quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Infelicidade: não a cultive



Muitos hoje estão fazendo aniversário. E aniversário normalmente é sinônimo de presentes. As pessoas quase sempre são criativas com presentes, ao dar um objeto para o outro por vezes se pesa o que ele gosta ou algo que vá usar. Nesse ponto, muitos presentes que deviam trazer felicidade fogem do padrão.

Livros de repente geram a angústia de não se ter tempo para lê-los, roupas somam-se a inúmeras outras paradas no armário, cosméticos acabam fazendo tanto volume que falta cara e olhos para gastá-los. E tudo isso leva a pensar porque que mesmo tão materialmente amparados nos sentimos infelizes e incompletos? Comprimidos na própria montanha de ouro?

A felicidade é conquista íntima, já dizem algumas linhas. Só o que dá a entender é que procurar essa felicidade no interior do seu ser é uma tarefa mais difícil que parece. Considerando o mundo que vivemos, é como procurar um anel de ouro no meio de uma água barrenta. É angustiante.

Nem mesmo aprendemos a identificar coo é a sensação de verdadeira felicidade. Nossos pais na ânsia da proteção e de nos mostrar valores, as coisas importantes da vida, cercar do que há de mais bonito pra que tenhamos conforto nos enchem de brinquedos, roupas e mais brinquedos. E com isso passamos a ter a sensação de que o brinquedo novo nos deixa feliz. Na adolescência é aquela roupa ou acessório da moda, na vida adulta, um bom emprego, estabilidade, dinheiro para carros e viagens, mas ainda assim sempre voltando para a questão material.

Muitos chegam à velhice sem compreender bem o significado de que é felicidade e fatidicamente já tendo visto, vivido e tendo tanto não conseguem também não conseguem se sentir felizes com tantas coisas. A comida não tem o mesmo sabor, boa bebida não faz diferença e por vezes toda a companhia do mundo não é o suficiente.

Ser feliz devia ser algo construído constantemente, é uma jornada, porém somos imperfeitos demais e até meio atrapalhados, daí fica difícil construir uma felicidade sólida que não vá se esvair com a primeira dificuldade. A felicidade é simples. Ela brota de forma inesperada e cabe a nós permitir que ela permaneça. É tão perceptível que ela fica, tal qual Polyana que não importava a situação difpicil, lá estava ela com sua satisfação.

O mundo ainda que não devesse ser assim, também tem sua parcela na produção da infelicidade em massa. As pessoas nunca são boas o bastante, nunca fazem o certo bastante, nunca se esforçam o bastante ou são adequadas o bastante. A moça solteira é sozinha, a casada precisa de um filho, a viúva é amarga, a que tem muitos filhos é irresponsável... O rapaz homossexual sofre preconceito por gostar de homens porém se começa a namorar um transsexual ao invés de começarem a se sentir felizes por ele estar com uma mulher, questionam e têm preconceito porque ele é gay e deveria estar com um homem.

Nessas horas realmente percebemos que as pessoas são estranhas. Tão estranhas que desejam arduamente serem felizes mas cultivam o contrário com grande empenho, não sendo felizes e nem permitindo que os outros ao redor o sejam. Seja por ingenuidade ou por se deixar levar por uma multidão, ainda há a ilusão de que é possível você plantar maçã e colher abacaxi.

Nisso notamos o cenário caótico do mundo atual, seja na internet ou na vida fora dos computadores que a maioria deseja impor suas opiniões às outras pessoas. Nem sempre opiniões propriamente erradas, mas que para o próximo não serve, não o preenche. É como um velho exemplo de uma novela onde a personagem gordinha se casa e o marido, levado pelas piadas, pede pra ela começar a emagrecer. A justificativa era que "Se você emagrecesse, não fariam tantas piadas". Não. Não haveria garantia e mesmo que houvesse, por que alguém tem que se castrar para satisfazer o ego alheio. Talvez seja o que falta atualmente: um olhar para o próprio ego, o que o satisfaz e trabalhar nisso sem envolver ninguém mais. 

Dizem que a falta de amor é a causa do mal no mundo. Eu discordo, acho que a infelicidade é o mal maior, pois um ser feliz tende a espalhar cor e com ela, tudo de bom que dela se origina.


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