de facebook, mas desde o recebimento da nota do Enem, o que mais tem se visto é isso. Ao que parece, muitos se revoltaram pelas notas baixas na redação. “Não acredito que com uma redação linda tirei essa nota”, “Fiz uma redação porca ano passado e tirei mais de 700, esse ano essa nota mísera de 400” e por aí vai. Quando eu vi, quis entender melhor. Apesar de ter escrito algo em outubro alegando que não era questão de machismo ou feminismo, mas de saber argumentar, queria entender o porquê de tantas pessoas que botaram o Enem no céu há três meses atrás hoje estão jogando praga para ele.


A resposta veio logo: uma das corretoras do Enem se manifestou. Segundo ela, outros corretores sabiam que ia ser um abacaxi e saíram de fininho e o tema que parecia tão incrível, fez muitos se empolgarem a ponto de colocarem seus discursos pessoais de facebook na redação. O problema é que não disfarçaram isso e perderam a compostura. O resultado: hashtags, internetês, fora depoimentos pessoais que não cabem numa prova de concurso, daí as notas despencaram.

Quando eu vi tudo isso, apesar de ser cruel devido à decepção por talvez não conseguir uma vaga na universidade, me subiu uma vontade de dizer: eu avisei. Avisei em outubro que só o ardor pela citação da Simone Bouvoir e o tema relacionado à mulher não eram substancialmente o bastante para que se tirasse uma nota excelente. Fora a teoria de “machistas não passarão” que escoou pelo ralo, o Enem provou que não pode ser facilmente dobrado. Não digo que feminismo não tem a ver com o tema. Claro que tem, uma vez que ele diz respeito a igualdade dos direitos femininos, contudo levando para o tema da redação, seria como pintar uma parede de roxo, a violência contra a mulher seria a cor roxa e o feminismo o componente azul do roxo. Ou seja, tem a ver, mas de forma indireta e não literal. Por isso os zeros devido a fuga ao tema e notas baixas.

Acredito que na empolgação, no furor e no calor da prova, já envolvidos pela frase polêmica de Simone no primeiro dia, esqueceram que ainda era uma redação de concurso público. E como tal, os corretores não queriam saber sua posição pessoal nem se você achava que os machistas iam tirar zero, mas saber se você sabia defender sua opinião pautado em argumentos coerentes e de forma clara. Além de argumentar, você precisava convencer através daquelas linhas que era verdade o que dizia, logo ficava bem difícil alcançar esse objetivo com hashtags e revoltazinhas descritas com expressões chulas.




Volta ao ponto que foi criticado em mim, que fez com que me chamassem de ignorante: eu disse que o ENEM não seria um crivo. Não havia nenhum identificador no canto da prova se você era feminista ou não. E realmente não foi. Pelo menos não de machistas x feministas, mas de quem soube escrever e convencer de quem acha que redação de concurso público é um twit. Por aí, é bem capaz do tiro ter saído pela culatra e os “machistas que não iam passar” terem tirado as melhores notas do que as feministas fervorosas. Não porque eles acreditavam no que escreveram, mas porque eles fizeram os corretores acreditarem que acreditavam. Existe algo chamado criatividade e ela faz você ter essa habilidade. De poder viajar em um ideal, que pode não ser o seu, mas escrever sobre ele com tal destreza que todos acreditarão que você sempre foi assim. É uma tática que boa parte usa em redações, principalmente quando é sua vaga, seu futuro, seu orgulho que estão em jogo.



Espero que depois desse ENEM fique claro que por mais eufórico que você seja, por mais enfático que seja em defender seus ideais, é um concurso público e como tal os corretores querem sua capacidade de transformar isso em conteúdo. Com a revolta direcionada especificamente para eles, fica claro uma coisa que existe desde que o mundo é mundo: as pessoas mudam quando os outros não fazem o que elas querem. Os elaboradores da prova do ENEM foram de ovacionados a detestados em meses. Mas é como eu disse e como disseram: você não ter argumentado corretamente na redação, ter tirado nota baixa e ainda xingar o corretor de machista como se ele conhecesse você e estivesse levando pro pessoal não vale.

O Seu Carequinha sou eu. O Seu Barriga é quem meteu pau em mim achando que eu falei algum devaneio ou impropério no post de outubro

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