domingo, 13 de março de 2016

Sete fatos do filme Branca de Neve


Eu por acaso botei um filme pra ver e acabei clicando na Branca de Neve. É engraçado quando você depois de adulta vê um filme que assistia quando criança e com tanta coisa no mundo hoje que falam, começa a notar, embora não necessariamente concorde. Mas aqui estão algumas coisinhas que aponto neste filme que por sinal adoro. E quem sabe não surja inspiração para outras princesas também.



1. Ela foi a pioneira
Ela foi a mamãe das princesas Disney. Ela foi a primeira que chegou ás telas do cinema e encantou milhares de pessoas, dentre crianças e adultos. Segundo informações, foi caracterizado como “Loucura de Disney”, afinal, não só era a primeira princesa, mas também o primeiro filme de animação na tela de um cinema. Disney hipotecou sua casa para conseguir dinheiro para a produção, visto que não acreditavam na idéia e ficou até bem caro para um filme da época. Como muita coisa na vida, o filme Branca de Neve prova que muitos duvidam quando algo novo é lançado, porém quando veem que dá certo, tiram o chapéu e elogiam. Essa era uma característica de Disney que acredito ser um exemplo: não se deixar emprenhar pelos ouvidos e seguir em frente com sua própria cabeça.


2. Ela era mais “real”
Quem vê o filme da Branca de Neve, mesmo na versão HD dá pra notar que ela é uma garotinha com formas mais “reais”. Tirando a pele pálida fora do comum, dá pra ver que as bochechas são mais rechonchudas, os braços são mais gordinhos, quase não há seios no corpo de forma mais redonda. Ela é baixinha, pequena. As formas corporais lembram uma moça jovem, ainda em formação mas sem aquela utopia de cintura finíssima, seios grandes e aparência madura para uma adolescente. Disney quis fazer uma menina com forma de menina e Branca de Neve cumpriu o papel.


3. Dizem que é machista mas... Quem se importa?
Começa pelo ano que foi lançado: 1937. Nessa época o feminismo ainda não tinha a estrutura que tinha hoje, então é no mínimo uma covardia colocar isso na balança. As moças sonhavam com um bom casamento, suas atividades eram mais restritas e mesmo as profissões tinham relação com o lar, como lavadeira e cozinheira. Por educação, era ensinado que a mulher devia sempre ouvir ás figuras masculinas, do pai ao marido. Logo, mesmo um filme infantil traz alguns desses resquícios desse tempo. O suposto “abuso” que o príncipe comete ao beijar uma moça adormecida reflete muito do imaginário das meninas de que quando seu “par ideal” chegasse, ao beijá-las, sua vida mudaria, elas viveriam felizes em um castelo (casa) enorme e não teriam mais que se preocupar com dinheiro, afazeres e teriam uma vida de princesa, devotada ao príncipe. Não podemos culpar a mentalidade das pessoas de tempos passados, pois como o próprio nome diz: é passado, ainda não se tinha amadurecido. E só lembrando: ainda que seja machista para nossa mentalidade atual não significa que eu vou deixar de gostar, deixar de ver e se tiver uma filha vou deixar de mostrara a ela, falou?


4. Dizem que faz alusão a pedofilia...Só que não
“Se me deixarem ficar, eu tomo conta de tudo. Eu lavo, passo, costuro, cozinho”. Isso foi o que Branca de Neve diz aos anões para que eles a deixem ficar na casa. Parece mesmo como “eles querem uma empregada”, o que para muitas moças parece um absurdo e machista, já que dá a entender que somente a mulher deve fazer as coisas. Porém, Branca de Neve não era uma mulher. Ela era uma menina. A idéia era dar a noção de que ela era uma moça jovem, o que casa bem com a história: uma menina que fica órfã de pai e a mercê de uma madrasta dá mesmo a entender que ela era imatura, desprotegida e meio boba até, o que desconstrói esse argumento. Ela vai com o caçador sozinha para o meio da floresta, pode-se pensar que ela estaria à mercê de um abuso, porém em nenhum momento isso é mostrado. O caçador se aproxima dela não com desejo, mas com o intuito de matá-la, se arrependendo logo em seguida. Pode parecer absurdo que uma menina fique numa casa sozinha com sete velhos (os anões eram velhos se não notou), porém quando olho para eles, vejo uma relação dela sendo mãe de sete velhinhos que não sabiam se cuidar bem, ou uma netinha amorosa cuidando de avôs, mas tudo num clima fraterno e amoroso, sem nenhuma alusão à sexo ou abuso.

