domingo, 26 de março de 2017

Expectativas e lições dos novos Power Rangers


Quando saiu o trailer dos novos Power Rangers algumas coisas puderam ser notadas de cara. Claro que quem viu os Power Rangers originais estabeleceu logo o comparativo, o que tornou as coisas mais interessantes. Pra falar a verdade, talvez o maior público seja do pessoal antigo que quer viver de novo a nostalgia de ver e dizer " É Hora de Morfar!".

Para o povo das antigas, ficou claro que os novos tem umas coisas interessantes. Logo no trailer nota-se que ainda que destinados a serem heróis, os protagonistas não são pessoas perfeitinhas, descoladas, introsados um com os outros nem aceitos por todos. Todos os defeitos, pieguisses, características bulinadas e rejeitadas antigamente eram personificados nas figuras de Bulk e Skull, os garotos bobos que sempre queriam atenção, que tentavam se destacar, mas sempre recebiam olhares de desdém e nojo, desejavam notoriedade e um pouco de sucesso dos Rangers... traduzindo, eles só serviam para que se tivesse um alguém para apontar e rir. Desta vez, essas características estão nos protagonistas. Ou seja, eles poderiam ser qualquer um de nós.
Tudo gira em torno da escola regular, contudo, nem tão regular assim já que muitos dos integrantes dela são excepcionais em sua condição, de certa forma diferentes do resto. Jason, o Ranger Vermelho, continua sendo o bonitão, o forte que se destaca, porém claramente um rapaz problemático com péssimo relacionamento com o pai. O tipo de garoto que tem bom coração, defende colegas mais fracos porém com barreiras familiares que parecem intransponíveis.

Zac, o Ranger Preto, desta vez é representado por um oriental. Não se nota muito sobre ele nos trailers, porém percebe-se que ele é um solitário. Nas primeiras imagens ele é visto se inclinando em cadeiras no telhado, olhando ao longe. Talvez ele não seja muito sociável, bem diferente do Zac super descolado, com roupas coloridas e que adorava dançar, talvez ele seja mais como tantos rapazes e moças que preferem ficar em seu próprio mundo.

Billy dessa vez é um dos que mais tem a nos fazer refletir. Ele continua nerd, continua sendo o Ranger Azul,  porém nesta versão ele é negro e tem traços de autismo. Duas condições que tornam o personagem mais complexo e pelo trailer, mais propenso a exclusão. Ele ainda é quieto, com , com uma inteligência incrível por baixo de camadas de olhares aversivos. 

Curiosamente, Trini desde o início se mostrou minha favorita, mesmo eu não sendo fã da cor amarela. Se antes ela era atlética, ágil, esbelta, desta vez ela se mostra baixinha, rechonchuda, usa roupas que não parecem muito estilosas aos olhos de muitos, tudo isso ao ponto de escreverem em seu armário o "Morre maldita perdedora, ninguém se importa". Fora o fato de que ela anda por locais restritos, dá a impressão de que a família não a compreende, insinuando inclusive desconfiança de que ela possa se envolver com drogas e atividades ilícitas. Há inclusive confirmação de que ela é lésbica e está se descobrindo neste aspecto, como ocorre com tantas meninas nesta idade.
Kimberly continua sendo a bonitinha, moça de corpo bonito, com habilidades todavia ainda sofre com olhares de outras moças que discordam dela frequentar e conviver com pessoas diferentes. Ela não se sujeita a ser metida e arrogante, nem cheia de melindres. Ela dá a entender que é mais divertida e leve que a original.

O ponto destes novos heróis é que de alguma forma nos sentimos mais próximos deles. Quantos de nós na adolescência não sofreram com olhares julgadores dos colegas, eram massacrados pelos gostos pessoais, ou por ser introspectivo, nerd ou por ter dúvidas sobre a própria sexualidade e estar ficando maluco por isso? O mundo em muitos pontos está ficando exagerado, cheio de dedos com determinados assuntos que curiosamente, antes eram simplesmente mostrados livremente, contudo uma das coisas admiráveis é a de estar fazendo heróis com arestas, heróis que não são somente virtudes e carinhas bonitas, mas pessoas com atitudes heróicas e vontade de melhorar.

A melhor coisa desses novos Power Rangers é que poderiam ser qualquer um, poderiam ser encontrados em qualquer esquina, escola, hospital, parque e isso de algum modo nos faz sentir heróis. Mai heróis e melhor do que somos...


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