Amor é uma questão interessante em filmes. Saúde também é algo delicado. E desde um tempo foi descoberto que juntar esses dois pontos era uma fórmula muito bem sucedida. E que também gera um cinema muito molhado dependendo do enredo.
Depois e A Culpa é das Estrelas, no qual Hazel e Gus enfrentavam o câncer e todas as inseguranças de um relacionamento com a foice da morte pairando sobre eles, esse tipo de realidade passou a encantar quando retratada nas telas. As pessoas começaram talvez a ter uma percepção de que só porque uma doença toma conta do corpo de uma pessoa, não significa que essas pessoas deixem de sentir e viver outras coisas não relacionadas com a doença, ainda que estejam sempre em ambientes que remetam a cuidados constantes.
Após esses dois e a temática delicada do câncer, surgem Stella (Haley Lu Richardson) e Will (Cole Sprouse) com uma nova (e específica) doença com muitas particularidades e um ponto peculiar: entre os doentes não pode haver o contato físico visando segurança de ambos. A fibrose cística, também chamada de doença do beijo de sal, é uma doença genética, recessiva que gera deficiência na codificação de uma proteína que tem influência direta nas excreções. Embora no filme a abordagem tenha sido voltada especificamente para a questão pulmonar, que é a principal causa de morbidade e mortalidade nos pacientes, a doença se manifesta de forma sistêmica podendo influenciar também no pâncreas e fígado. No filme, Stella é a típica paciente superdisciplinada, toma os remédios na hora certa, arruma seu carrinho com esmero, faz lista de afazeres, como está na fila para um transplante, sente que precisa fazer tudo isso a risca, porém apesar de sua enfermeira Barb (Kimberly Hebert Gregory) ser sempre simpática, ela estar perto de seu melhor amigo (também fibrocístico) Poe (Moises Arias) e aparentemente o hospital em que estão parecer quase como um hotel, ela não deixa de sentir certo ressentimento ao ver como suas amigas saudáveis vivem e viajam enquanto ela precisa ficar para seu tratamento. De fato, essa população devido às complicações oriundas da doença vão necessitar de internações, porém o controle é possível de modo a minimizar tais complicações.
Eis que no cotidiano de Stella surge Will, que é seu total oposto. Ele ao contrário dela, foi tirado da fila de transplante por contrair uma bactéria superresistente, porém tem uma certa revolta e acaba não segundo as regras, nem tomando os remédios mas ao conhecer Stella e esta se dispor a ajudá-lo, ainda que de uma forma incisiva, ele começa a seguir a rotina que lhe é imposta visando melhorar. A amizade dos dois vai crescendo e se tornando algo mais, contudo, a distância obrigatória sempre permanece de forma que o toque deles é algo que somente permanece na imaginação e no sentimento.
É interessante como ambos vão se conhecendo, convivendo e achando pequenas brechas de momentos felizes nos quais esquecem o ambiente no qual estão, esquecem dos catéteres que os acompanham 24h, das dores das cirurgias, furadas contínuas, creio que a maior lição que eles dão é que sentimentos estão acima de qualquer coisa. Acima do lugar onde você está, da sua condição, é algo inerente do ser humano. Stella e Will nos mostram que independente da idade, de saúde, todos precisam sentir amor e carinho vindo de alguém, tanto quanto os pulmões precisam de ar, precisamos de amor pra sentir que esse ar que entra vale a pena.
Mais do que uma história de amor, companheirismo e reflexão de que determinadas coisas banais são muito importantes, A Cinco Passos de Você é uma história de construção. O amor desses dois jovens foge de todos os clichês que se pode imaginar. É um amor de certa forma proscrito ainda que ambos estejam juntos o tempo todo, não há os arroubos comuns que se vê em jovens namorados, não há as exaltações, o furor, mas parece que tudo é construído de uma forma que alguns momentos no filme por mais leves que sejam gera excitação no público e um sentimento de emoção profunda tanto quanto os mais famosos beijos apaixonados que já se conhece tão bem. É um filme altamente recomendado para os que estiverem abertos a ver o amor na sua forma mais ampla, mais intensa e de um modo que mesmo parecendo insuficiente para muitos, ainda é amor.


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