A imagem do Maurício de Souza emocionado após ver o filme de Mônica Laços rodou a internet e logo entendemos o porquê de sua expressão. Desde quando o teaser foi lançado, começaram as expectativas ao ver aquelas quatro figurinhas na tela, tão conhecidas de gerações mas que ao mesmo tempo nos acostumamos a ver apenas em desenhos.
Na era dos Live-actions, muitos talvez nem imaginassem que essa moda chegasse por aqui, porém com isso ignoraram décadas dos nossos gibis mais famosos assim como o mestre que os criou: Maurício de Souza. E como um evento dessa natureza, não podia deixar de prestigiá-lo indo hoje mesmo ver de perto esses personagens tão conhecidos.
Lógico que os trailers já haviam dado uma boa noção do que viria por aí, posso afirmar com certeza que a fidelidade é algo sem igual, quando vamos ao filme percebemos algo ainda maior do que o trailer havia dado. O que chama muita atenção foi algo que já havia sido mencionado nas entrevistas com o elenco: a semelhança física não necessariamente era algo levado a ferro e fogo e de frente para as telas, percebemos como isso faz sentido. Sem dar muitos spoilers, há vários outros personagens dos quadrinhos que aparecem no filme, alguns somente por segundos, porém mesmo que não sejam com porte idêntico aos quadrinhos, seja em altura ou algum formato de cabelo, ao vê-los você sabe quem são, sabe o que fazem, dá pulos na cadeira de excitação e se emociona uma vez que faz a ligação na hora com o que leu na infância. Maurício foi incrível por numa geração na qual a representatividade é tão cobrada, ele consegue abranger com sutileza, os quatro protagonistas conseguem de forma magistral englobar as principais características que se tem quando criança, pode ser a que não gosta de tomar banho nem fazer os deveres de casa, a que é comilona, a que é pavio curto e fica emburrada, a arteira que vive se metendo em confusão, todos em algum momento foram uma dessas crianças, ver isso na tela se torna uma grande experiência.
Talvez esse seja um dos pontos pelo qual Mônica Laços se torna um filme (nacional) extremamente digno: ele consegue unir gerações. Vários clássicos tem sido lançados em sua versão live, porém este em específico comove por ser algo nosso, feito aqui, de um brasileiro para milhões de outros. Sempre digo que ninguém nasce lendo Victor Hugo, com seus livros recheados de descrições e expressões em latim, começamos de baixo. E como muitos de nossos pais começaram, nós começamos por gibis, quadrinhos de histórias curtas, sendo o mais conhecido da Turma da Mônica, o qual muitos faziam questão de colecionar e trocar os repetidos nas rodas com os amigos de bairro ou escola, tal como as crianças do Limoeiro.
E por falar em Limoeiro, um ponto perfeito do filme também foi sua fotografia e cenário. O bairro do Limoeiro sempre pareceu um mundo a parte do resto da cidade. Era simplesmente um lugar onde tinha tudo, desde a pracinha, lanchonetes até todas as barraquinhas de comida que as crianças gostavam de comprar com sempre os mesmos vendedores, souberam passar a exata energia do bairro onde tal como nos gibis todos se conheciam, com casinhas singelas e muito próximas umas das outras, se visitavam e as crianças corriam, brincavam, andavam livres com a certeza de que nada de mal iria acontecer.
Lógico que é preciso uma história mais profunda para quebrar um pouco dessa paz do Limoeiro. Floquinho, o cão de Cebolinha, é raptado e o garoto, tão arteiro e agitado de repente cai numa grande tristeza pelo seu cãozinho que se foi. Ali vemos também que por mais que a turminha tenha suas diferenças, no fim se juntam para ajudar o amiguinho. É mostrado os valores de amizade, união, emoções que estávamos tão acostumados a ver e em vários pontos do filme é como se já estivéssemos acostumados a vê-los, é como se já fosse algo tão íntimo de todos nós que em muitos pode ter sido gerada a reminiscência de quando éramos crianças lendo gibis. Na aventura, de Mônica e seus amigos, várias referências são dadas e que remetem a vários outros gibis além do Limoeiro, tudo feito com maestria, sutileza e com total reconhecimento por parte fãs.
O filme acertou em cheio no curso, no desenrolar da história, você não se cansa, tudo faz sentido e colocado no lugar corretamente, os figurinos nem se fala, como já foi dito, você pode nem saber quem vai aparecer, mas ao ver, imediatamente reconhece, é feita a ligação, é um filme no qual os pais vão se emocionar ao levarem os filhos e os filhos, sentirão mais vontade de ler as historinhas. Maurício de Souza é um mestre, continua sendo e como todo mestre deve estar feliz e empolgado de ver sua obra nas telas. E só dando uma dica, tal como o mestre das revistas de super heróis Stan Lee, de mestre para mestre Maurício fez sua referência a ele.


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