Eu sempre acabo vendo os filmes depois que eles passam, depois que a euforia por eles desbota ou até mesmo depois que eles ganham até um Oscar. Foi o que aconteceu com Divertidamente. Eu por vezes fico buscando filmes divertidos e leves pra assistir com os pais, acho que nada substitui boas risadas em família, tal como a Riley com os pais dela. Daí me lembrei de umas críticas aqui e ali, do Oscar do ano passado e acabei baixando. Antes só tinha visto umas figuras das emoções, mas ver como elas agiam superou e muito minhas expectativas.
A trilha sonora é de uma sensibilidade incrível, a dublagem é boa, não é um animação enfadonha, porém diferente de uma resenha comum, percebi que o melhor é você falar de um filme de acordo com o que aprende com ele. Afinal, filmes não só divertem, mas fazem pensar, você fica com umas lições aqui e ali e quase sempre são elas que fazem com que você assista ele de novo. Então, aqui estão algumas lições muito legais que se pode aprender com Divertidamente (se não assistiu, tentarei dar o menos spoilers possível XD).
1. Você precisa ver o lado bom das mudanças
De acordo com o diretor, ele quando tinha 11 anos se mudou para um novo lar, teve que se adaptar a nova escola, nova vida, nova casa e enquanto todos os amigos gostavam de esportes, ele tímido ficava nos desenhos. Ele notou também um comportamento semelhante na sua filha quando ela completou a mesma idade, mudanças de comportamento assim como acontece com a Riley. É preciso que ainda que hajam mudanças, seja de casa, de escola, de vida ou estilo, é necessário que se possa ver as coisas boas, mesmo que elas demorem um pouco a serem vistas e que se sinta muita saudade de como tudo era antes. Assim como a Alegria disse, você precisa garantir que o dia seguinte vai ser de arrasar.
2. Não deixe que uma única emoção comande você
Quando somos bebês, vamos descobrindo as coisas. Incluindo emoções. O filme trata justamente como elas agem dentro da nossa cabeça, seja criança ou adulto. Contudo acho que uma das principais lições que o filme dá é que se temos muitas emoções, todas precisam ser usadas e se ajudar. Não existe um emoção que diga "Eu comando" ou "Vou arrumar tudo", sempre no individual, é um conjunto que vai auxiliar a pessoa a crescer e lidar com as situações, se uma única emoção comandar o tempo todo, a pessoa nunca vai ser exposta às outras e aprender a se equilibrar. Alguém que se deixa comandar pela tristeza, tende a sempre se sabotar e não conseguir ver o que de bom há no mundo; pela raiva vai tender sempre a ser explosivo e impulsivo, mesmo que comandado pela alegria, há pessoas que podem por sempre estarem imersos nessa emoção até mesmo negligenciem quando alguém não está na mesma vibe, mesmo que inconscientemente.
3. Quando se trata de personalidade, coisas se destroem e se constroem
As coisas que vivemos quando crianças não se comparam com a quantidade de coisas que vivemos quando adultos. As experiências, as situações, os locais que visitamos, pessoas que conhecemos, tudo isso vai contribuindo para que nossas opiniões se construam e possamos firmar nossa personalidade e outros aspectos sejam deixados para trás. Essa é a diferença entre fase e estado. As fases dizem respeito a "Ilhas de personalidade" que caem, o estado são aquelas que permanecem, aquelas que representam coisas que são para a vida toda e que simplesmente permanecem.
4. Algo que parece ruim nem sempre é ruim
A mudança parece algo ruim, parece que Riley perde muito, assim como seus pais, a falta parece ser mais presente do que ser preenchido pelas possibilidades. Contudo mesmo assim, analisando tudo que se passou no filme, houve um crescimento, não só da personagem mas também das próprias emoções dela, na verdade um não poderia crescer sem o outro. Todos se conheceram melhor, foram descobertas novas chances, novas coisas, coisas boas nasceram do que parecia ser só escuridão.
5. Tristeza não existe por acaso
Desde que me entendo por gente, sempre houve uma dualidade entre Tristeza - Alegria, como se fossem inimigas. Elas são as primeiras emoções do ser humano e ambas tem seu valor, porém como a Alegria é a "mocinha", a Tristeza acaba sempre sendo jogada para escanteio. Como a própria Alegria diz: "A Tristeza você já conhece... Eu não entendo bem o que ela faz e eu já olhei e não posso mandar ela embora", ou seja, ela é meio como que suportada e ninguém dá espaço para que ela mostre o que faz. Mas em vários (não poucos) momentos ela mostra o quanto entende da mente, o quando tem conhecimento e que consegue fazer muita coisa. A Tristeza não está na nossa cabeça por nada, Alegria se surpreende em várias cenas nas quais ela pensa que a Tristeza só vai fazer besteira e ela acaba é consertando o estrago, uma dessas cenas é quando Bing Bong está triste (só esse spoiler, eu juro!) e Alegria tenta colocar ele pra cima, só que é aquilo, temos que respeitar quando as pessoas simplesmente não querem rir, aí vem a Tristeza e diz: "Ele estava triste e eu simplesmente escutei" e talvez nada no mundo, que eu pelo menos saiba, alivia tanto um peso no coração do que um bom choro. Fora que em momentos assim, descobrimos muito sobre nós e sobre quem nos cerca. E não sei se fui só eu quem notou, mas a Alegria tem muito azul nela também.
6. Memórias devem ser cultivadas, mas fatalmente muitas se vão
O ponto que fez muitos grandalhões chorarem nos cinemas é o que diz respeito ás memórias. Todos sabemos o quanto é importante cultivar, o quanto há coisas que vivemos na vida que são importantes dependendo da fase em que estamos, porém fatalmente muitas dessas memórias, seja de lugares ou pessoas acabam se esvaindo conforme vamos vivendo outras e conhecendo outras pessoas também. Não deixa no entanto de ser triste quando algo que em um momento foi tão importante, acaba sendo esquecido, seja amigo ou época.







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