segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ainda sobre o Enem


Todos estão aguardando ansiosos o resultado do ENEM, não é pra menos visto toda a carga que ele tem e tudo o que ele significa. Claro que mesmo assim, antes do processo e das provas são disseminadas as velhas idéias, talvez nem tão velhas assim, de que o vestibular é um processo massacrante, deprimente e opressor. Um processo que leva as pessoas a acharem que são burras caso não passem, que não serão alguém, das figuras e textos com dizeres de "você já é alguém" pipocaram, que jovens na obsessão de passarem entram em depressão e tem crises de ansiedade e isso para ingressarem em um curso do qual muito do que vai ser ensinado, nunca será utilizado na vida prática.

É lógico que tudo que estão dizendo tem seu fundo de verdade e eu não posso deixar de concordar, porém com ressalvas. Para começo de conversa, o estudo é muito importante e considerando os atuais tempos de crise, desinteresse de parte da juventude e métodos que dão infinitas chances de erro, não tê-lo é uma dificuldade que pode prejudicar muito a vida de um ser humano. Claro que há os pessimistas que dirão: "Hoje muitos mesmo letrados não conseguem se sustentar", ficar sem as letras pode ser pior, acredite.

Valendo da polêmica de que após o ENEM há as piadas de que o McDonald's está aceitando currículos, muitos levantam a bandeira de que é um trabalho honesto, O que realmente é e ninguém diz o contrário, porém muitos querem algo mais, uma melhora que possibilite maior conforto futuro, pessoal e materialmente falando. Palavras de um pedreiro: "Eu não quero que meu filho faça o que faço, quero que ele seja outra coisa".
Claro que pressões absurdas a ponto de adoecer alguém não é bom, causa danos que o objetivo fica prejudicado e o ego do indivíduo nem se fala. É preciso falar da importância sem que se atinja um nível patológico. Lógico que equilíbrio não é bem o que se tem visto quando se trata de ENEM, mas sempre há esperança. Com tantas escolas ocupadas, polêmicas, há o lado de pessoas serem contra e a favor. Há os que pensam que enquanto muitos se preparam, outros estão nas escolas ocupadas e bem não se pode culpar os primeiros por escolherem outro foco. Existe também o ponto de que muitos outros não conseguiram realizar a prova porque a escola estava ocupada e os que foram impedidos fatalmente chamaram os ocupadores de "desocupados". E a última situação (essa sim foi bem canalha), no dia uma notícia saiu falando de um rapaz que estava ocupando uma escola, porém no dia e hora do ENEM, não hesitou em sair para realizar a sua.

Quando eu disse ha um tempo que Rett Buttler era o cara, nunca pensei que os ensinamentos desse carinha lá num filme do século passado cairia tão bem hoje em dia. Quando Scarlett pergunta: "Então você não acredita na causa?", ele com aquele sorriso sedutor e auto confiante diz: "Acredito em Rett Buttler e nada mais". E com notícias sobre alunos que ocupam e outros que só querem fazer seu vestibular, percebemos que o vestibular por muitos é encarado como aquele balão de doces que fica pendurado nos aniversários. Na hora que estouram aquele balão, não existe amigo, primo, irmão, companheiro... E sai que a vaga é minha. O processo esse ano me surpreendeu de algum modo. Dada as referências altamente tendenciosas utilizadas, como Catraca Livre e O Machismo Nosso de Cada Dia, o tema da redação foi até bem neutro, sem coisas tendenciosas como cultura do estupro ou falar do atual presidente. Ainda assim, quero ver se a correção também vai ser neutra.

Numa experiência pessoal, eu não fiz ENEM. Na época ele nem era tudo isso e como sabia que não poderia usar ele para nenhum dos objetivos que tinha nem perdi meu tempo e foquei no que realmente importava. Eu encarava tudo não como um balão, mas como um campo de sobrevivência. Por crescer ouvindo que sem estudo não há futuro e que ele era o modo para ser alguém, passei a me focar nele de tal forma que pensava que ele era minha única característica. Claro que descobri outras habilidades depois, contudo naqueles anos estudo era um sacerdócio. Muitos hoje dizem que era uma tremenda pressão, e realmente até era, hoje vendo os frutos, as broncas, as chateações, experiências  e sacrifícios valeram a pena. 

Não é fácil dizer nem exigir que jovens de 16, 17 anos consigam imaginar suas vidas 5, 10 anos a frente, o que dirá escolherem o que vão fazer nesse tempo e pelo resto da vida, porém ainda é necessário, já que estudar é um caminho clichê e o que considerando a população é o que mais tem probabilidade de dar certo. Falando por mim, eu sou baixinha e cheinha, não tenho beleza exótica, logo não sirvo pra modelo. Não sei cantar. Não tenho aptidão pra reality show. Não nasci com dons extraordinários. Meu canal do youtube ainda não decolou. Minha família não tem herança milionária pra me deixar, logo estudar era a única opção que eu tinha pra conseguir uma profissão que me proporcionasse estabilidade.

A verdade é que não importa o processo ou se você tem ou não um curso superior. O aprimoramento é importante e sempre será necessário, mesmo que seja um curso técnico ou curto. O acréscimo é inegável e suas chances de portas abertas também.


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