quarta-feira, 8 de março de 2017

Lições de Game of Thones - Parte 1


Existe um gosto muito peculiar em mim. Primeiramente feliz dia da mulher, no dia de hoje que resolvi escrever este post percebo que não posso deixar de chamar de peculiar esse gosto que me levou a finalmente assistir Game of Thrones. Se você olhar o discurso, pelo menos 5 em cada 10 mulheres vão exaltar a violência sofrida pelo público feminino todos os dias, logo o que me faz concluir que muitas vezes mulheres tendem a ter reservas com relação a qualquer coisa, mesmo que de entretenimento, que envolva violência ou atos abusivos. E Game of Thrones é cheio disso.

Sei que demorei muito a começar a assistir, só via as figurinhas aqui e ali, a raiva pelos spoilers, sabia do nome de um ou outro personagem quando tinha polêmica em alta e do autor que era malvado por matar todo mundo, porém um dia sem fazer nada, decidi ver. E depois de menos de 15 minutos me perguntava seriamente porque não tinha começado a assistir antes. Percebi que um lado meu desde a mais tenra idade gostava disso. Espadas, arcos, flechas, cabeças voando, membros decepados, detalhe, quando se tratava de batalhas antigas e eras antigas também, lembro de uma garotinha sentada com o pai assistindo os filmes clássicos de caras com espada. Lutas em idade contemporânea não me enchem os olhos, por isso que troco Pearl Habor por Conan ou Rei Arthur sem pensar duas vezes. Acho que mesmo com valores tão rústicos, ainda havia um cultivo de honra e muito do que surgiu nesta era foi pioneiro e base para o que temos hoje.

Atualmente, usam a expressão “Idade Média” pra se referir a toda opinião que pareça arcaica ou mazela do mundo, porém um pouco da lembrança das aulas de história e vendo Game of Thrones dá a nítida percepção que muitas idéias cultivadas a época permanecem, talvez executadas de forma diferente, com um pouco mais de polidez mas com cerne igual. Game of Thrones é mais que uma série, é um arcabouço de lições e fatos que merece ser exposto e quem sabe, despertar interesse de outros. Por isso aqui vão algumas das coisas bem perceptíveis na obra de George.


1.  Um nome ou influência não exime você de trabalhar duro.
Percebemos muito isso com a Família Lanister. Os três irmãos, Cercei, Jaime e Tyrion eram bem diferentes entre si e cada um tinha uma forma de encarar o “nome importante” que tinham. Tyrion principalmente. Por ser o anão, o subestimado, rejeitado e olhado de viés, ele se aprimorava o máximo que podia. “Se eu fosse de uma família de camponeses, eles teriam me deixado na floresta para morrer, mas eu sou um Lanister, eu procuro aprender e saber o máximo possível pra ser digno”, ou seja, o baixinho podia até ser de família influente, mas tinha plena consciência que precisava mostrar a que viera. Jaime ao contrário era mais vaidoso, era um cavaleiro que além de bonito era habilidoso, mesmo que se valesse mais de seu sobrenome desde cedo procurou se aprimorar.



2. Se valer de um sobrenome nem sempre é o bastante.
Embora pareça com o primeiro não é a mesma coisa. Pois há pessoas que nunca se preocupam com o amanhã acreditando que basta dizer que faz parte de uma família ou falar o nome de seus pais que todas as portas vão se abrir. Jaime estava em desvantagem e usava essa tática o tempo todo, “meu pai” pra cá e pra lá, até que alguém lhe deu a real “Você está no chão e acha que basta chamar o nome do seu pai que todos ficarão aos seus pés”, na vida real não é assim, dependendo de onde e com quem esteja, seu sobrenome não é nada e aí se volta para o primeiro ponto: você vai ter que contar consigo mesmo.



3. Algo que começa errado não necessariamente permanece errado.
Daenerys teve um casamento arranjado com um homem que se comparado a ela era um selvagem. Feições rudes, tinha quase o dobro de altura e infinita brutalidade, logo no primeiro episódio vemos como é penoso para Dany manter relações com ele num tempo em que a mulher tinha que estar sempre disponível. Com tudo isso se tende a pensar que ela vai viver uma vida infeliz até que decide aprender sobre como agradar seu Khal e aí a coisa muda de figura, querendo dar prazer a ele, ao ser correspondida passa a receber prazer também. E então o amor brota aos poucos de forma que Danny percebe que é muito melhor fazer amor olhando nos olhos.



4.  Sair de um relacionamento abusivo é difícil, mas depois que se sai, coitado do abusador.
Um dos maiores problemas atualmente são os relacionamentos abusivos. E também há o problema de quase sempre enviesarem como se somente casais pudessem viver esse tipo de relacionamento. Daenerys vivia um relacionamento assim com o irmão, sangue de seu sangue, não teve nenhum pudor em lhe arranjar um casamento arranjado em troca de um exército. “Eu deixaria que eles lhe estuprassem, eles e seus 1000 cavalos se isso me trouxesse a coroa”. Craster vivia um relacionamento abusivo com suas filhas-esposas. Elas engravidavam e se nascesse um menino, ele era sacrificado, o que não faz a coisa ser menos doentia do que é. Os envolvidos que eram os algozes nem preciso dizer que tiveram fins trágicos e com total desprendimento de aqueles que escravizavam, na verdade, numa opinião pessoal, Viserys, o irmão de Daenerys, mesmo sendo irmão teve um rumo mais interessante nesse processo do desprendimento da irmã e recomendo muito que assistam por causa disso.



