terça-feira, 13 de novembro de 2018

Análise de filme: A Felicidade por um Fio


Quando vi o comercial das cenas de A Felicidade por um Fio achava que ia ser um desses filmes de Sessão da Tarde . Inclusive nem ia ver pois acreditava que não ia gostar, mas eis que surge a oportunidade e dei uma chance. Lógico que de cara você jura que é um filme sobre cabelo, transição capilar e aceitação de cabelo natural, porém o buraco é mais fundo e denso.

Começamos vendo Violet, personagem principal ainda criança e toda a disciplina impingida a ela
pela mãe, exigindo a perfeição em seus modos, sua aparência porém com ênfase especial no cabelo. Nota-se ali que é como se fosse a própria personificação da peruca do Sansão, devia estar sempre no lugar, sempre perfeito ou alguma catástrofe aconteceria. Com um leve spoiler, quando criança, Violet pula na piscina e aquele funk dos anos 2000 nos vem a cabeça, pois sabemos bem o que acontece quando um cabelo com escova e chapinha encontra a umidade. Daí nesse momento mais do que o cabelo de Sansão, Violet passa a encará-lo como uma parede de escudos que a protege de decepções e fracassos, logo com essa percepção ela cresce desprendendo muita energia para manter esses escudos levantados.

Adulta, ela se crê muito bem sucedida e com tudo que deseja na vida. A figura da mãe permanece presente lembrando-a que ela sempre precisa sempre trabalhar para parecer perfeita. Embora Violet seja de fato uma mulher exuberante é notório que ela tem noções distorcidas do que de fato é importante, de coisas que vão além da futilidade material e estética. E essas noções distorcidas acabam limitando-a tanto pessoalmente quanto profissionalmente, porém isso só vai sendo destruído conforme o mundo perfeito de Violet começa a ruir. O gatilho começa com o cabelo, porém toma proporções gigantescas e Violet acaba ouvindo coisas muito duras que a colocam diante de vários dilemas que culminam na raspagem de sua cabeleira (outro spoiler).

Sem o escudo que a fazia sentir uma gigante, agora ela precisa tirar forças de si mesma e acaba percebendo coisas além daquele mundo perfeito que se esforçava tanto para manter. Foi como se esse mundo se expandisse e ela mesma percebesse que podia ser mais do que fora condicionada para ser. Há inclusive uma frase mágica nesse filme: "Sair da Caixa", fazendo alusão a como é necessário expandir a visão e buscar novas coisas.

Embora pareça um filme sobre cabelo, existem muitas outras nuances a serem consideradas. Lógico que a principal é sobre não ser ensinado a ver uma beleza antes de escolher outra. Violet aprendeu a gostar de cabelos lisos antes de experimentar a liberdade dos próprios cabelos. É enfatizado que é uma escolha porém é preciso ver beleza em todos os tipos de cabelo. O filme também mostra que alguns condicionamentos nos limitam horrivelmente e acabam sufocando potenciais que estão ali e podem nos tornar melhor do que somos. Violet percebe quando amplia sua visão sobre cabelo e beleza, não só com relação a perfeição com a qual era obcecada mas com relação ao potencial que ficava obscuro por baixo de sua superficialidade.

A Felicidade por Um Fio é um filme altamente recomendável, acho que ele incita uma melhora pessoal por fazer pensar que se pode melhorar de fato, que você pode romper amarras limitantes e que o seu interior pode ser uma fonte ilimitada de possibilidades. E que você só precisa se dispor a enxergar isso.



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