quarta-feira, 18 de julho de 2018

Os Incríveis II: Uma Opinião



"Essa aqui é a sessão dos Incríveis?"
"É sim. Não vê que só tem adulto?"


Finalmente assisti Os Incríveis II! Eu devo dizer que a espera de 14 anos valeu muito a pena! Normalmente há um certo temos com relação a continuações, especialmente se o primeiro filme foi fenomenal como é o caso dos Incríveis, os fãs prendem a respiração pensando se haverá perda de qualidade, se as coisas continuarão com sentido, se os personagens continuarão cativando, se a história será boa ou vai divergir muito da original, contudo devo dizer que esse filme fez a gente perder o fôlego, mas de emoção.

Tentando dar o menos de spoilers possíveis, não surpresa o filme começa com a família de super heróis enfrentando um vilão. Considerando que pegaram o gancho da cena final do primeiro filme, você logo já se sente mais a vontade e entra no clima. Lógico que como foi visto nos trailers, os
heróis ainda tem um sério problema com a legalidade, eles ainda não estão com a bola toda e ainda passam por perrengues ditos de "civis" como necessidade de pagar contas e falta de uma moradia própria. Todavia, só porque eles estão ilegais isso nem de longe significa que eles não tenham simpatizantes. E graças a um deles, rico empresário, que lhes fornece não só simpatia mas recursos, há ali uma brecha para que os heróis finalmente voltem a ativa.

Durante a produção do longa, saíram várias notícias de que este filme seria focado na Mulher Elástica. Não gosto dos neologismos e expressões que se tornaram até xinfrins de tão mencionadas como "emponderamento", "desconstrução" dentre outras, contudo gostei da nova conjuntura que foi mostrada neste novo filme. A Mulher Elástica nunca deixou de ser heroína, forte, valente, ela só agregou outras responsabilidades tão intensas quanto bater nos bandidos. E neste novo enredo, ao ser escolhida como heroína principal ao invés do Senhor Incrível para ser o rosto desse processo de "volta dos heróis à ativa" inicia-se uma nova conjuntura e novos aprendizados não só para ela mas para toda a família.

Ela já tinha momentos fascinantes no primeiro filme ao demonstrar seus poderes, neste segundo a vemos de uma forma bem mais ativa, versátil, mostrando tudo que consegue fazer que vai além do simples fato de se esticar. Ela é astuta, um equilíbrio entre a furtividade e liderança, força e ao mesmo tempo instinto de cuidado para com os cidadãos, talvez tenha sido isso que o empresário estava pensando quando quis que ela fosse o rosto nesse processo rumo a legalidade.

E quanto ao Sr. Incrível? Lógico que ser "preterido" em relação a esposa feriu o orgulho dele. Afinal, ele era o cara que levantava trens, carregava caminhões, quase indestrutível, foi meio complicado para seus brios ouvir que nesse caso sua esposa era melhor opção que ele. Mas ainda que houvesse a questão do orgulho ferido, ele percebeu logo que havia outras questões além do combate ao crime que naquele momento em que sua mulher estava ausente também precisavam ser resolvidas: uma casa e três crianças para cuidar. Incluindo um bebê que se revela um combo de poderes.

No momento em que a Mulher Elástica diz: "Tchau Amor" e sai em sua moto, ele ali se vê com uma missão que também exige que seja incrível. Lógico que houve dificuldades iniciais já que é notório que a família ainda adotava o velho sistema de que a mulher acabava com a maior parte das responsabilidades da casa e filhos, contudo ele enquanto pai ainda que aos trancos e barrancos foi aprendendo. De saber lidar com as crises adolescentes da filha Violeta até a aprender a fatídica matemática, que havia mudado por completo, de modo que pudesse ajudar seu filho Flecha para a prova. Ele era muito parceiro de sua esposa no combate ao crime, mas neste filme aprendeu bem mais sobre parceria no lar, inclusive percebendo que teria que dar conta da missão doméstica para que a heroína conseguisse dar conta da missão heróica sem preocupações.


As crianças neste filme mostram alguns outros pontos mais pessoais. Violeta precisa lidar com suas inseguranças adolescentes, Flecha fica um pouco mais de lado dando mais um alívio cômico com suas piadas, porém indiscutivelmente, desde os trailers o grande destaque foi o bebê Zezé. Ele mesmo que de uma forma caricata mostra o que os bebês são: seres pequenos, fofos, que sim dão trabalho mas que a cada momento mostram uma surpresa diferente que obriga a todos a sua volta a se adaptarem a elas. Em conjunto, as crianças se mostraram heróis muito bons, fica até mesmo uma brecha que estimula a imaginação dos fãs de pensarem em como esse trio funcionaria quando mais velho e totalmente seguro com relação aos seus poderes.


Um bom filme com heróis precisa ter um vilão, já ouvi que para toda a pompa que o filme sugeria, o vilão teria sido um tanto raso. Eu pessoalmente achei um vilão simples mas com boa motivação (que eu não vou contar, sem spoilers), uma visão que de fato faz sentido e até mesmo deixa você pensativo e com séria auto crítica depois de ouvir, eu pelo menos fiquei. Talvez o vilão deste filme tenha vindo com essa proposta, de mostrar algumas coisas que ficam meio escondidas sob nossa empolgação quando vemos os super heróis em ação.

Creio que o filme como um todo fez muito jus a tudo que esperávamos dele. Vou pegar um trecho de uma fala do youtuber Imaginago em seu vídeo resenha: "Os Íncríveis é um filme com super heróis,
não de super heróis. É um filme sobre família. E eu quero Os Íncríveis 3. E eu não vou esperar 14 anos de novo!". Isso traduz muito de minha opinião desde o primeiro filme, fica claro que mesmo sendo uma família composta por pessoas com poderes incríveis, ainda aborda em muito mais peso a família e as questões que a envolvem. Filhos, casa, trabalho, tarefas domésticas, problemas no casamento... E neste segundo filme abordou maciçamente a questão de como um casal precisa ser parceiro na divisão de tarefas de um lar, que há a questão do trabalho de diferentes nuances mas que eles precisam, ambos participarem. Digo sem reservas que Os Íncríveis II, um filme com super heróis, animação, com uma família tradicional mostrou e ensinou muito mais de igualdade entre os sexos do que muitos textos gigantes que são vistos e compartilhados em redes sociais. E recomendo altamente esse filme por isso, para que as crianças aprendam que super poderes podem ir além de voar, soltar raios com os olhos, super velocidade... E pra falar a verdade, que até os adultos percebam isso também.

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