quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Não somos barcos



Certa vez li que o oceano nunca vai afundar um barco. Na verdade o barco ou navio só afundam porque a água entra neles por algum buraco, o peso se iguala e eles vão pro fundo. Nesse mesmo contexto disseram que nós somos como um barco e que a negatividade não entra em nós a menos que permitamos, a menos que haja algum buraco ou brecha que permita tal coisa. Mas é triste e desolador quando percebemos que não somos de madeira e muito menos de ferro.

Há dias que por alguma razão, motivo, circunstância mesmo, sem o que já tenhamos aprendido a nos blindar, aparece uma brecha. E coisas que não queremos e não gostamos nos invadem sem que a gente tenha muito tempo pra dizer não. E não precisa muito para que rapidamente sejamos puxados para o fundo, completamente invadidos e vulneráveis. Cada um tem suas cicatrizes e ninguém gosta que fiquem cutucando elas, mas quando elas são remexidas a mínima coisa é insuflada em uma chama que não conseguimos apagar. 

E o mundo pode ser seu bote salva vidas ou a correnteza que puxa você para o fundo do oceano. Muitos se sentem fora do lugar onde estão e demoram a assumir que por mais esforço que se faça, sempre vai ser como a pessoa de fora. Por vezes não importa quanto amor você sinta por sua família e amigos, se for o diferente e excêntrico, vez ou outra vai se sentir como se não tivesse absolutamente nada a ver com o lugar onde está e vai ver outras pessoas sendo semelhantes se entrosarem mais e se sentirá só. Por vezes não importa quantas vezes as pessoas saibam que é você quem estará em determinado lugar, ali, contribuindo e convivendo, sempre vão perguntar por outro, e você terá a sensação de que não é querido nem desejável nem aceito. 

Tem dias em que você precisa se segurar com um pouco mais de força no chão, se questionando seriamente sobre o que está fazendo e para onde vai. Como se estivesse trabalhando o dobro para conseguir a metade ou nem isso, tal qual aquele hamsters em suas rodinhas que correm mas não saem do lugar. Todos de alguma forma parecem estar na sua frente e você a anos luz longe, seja em experiências ou percepções ou notoriedade, sem que isso não tenha a ver com inveja mas com a frieza, negatividade e desesperança que entram em seu coração sem que você tenha percebido.

E tudo isso indiscutivelmente faz com que você se sinta só. Tudo parece menor, parece frustrante, parece não ter sentido, é como cair em uma piscina de água gelada no inverno. Nada parece importar e por mais forte que seja o seu casco, você afunda nem que seja momentaneamente. Lógico que como é de nós, após esses momentos, acabamos submergindo, mesmo doloridos, pensativos, cansados... Como a Elsa de frente pro oceano bravo testando tudo que pode fazer. Ela olha destemida, cai uma, duas, três vezes mas sabe que só pode fazer isso sozinha, só pode enfrentar a tormenta sozinha para poder ser mais forte do que é. 
Nós não somos barcos. Por mais fortes que sejamos nem sempre conseguimos evitar que coisas ruins se apoderem de nós. Como Elsa continuamos tentando, mesmo que seja uma batalha individual, mas a boa notícia é que um dia se consegue...

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