Mesmo que isso seja até meio
vergonhoso, nunca vi Peter Pan, porém indiscutivelmente digo que a simpática
fada Sininho é bem melhor e com mais personalidade quando está longe dele.
Conhecemos a história, Peter é um menino que não queria crescer por ter ouvido
seus pais falando sobre isso quando ele era criança, daí encontrou Sininho e
foi para a Terra do Nunca. Não se diz como nem porquê porém fica claro que
antes de Sininho ele era só “Peter”, apenas depois dela que virou “Pan”, o que
demonstra muito claramente que foi ela quem modificou tudo e fez dele quem é,
ela que transformou a Peter em algo enorme. Logo, embora ele seja o principal,
na verdade, ela que é a personagem incrível e transformadora.
Peter dependia dela, era ela com
seu pozinho mágico quem possibilitou ele de voar e enfrentar os piratas e quem
quer que fosse. Por isso que eu não levava ela muito a sério. Pra mim, ela era
apenas uma fadinha muito ciumenta, que queria manter Peter a todo custo perto
dela, meio rabugenta e manhosa. O que mudou bastante quando vi os próprios
filmes da franquia da Sininho, no caso Tinkerbell, já que mantiveram seu nome
original.
As histórias se passam no refúgio
das fadas, onde várias delas de múltiplos talentos vivem. Dá a entender que ali
vemos Sininho de fato, antes dela ser “a fadinha do Peter Pan” e chega a ser
frustrante pensar que ela se resumiu a isso. Uma fada nasce quando uma criança
dá seu primeiro riso. Ela segue até o refúgio e recebe seu primeiro banho de pó
mágico e abre as asas. Dali, é posta diante de vários talentos para que o seu
desperte. Detalhe que não é ela quem escolhe o talento, mas o contrário. E
mesmo passando pela água, luz, vento, o talento de Sininho se resumia a um
martelo que brilhou muito revelando um raro talento de artesã. Ela ao conhecer
seus colegas de talento, ver o local no qual as artesãs moravam e o que faziam
e comparar com as outras fadas fica um pouco confusa sobre sua real importância.
Creio que a Sininho nos dá uma
lição muito legal no quesito de olharmos para os nossos talentos. Ela queria ir
ao continente, de onde vinham os objetos perdidos que a encantavam e movida por
essa fascinação, achou que poderia ir para lá na primavera. O problema é que fadas
artesãs não iam ao continente e Sininho se encheu de decepção. Sua supervisora,
fada Marie, a alertou que ela devia ter orgulho, que ela não era fada jardineira
ou da luz, mas artesã e que seu trabalho era lá, no Refúgio das Fadas.
Lógico que a fadinha não se
conformou nem um pouco e pensou em uma forma de contornar o fato de que seu
talento não a permitia ir ao continente. Para ela era possível trocar de
talento se suas colegas lhe ensinassem como faziam as coisas. De início era
divertido ver como ela se esforçava para conseguir pegar e manipular água e luz,
tentar se entrosar com animais, todavia o desfecho era sempre um desastre. Até que
após mais uma dessas tentativas frustradas, na praia sozinha ela encontra uma
bailarina e uma caixinha de música quebrada com os pedaços espalhados. Ela ficou
curiosa ao ver objetos tão diferentes de formas tão incomuns e tal qual um
quebra-cabeças ela foi encaixando as peças até que a caixinha ficou pronta. As amigas
vendo como ela conseguia dar um jeitinho especial nas coisas e criar também
tentaram chama-la a razão dizendo que esse era o verdadeiro talento dela e se
não era isso que ela de fato gostava de fazer.
Obviamente, ela teimou mas a
última tentativa quase desesperada de mudar de talento culminou na destruição
da praça da primavera e de todos os preparativos para a chegada da nova
estação, ou seja um trabalho que levou meses para ser feito e num instante
acabou. Consumida pela culpa quis fugir porém seu amigo Terence, a singela fada
guardadora do pozinho mágico a fez ver que mesmo sendo uma função simples o
orgulhava muito. E ela meio como que caiu em si que não importa o quão simples
seja sua função, se for importante e alcance pessoas que lhe são agradecidas,
significa que seu talento importa.
Daí ela desabrochou. Fez planos para
criar novos instrumentos que consertariam as coisas rapidamente e assim poderiam
levar a primavera ao mundo enfim. Ela pôde finalmente dizer que orgulho que era
artesã e que daria um jeito, assim trabalhou duro com a ajuda de todos e
mostrou seu valor. No fim, mesmo já estando conformada que não iria ao
continente, recebeu a tão sonhada permissão, mas não sem uma tarefa: devolver a
bailarina que consertara a verdadeira dona. Cabe lembrar, contudo que ela só
conseguiu isso porque provara seu valor através do que era. Mostrou-se forte e capaz e como podia criar coisas incríveis sendo quem era.
Sininho reflete o que muitos de
nós fazemos. Muitos passam a vida investindo em múltiplas coisas, tarefas, profissões,
porém não param pra ver de fato o que vai dentro de seu cerne. Lógico que não
haverá um objeto que brilhe pra você no momento que você nasce determinando o
que será ou o que vai fazer, contudo ao longo de sua vida, vão aparecer
múltiplas habilidades e coisas que gosta de fazer, porém o talento nato é algo
que nasce com você e que com o menor incentivo ele vai desabrochar avassalador
como as flores numa primavera. Lógico que isso não impede você de fazer outras
coisas e aprender, o que é incrível, contudo por mais coisas que você aprenda,
que se aprimore, o talento é o que vai ter um destaque natural em sua vida, o
que vai simplesmente aparecer sem muito esforço e ao ser aprimorado é
praticamente a perfeição. Não tentemos mudar de talento ou ficar insatisfeitos
com aquilo que temos, vamos verificar o que se pode fazer com isso e desenvolver
pra ser cada vez melhor.



Nenhum comentário:
Postar um comentário