Existe um gosto muito peculiar em
mim. Primeiramente feliz dia da mulher, no dia de hoje que resolvi escrever
este post percebo que não posso deixar de chamar de peculiar esse gosto que me
levou a finalmente assistir Game of Thrones. Se você olhar o discurso, pelo
menos 5 em cada 10 mulheres vão exaltar a violência sofrida pelo público
feminino todos os dias, logo o que me faz concluir que muitas vezes mulheres
tendem a ter reservas com relação a qualquer coisa, mesmo que de entretenimento,
que envolva violência ou atos abusivos. E Game of Thrones é cheio disso.
Sei que demorei muito a começar a
assistir, só via as figurinhas aqui e ali, a raiva pelos spoilers, sabia do
nome de um ou outro personagem quando tinha polêmica em alta e do autor que era
malvado por matar todo mundo, porém um dia sem fazer nada, decidi ver. E depois
de menos de 15 minutos me perguntava seriamente porque não tinha começado a
assistir antes. Percebi que um lado meu desde a mais tenra idade gostava disso.
Espadas, arcos, flechas, cabeças voando, membros decepados, detalhe, quando se
tratava de batalhas antigas e eras antigas também, lembro de uma garotinha
sentada com o pai assistindo os filmes clássicos de caras com espada. Lutas em
idade contemporânea não me enchem os olhos, por isso que troco Pearl Habor por
Conan ou Rei Arthur sem pensar duas vezes. Acho que mesmo com valores tão
rústicos, ainda havia um cultivo de honra e muito do que surgiu nesta era foi
pioneiro e base para o que temos hoje.
Atualmente, usam a expressão “Idade
Média” pra se referir a toda opinião que pareça arcaica ou mazela do mundo,
porém um pouco da lembrança das aulas de história e vendo Game of Thrones dá a
nítida percepção que muitas idéias cultivadas a época permanecem, talvez
executadas de forma diferente, com um pouco mais de polidez mas com cerne
igual. Game of Thrones é mais que uma série, é um arcabouço de lições e fatos
que merece ser exposto e quem sabe, despertar interesse de outros. Por isso
aqui vão algumas das coisas bem perceptíveis na obra de George.
1. Um
nome ou influência não exime você de trabalhar duro.
Percebemos muito isso com a
Família Lanister. Os três irmãos, Cercei, Jaime e Tyrion eram bem diferentes
entre si e cada um tinha uma forma de encarar o “nome importante” que tinham.
Tyrion principalmente. Por ser o anão, o subestimado, rejeitado e olhado de
viés, ele se aprimorava o máximo que podia. “Se eu fosse de uma família de
camponeses, eles teriam me deixado na floresta para morrer, mas eu sou um Lanister,
eu procuro aprender e saber o máximo possível pra ser digno”, ou seja, o
baixinho podia até ser de família influente, mas tinha plena consciência que
precisava mostrar a que viera. Jaime ao contrário era mais vaidoso, era um
cavaleiro que além de bonito era habilidoso, mesmo que se valesse mais de seu
sobrenome desde cedo procurou se aprimorar.
2. Se
valer de um sobrenome nem sempre é o bastante.
Embora pareça com o primeiro não
é a mesma coisa. Pois há pessoas que nunca se preocupam com o amanhã acreditando
que basta dizer que faz parte de uma família ou falar o nome de seus pais que
todas as portas vão se abrir. Jaime estava em desvantagem e usava essa tática o
tempo todo, “meu pai” pra cá e pra lá, até que alguém lhe deu a real “Você está
no chão e acha que basta chamar o nome do seu pai que todos ficarão aos seus
pés”, na vida real não é assim, dependendo de onde e com quem esteja, seu
sobrenome não é nada e aí se volta para o primeiro ponto: você vai ter que
contar consigo mesmo.
3. Algo
que começa errado não necessariamente permanece errado.
Daenerys teve um casamento
arranjado com um homem que se comparado a ela era um selvagem. Feições rudes,
tinha quase o dobro de altura e infinita brutalidade, logo no primeiro episódio
vemos como é penoso para Dany manter relações com ele num tempo em que a mulher
tinha que estar sempre disponível. Com tudo isso se tende a pensar que ela vai
viver uma vida infeliz até que decide aprender sobre como agradar seu Khal e aí
a coisa muda de figura, querendo dar prazer a ele, ao ser correspondida passa a
receber prazer também. E então o amor brota aos poucos de forma que Danny
percebe que é muito melhor fazer amor olhando nos olhos.
4. Sair
de um relacionamento abusivo é difícil, mas depois que se sai, coitado do
abusador.
Um dos maiores problemas
atualmente são os relacionamentos abusivos. E também há o problema de quase
sempre enviesarem como se somente casais pudessem viver esse tipo de
relacionamento. Daenerys vivia um relacionamento assim com o irmão, sangue de
seu sangue, não teve nenhum pudor em lhe arranjar um casamento arranjado em
troca de um exército. “Eu deixaria que eles lhe estuprassem, eles e seus 1000
cavalos se isso me trouxesse a coroa”. Craster vivia um relacionamento abusivo com
suas filhas-esposas. Elas engravidavam e se nascesse um menino, ele era
sacrificado, o que não faz a coisa ser menos doentia do que é. Os envolvidos
que eram os algozes nem preciso dizer que tiveram fins trágicos e com total
desprendimento de aqueles que escravizavam, na verdade, numa opinião pessoal,
Viserys, o irmão de Daenerys, mesmo sendo irmão teve um rumo mais interessante
nesse processo do desprendimento da irmã e recomendo muito que assistam por
causa disso.
