Ainda que a comoção por 13
Reasons Why tenha passado, é inegável que deixou um rastro de reflexões e
questionamentos sobre muitas coisas, tal qual um cometa que passa e deixa para
trás o brilho de sua cauda.
Óbvio que saltou aos olhos foi a
questão do suicídio de Hanna, o quão o bullying pode ser destrutivo e o quanto
as ações decorrentes do bullying podem ser devastadoras, não só para quem o
pratica mas quem é vítima da prática. Reitero que não vi a série, porém comecei
a me aventurar em algumas cenas e figuras. Quando se trata de morte, dois lados
sempre estão envolvidos, o de quem vai e o de quem fica.
Em especial suicídio, quem fica
normalmente é acometido por questões ensurdecedoras sobre as causas, os motivos
e porquês do ato. Claro que no caso de Hanna, ela deixou isso muito claro
através de suas fitas, logo os questionamentos passaram a ser se haveria chance
de talvez se ter evitado o que aconteceu. Ponto ocorre algo interessante, para
dizer o mínimo
E nesse ponto ocorre algo
interessante, para dizer o mínimo, quando se trata de sociedade no geral. Há
uma necessidade ou até mesmo motivação em ser uma pessoa dita protocolar, em
cumprir uma série de rituais ou reproduzir falas mesmo que não esteja sentindo absolutamente
nada do que fala.
Quantos cartazes sobre prevenção
do suicídio não apareceram na parede da escola de Hanna após seu ato impensado,
ou melhor, calculado? Muitos inclusive que eram seus algozes, porém para
parecerem decentes para os calouros e obter sua admiração, não hesitaram em
discursar sobre a importância da conscientização. Clay, amigo de Hanna, que viu
tudo aquilo, não teve estômago e fez outro discurso para os novos alunos.
Gritou que havia um armário que
pertencia a Hanna Baker e que ela tinha se matado por causa das pessoas que
faziam bullying e que naquele momento se preocupavam em colar cartazes. É
perfeitamente compreensível a atitude a atitude de Clay, em algum momento, essa
necessidade alheia de cumprir um ritual, normalmente com muita hipocrisia
reinando, por vezes faz o outro explodir de raiva e revolta.
Não há falta de quem afirme que
funerais e velórios nada tem para os mortos, mas são para os vivos. Há muito
sentido nisso quando se analisa as reações das pessoas no momento da notícia de
morte de alguém conhecido. Há os que se chocam, os que ficam surpresos, os que
ficam indiferentes, os que sentem de fato a falta da pessoa pelo que a pessoa
realmente era e há os que só cumprem um protocolo de ações pré-estabelecidas.
Nesse contexto, é realmente de
cair o queixo muitas das atitudes com relação a morte. Quantos, tal qual como
houve com Hanna, não tratam os outros como porcarias a vida toda, mas basta
acontecer uma dessas fatalidades do destino que lá estão nos grupos de whatsapp
colocando mensagens de apoio, de conforto, cumprindo o protocolo para parecerem
muito generosas, solidárias ou até mesmo para um conforto para com as próprias
consciências? Tais protocolos adoecem a sociedade e lamentavelmente estimula
capas que quando tiradas, magoam muito mais do que se houvesse um
descortinamento desde o início.
Ser uma pessoa protocolar é em
muitos casos ser infiel consigo mesma e posteriormente para com os outros. É
incentivar uma conduta que pode causar rachaduras no ego e na auto estima das
pessoas, problemas nas relações, ilusões... Talvez por isso que protocolos
devem ficar somente nos processos burocráticos, com pessoas as condutas devem
ser diferentes...



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