O mês de junho está acabando porém as festas juninas sempre trazem a tona um dos santos mais populares de junho, o Santo Antônio. Sempre digo que Santo Antônio é um dos santos que mais sofre, as moças tão ávidas em conhecer uma pessoa ou de algum modo permanecerem com a que está com elas, fazem de tudo com o santinho para conseguir isso. Colocam ele de cabeça pra baixo, no congelador, hoje em dia ele está sendo arremessado ao invés de buquês nas festas de casamento. Contudo já havia dito antes que mesmo ele só vai ajudar quem estiver pronto pra isso. Estar apaixonado e amando alguém é um sentimento muito bonito, porém o tempo quando auxilia o casal a criar raízes implica também em grandes responsabilidades e seriedades. Casar é algo que é mais do que uma festa bonita, vestido chique, pessoas se esmagando pra pegar o Santo Antônio ou o cravo, é uma parceria além das que normalmente se tem.
Em algumas eras passadas casamento tinha muito a ver com status. O cara podia ser o maior boêmio mas se estivesse casado já era visto como alguém mais responsável pela família, pelos pais, até mesmo pelo chefe. Ainda que muitos continuassem sendo boêmios e displicentes, o casamento dava um upgrade na imagem mesmo assim. Para as moças era como uma garantia de que estariam amparadas quando os pais se fossem, era como trocar de tutor. Nesses mesmos tempos, se você estivesse na casa dos 20 e não tivesse uma esposa grávida em casa, um marido e uma casa pra cuidar e sustentar era bem capaz de seus pais chorarem escondidos no quintal achando que falharam em algum momento com você.
Muitos ainda hoje tratam maridos e esposas como algum tipo de status, algo pra mostrar para os amigos ou como se os parceiros fossem algum tipo de adorno para causar inveja nos demais. Lógico que cada um tem suas motivações contudo, como tudo na vida, casar também precisa ter as motivações certos, caso contrario a chance de dar errado é grande. E isso vale também para o contrário, quando se colocam motivações absurdas e sem sentido para não casar e se acha muito superior por isso.
Creio que casamento é algo cujo significado é bem mais embaixo do que parece. Vai muito além de pegar Santos Antônios, vestidos feitos na estilista mais top da cidade, uma festa pomposa na recepção mais cara, isso é só a ponta do iceberg. Casamento tem a ver com o tempo. O tempo que ai levar pra você se acostumar com os arrotos e peidos do outro, o tempo que vai levar até vocês aprenderem a lidar com defeitos um do outro, dividirem tarefas e ainda saber que vão ter dias de cão e outros que vão precisar conservar o bom humor pra não acabar em um pedido de divórcio.
Por tudo isso acho que mais do que encontrar alguém compatível, é preciso saber se a pessoa com quem você está é alguém com o qual consegue se imaginar rindo daqui a algumas décadas, rindo dos dentes caindo, das mesmas piadas e de como a geração atual parece estranha. O casamento por si só tende a uma rotina, a vida adulta individual é assim, casar são dois adultos juntos debaixo de uma mesmo teto. Logo, será que a pessoa com quem está é alguém divertido o bastante que vai conservar os risos e brincadeiras por anos a fio? Sempre digo que os mais divertidos são os melhores. O casamento vai tender a se tornar um mar de "precisamos de uma nova geladeira", "pode pegar as crianças?", "tira o frango do congelador" e "pague a conta de luz" então se a pessoa com quem você estiver for o cúmulo da normalidade e clichê, fatalmente tudo pode se tornar metódico e enfadonho. Se for o contrário, mesmo com essa enxurrada, a parte do riso permanecerá. Talvez por isso, numa perspectiva exclusivamente pessoal, não consigo me enxergar com alguém da mesma área profissional que eu. Acho que a reciclagem do casal vem através das ideias que ele troca sobre o que convivem com o mundo de fora, se ambos convivem com as mesmas coisas, nos mesmos lugares parece bem enfadonho imaginar isso. Como dois dentistas que passam o dia inteiro analisando dentes e ao chegar em casa vão discutir casos e falar sobre a mais moderna prótese dentária lançada no mercado.
Provavelmente os casais mais felizes são aqueles que conseguiram enxergar além de um único momento ou além dos momentos felizes. A felicidade em si por vezes é difícil, especialmente quando fatalmente é necessário lidar com outros em um mundo que tem dias que prece estar contra, dificilmente se fica inerte a isso ao ponto de se deixar tudo do lado de fora da sua porta e paredes no momento em que se entra em casa. Então, talvez nesses momentos turbulentos e de abalo de pilastras
é que a união e o quanto amadureceram a ideia de parceria se põe a prova, é que se vê se tudo não passou de uma super festa, vinhos e sorrisos ou se foram firmadas estacas firmes, afinal "casamento" é uma palavra que possui uma origem relacionada com "casa" ou "lar", logo, o ato de se casar tem a ver com duas pessoas que precisam lidar uma com a outra e evoluir com isso.
Ao longo das eras o ato de se casar evoluiu bastante, seja no modo como é feito, nas roupas, estilo de festa, só que primordialmente não mudou o significado e objetivo: ser feliz e evoluir mais ainda como pessoa. Quando se casa você escolhe alguém pra dividir essas conquistas e ficar feliz pelo outro quando ele também conquista coisas por si mesmo. É algo muito pessoal e intrínseco, que o mundo exterior até pode ver, porém no fim é sobre duas pessoas, assim, com parceria, amor, compreensão se consegue construir um chamado bom casamento, ou melhor, um lar.



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