5. Não
se nasce forte, se torna forte.
Jon Snow como o próprio nome diz,
era o bastardo, era o apontado na rua, era o marcado como o que devia favores a
esposa de seu pai que o acolhera, mas mesmo assim ele não desistiu e procurou
se tornar melhor a cada dia. Arya, a menina que preferia espadas a vestidos não
hesitava em mostrar que queria aprender a arte da espada, queria ser forte, ter
um destino diferente do que era comum às moças e foi também aprendendo. E claro,
não se pode deixar de mencionar Daenerys, a primeira vista ela era uma menina
boba que não duraria uma temporada, mas ao conviver com os Dothraki ela foi
aprendendo com sua força e descobrindo que era capaz, que podia ser uma rainha
de verdade, ou melhor, uma Khaleesi.
6. Valor
é algo que você precisa conquistar.
O mundo não vai lhe dar nada de
graça, logo você precisa conquistar seu espaço e mostrar que não é um lixo
qualquer. Jon Snow quando foi para o castelo negro era bom, mas carregava o
estigma de ser o bastardo, o filho rejeitado de Ned Stark, mas mesmo assim
mostrou ao que veio, demonstrou liderança, habilidade e com isso foi
conquistando a confiança e admiração dos companheiros. É algo que devemos ter
em mente: ninguém conhece você até que mostre o valor que tem.
7. Uma
ilusão mesmo que muito doce ainda é pior que uma verdade.
Talvez o golpe mais baixo que se
possa dar em uma pessoa seja iludi-la com o que ela mais deseja. Isso já foi
usado em várias séries, filmes e desenhos, você faz com que alguém veja o que
mais quer do fundo do coração, como um espelho de Ojesed e lógico que qualquer
um fraqueja diante de tal coisa. Como resistir a algo que é tão doce ao
coração? Daenerys viveu isso, na busca por seus dragões ela foi tentada com a
imagem das duas pessoas que mais amava no mundo: seu marido e seu filho. “Ou talvez
eu tenha me recusado a entrar nas Terras da Noite sem você. Ou talvez eu tenha
dito a Mãe das Montanhas pra ir se fuder e voltei aqui para esperar você”. Você
treme, acha que é magia negra, muitos cogitariam por alguns segundos permanecer
naquela cabana ilusória e perfeita, porém tal como Daenerys, acabam saindo. Não
é fácil, porém é o certo.
8. Um
filho pode ser muito importante, porém ainda deve respeito aos pais.
Jofrey era filho de Cersei e ela
o amava mais que tudo no mundo, afinal mesmo uma víbora ama seus filhotes,
porém ela mesmo a contragosto fechava os olhos para as atrocidades que ele
fazia ao passo que ele deixava claro que não aliviaria a barra de ninguém, nem
dela. Em uma ofensa, ela lhe deu um tapa na cara dele e ele de cara disse que
uma agressão ao rei era passível de morte e que deixaria passar daquela vez.
Filhos criados assim não se pode esperar coisa boa, um filho pode ter o cargo
mais importante, pode ser famoso, pode ser influente, mas se tem alguém por
quem deve ter ao menos respeito, são seus progenitores.
9. Um
rei pode ser rei, mas não significa que terá o respeito de seus súditos.
Jofrey era rei, fazia questão de
ostentar sua coroa para todos e não hesitava em mostrar sua crueldade. Infernizava
a vida de Sansa, decapitava as pessoas por nada, queria ser temido e que todos
se curvassem perante ele. O problema é que ser rei é mais que usar uma coroa, é
mais que impor leis, fazer discursos e é tão fato que os súditos de Jofrey,
mesmo sabendo de sua autoridade, não pensaram duas vezes me jogar cocô na sua
cara durante um cortejo real ou de fazer piadas com sua pessoa nas ruas da
cidade em rodas. Joffrey podia dar o chilique que fosse mas era inútil, ele
tinha a coroa, a posição, ouro, mas poucos o viam como verdadeiramente rei,
talvez nem a própria mãe. Não lembra um pouco o que acontece com a política de
muitos países, inclusive a nossa?
10. Aproveite
as lições que aprende com quem não é tão legal.
Sempre digo que você vai conviver
com gente cretina a vida toda, isso se chama mundo. Convivia com alunos bullies
cretinos, na faculdade com universitários cretinos que se achavam melhores que
todos e na vida adulta percebe que há desses em todos os serviços e que e muitos
casos dificultam a beça sua vida. Ou seja, quanto a isso, não há nada o que
fazer, mas você pode aprender com elas. Aprender a se defender, a ter mais
percepção das coisas e pessoas em volta, saber como proceder em cada situação. Daenerys
acreditava em Xaro Xhoan Daxos e em suas boas intenções,
na sua conversa culta e promessa de tesouros, porém ele assim como outros da
cidade só queriam seus dragões. No fim, ela usou sua ética dothraki e o prendeu
em seu próprio cofre vazio.











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