5. A vilã é complexa
A Rainha Má é um tipo diferente de vilã. As ações dela não nascem puramente de maldade, mas se transfiguram em mal. O que movia a Rainha era decorrente de sua enorme vaidade e orgulho, e por estes sentimentos que ela faz as coisas mais horríveis, ela pode não ser puramente má, mas por ter esse lado, o espelho dizer que havia outra mais bonita foi o gatilho para trazer tal lado a tona, o que pode acontecer com muitas pessoas que permitem que esse lado "ruim" as dominem. Ela manda matar Branca de Neve, tenta envenená-la e tem uma morte que considero no mínimo, chocante. Acho até que é bem chocante, considerando um filme antigo e infantil, considerando que ela no momento está como uma velhinha, perseguida por sete anões e morre caindo de um penhasco e esmagada por uma pedra enorme.


6. Branca de Neve tem atitudes condizentes
Desde o início, ela tem uma aura inocente, prestativa e gentil. Como ainda tem muito de criança, ela conserva esses sentimentos. O sentimento de não se revoltar contra uma madrasta malvada, o que não impede que ela tenha medo. Ela se apaixona a primeira vista por um moço bonito que se aproxima, embora também conserve aquele instinto de se afastar meio assustada meio evasiva e tímida. Quando os anões se apresentam, ela fica tímida e se cobre. Reza a noite ajoelhada na cama pedindo o mais singelo: que seus sonhos se realizem e que Deus abençoe os anões que são bonzinhos para ela. E que o Zangado goste dela, já que ele é hostil. Ela tem o carinho de uma menina ao dar um beijinho em cada carequinha dos anões ao saírem. Mesmo a Rainha assustando-a quando aparece de mendiga ela a ajuda colocando-a para dentro e dando água, mesmo sabendo que não poderia deixar ninguém entrar. Ela faz uma torta para Zangado mesmo ele sendo ranzinza com ela, ela limpa uma casa inteira mesmo sem ter obrigação, em parte porque queria ficar mas em parte porque achava que os anões eram órfãos que precisavam de cuidados, ela acredita quando a Rainha lhe diz que a maçã realiza desejos e pede que viva feliz para sempre com seu príncipe num castelo, isso tudo denota por parte da Branca de Neve pura inocência.

7. Os anões são puramente humanos
Pode parecer engraçadinho os nomes dos anões, porém olhando um pouco mais atentamente vemos que as características deles representam muito dos humanos. Mestre tem aquele instinto de guiar a todos, nós precisamos de líderes, alguém que segure as pontas e guie todos em momentos de dificuldades. Feliz guarda aquela coisa alegre de todos, aquela vontade de rir sempre, de se divertir e contagiar todo mundo. Vejo em Atchim aquele sentimento nosso de ficar constrangido com algo que está em nós. Quando estamos gripados, ficamos constrangidos de espirrar ou tossir em público, embora seja inevitável. Resfriado pode ser algo simples, mas se pensarmos, há muitas outras coisas que são muito individuais, mas que para muitos é constrangedora, mesmo que não seja para ser. Zangado representa aqueles aborrecimentos que temos, seja com as pessoas, com o mundo, com as situações, mas que podemos em muitos momentos amolecermos um pouco essa carapaça. Dengoso é a vergonha, a timidez quando nos dirigem a palavra, quando temos que olhar para aquele que amamos e ficamos sem graça, quando ficamos vermelhos ou quando precisamos falar em público, muitos de nós é o Dengoso em pessoa. Evito dizer que Soneca é a personificação da preguiça, pois ele também trabalhava na mina, embora ficasse molenga, ele também foi atrás da Rainha quando precisou e mesmo estando quase dormindo, foi ele quem sacou o que os animais queriam quando estavam puxando eles. Acho que ele faz jus aquele cansaço que todos temos, mas que apesar dele continuamos. Dunga é o atrapalho, mas apesar de ser atrapalhado, ele é muito esperto e ativo. Vejo nele aquele jeitinho desajeitado que se assume de vez em quando, diante de algo novo mas indiscutivelmente fazendo tudo de uma forma descontraída que no fim dá certo.


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