5.  Não se nasce forte, se torna forte.
Jon Snow como o próprio nome diz, era o bastardo, era o apontado na rua, era o marcado como o que devia favores a esposa de seu pai que o acolhera, mas mesmo assim ele não desistiu e procurou se tornar melhor a cada dia. Arya, a menina que preferia espadas a vestidos não hesitava em mostrar que queria aprender a arte da espada, queria ser forte, ter um destino diferente do que era comum às moças e foi também aprendendo. E claro, não se pode deixar de mencionar Daenerys, a primeira vista ela era uma menina boba que não duraria uma temporada, mas ao conviver com os Dothraki ela foi aprendendo com sua força e descobrindo que era capaz, que podia ser uma rainha de verdade, ou melhor, uma Khaleesi.


6. Valor é algo que você precisa conquistar.
O mundo não vai lhe dar nada de graça, logo você precisa conquistar seu espaço e mostrar que não é um lixo qualquer. Jon Snow quando foi para o castelo negro era bom, mas carregava o estigma de ser o bastardo, o filho rejeitado de Ned Stark, mas mesmo assim mostrou ao que veio, demonstrou liderança, habilidade e com isso foi conquistando a confiança e admiração dos companheiros. É algo que devemos ter em mente: ninguém conhece você até que mostre o valor que tem.



7.  Uma ilusão mesmo que muito doce ainda é pior que uma verdade.
Talvez o golpe mais baixo que se possa dar em uma pessoa seja iludi-la com o que ela mais deseja. Isso já foi usado em várias séries, filmes e desenhos, você faz com que alguém veja o que mais quer do fundo do coração, como um espelho de Ojesed e lógico que qualquer um fraqueja diante de tal coisa. Como resistir a algo que é tão doce ao coração? Daenerys viveu isso, na busca por seus dragões ela foi tentada com a imagem das duas pessoas que mais amava no mundo: seu marido e seu filho. “Ou talvez eu tenha me recusado a entrar nas Terras da Noite sem você. Ou talvez eu tenha dito a Mãe das Montanhas pra ir se fuder e voltei aqui para esperar você”. Você treme, acha que é magia negra, muitos cogitariam por alguns segundos permanecer naquela cabana ilusória e perfeita, porém tal como Daenerys, acabam saindo. Não é fácil, porém é o certo.


8.  Um filho pode ser muito importante, porém ainda deve respeito aos pais.
Jofrey era filho de Cersei e ela o amava mais que tudo no mundo, afinal mesmo uma víbora ama seus filhotes, porém ela mesmo a contragosto fechava os olhos para as atrocidades que ele fazia ao passo que ele deixava claro que não aliviaria a barra de ninguém, nem dela. Em uma ofensa, ela lhe deu um tapa na cara dele e ele de cara disse que uma agressão ao rei era passível de morte e que deixaria passar daquela vez. Filhos criados assim não se pode esperar coisa boa, um filho pode ter o cargo mais importante, pode ser famoso, pode ser influente, mas se tem alguém por quem deve ter ao menos respeito, são seus progenitores.


9.  Um rei pode ser rei, mas não significa que terá o respeito de seus súditos.
Jofrey era rei, fazia questão de ostentar sua coroa para todos e não hesitava em mostrar sua crueldade. Infernizava a vida de Sansa, decapitava as pessoas por nada, queria ser temido e que todos se curvassem perante ele. O problema é que ser rei é mais que usar uma coroa, é mais que impor leis, fazer discursos e é tão fato que os súditos de Jofrey, mesmo sabendo de sua autoridade, não pensaram duas vezes me jogar cocô na sua cara durante um cortejo real ou de fazer piadas com sua pessoa nas ruas da cidade em rodas. Joffrey podia dar o chilique que fosse mas era inútil, ele tinha a coroa, a posição, ouro, mas poucos o viam como verdadeiramente rei, talvez nem a própria mãe. Não lembra um pouco o que acontece com a política de muitos países, inclusive a nossa?



10.   Aproveite as lições que aprende com quem não é tão legal.

Sempre digo que você vai conviver com gente cretina a vida toda, isso se chama mundo. Convivia com alunos bullies cretinos, na faculdade com universitários cretinos que se achavam melhores que todos e na vida adulta percebe que há desses em todos os serviços e que e muitos casos dificultam a beça sua vida. Ou seja, quanto a isso, não há nada o que fazer, mas você pode aprender com elas. Aprender a se defender, a ter mais percepção das coisas e pessoas em volta, saber como proceder em cada situação. Daenerys acreditava em Xaro Xhoan Daxos e em suas boas intenções, na sua conversa culta e promessa de tesouros, porém ele assim como outros da cidade só queriam seus dragões. No fim, ela usou sua ética dothraki e o prendeu em seu próprio cofre vazio.

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