Cara Amanda, já faz tempo desde que nos vimos pela última vez. Ás vezes me pego pensando em certas coisas, em como você está e outras coisas do tipo que você sabia bem. Ás vezes sinto saudades e penso em tudo quanto aconteceu em nossas vidas.
Lembro que você foi uma das poucas que me enxergou no meio de tanta gente. "Você tem cara de que gosta de animes e vai pra eventos", foi uma das poucas que olhou pra mim e de cara viu esse lado, talvez uma das poucas que olhava como algo não negativo ou infantil como tantas das pessoas da nossa turma, mas como algo cool. Você era a roqueira do nosso grupo, com cabelão preto, all star, acessórios característicos, estou querendo aprender a fazer porque os fretes são assustadores. Quem diria que eu iria começar a ser adepta desse estilo também.
Coleciono bonecas Monster High agora, esse era seu apelido, lembra? Você sempre contava que as crianças antes de apelidavam de Samara do Chamado, por causa do cabelão até a cintura, depois passou a ser Monster High, não consigo esquecer que nosso grupo ganhou esse apelido graças a você. Os cosplays estão indo, num dos eventos que fui, lembrei de você quando vi um monte de gente de Hora da Aventura, você havia perguntado como faz presa de vampiro, você gostava da Marceline não é? Acho que foi o empurrão que faltava pra eu decidir fazer esse cosplay, nem que fosse pra uma sessão de fotos, em sua homenagem.
Escutamos muitas coisas desde da última vez que ouvimos falar de você. Um dia me disseram que talvez você não estivesse tão bem quanto eu achei que poderia estar. Fiquei pensativa ao ouvir aquilo, porque desejo de coração que esteja tão feliz quanto seja possível estar. Acho que todos merecemos a felicidade, só que... ás vezes é difícil, sei lá. Ás vezes parece tão complicado... especialmente quando estamos onde não queremos estar, fazendo coisas que não queremos fazer, massacrados por vontades reprimidas e sentindo que mesmo que nosso corpo seja obrigado a permanecer em um lugar a nossa mente não aceita essa condição e voa. E por mais que queiramos traze-la de volta, não conseguimos.
Hoje, Amanda, sei como é difícil, sei como é difícil permanecer, como é difícil fingir. Fingir interesse, negar quando questionamentos vem na sua cabeça sobre onde está, com quem está convivendo. Se engajar em conversas quando tudo que queria estar era num limbo ou no mundo dos sonhos. Negar os olhares das pessoas que verídicos ou não parecem estar sempre ali, as perguntas, as indiretas, hoje sei como é difícil lutar consigo mesmo todos os dias, contra suas próprias adversidades... Algumas batalhas são mais fáceis que outras, mas nos dias de batalhas difíceis, você quase que explode.
Hoje eu sei Amanda, que devia ser muito difícil pra você. As pessoas não percebem. Na verdade, ninguém percebe ou preferem não perceber nem ver, sei lá, talvez cada um veja ou prefira não ver o que quer que seus olhos vejam e percebam. Por vezes a gente nota um olhar levantado, mas muitas vezes temos a dificuldade de abrir a concha de tanto que aprendemos a lidar sozinhos.
Você um dia cansou de fingir, cansou de fazer de conta. Eu não concordo com seu modo de conduzir nem de resolver as coisas, eu mesma queria poder ter ajudado de algum modo. Pra ser sincera, me sinto culpada por não ter percebido como tantos não percebem. Sempre tenho na minha cabeça que não devemos nos transformar no que nos fizeram, no que nos disseram, no que achamos porcaria no mundo. Tenho passado por isso...
Lembra quando você me disse que queria abrir um bar? Eu acho que talvez pensasse que seu destino e felicidade não era onde estava. Quantos talvez não se questionem se estão no caminho certo? Se seus destinos são onde estão atualmente? O mundo dá umas pauladas violentas de vez em quando que a gente se questiona se não há nada melhor no horizonte, se não tem algo além do arco-íris ou algo que nos transmita mais paz do que temos atualmente. Eu espero que você possa achar essa paz, esse pote de ouro no fim do arco íris e aprenda cada vez mais Por vezes me questiono sobre o chão que piso e tenho vontade de voar pra longe, de uma forma que já nem consiga mais enxergar o que poderia deixar pra trás...Só que, falando por mim, talvez por uma percepção própria, tenho mais motivos pra ficar do que pra ir.
Amanda, lembro de você com carinho e desejo sua felicidade, você é uma ótima amiga. Talvez demore até nos vermos de novo, mas até lá, torço pra que tenha aprendido muito e encontrado o caminho das flores. Continuarei tentando aprender e encontrar esse caminho por aqui.
Com carinho, Rhayssa

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