terça-feira, 3 de setembro de 2019

7 Cenas Desoladoras de Suicídio



Bem vindos ao Setembro Amarelo! O mês no qual é divulgada campanha visando prevenção do suicídio e depressão, mas em muitos pontos também pode ser chamado de mês no qual se cultiva a hipocrisia de pessoas que para parecerem muito engajadas socialmente compartilham coisas porém sem terem muita noção do que isso significa.

Eu acredito sempre em boas intenções. Especialmente quando elas vem de fato acompanhadas de uma ação que as sustente. Por isso, muito embora muitos coloquem sua disponibilidade para conversas e apoio no Setembro Amarelo, no fundo, ainda que a intenção seja boa, tem pessoas que não conseguem manejar o que propõe, seja por falta de tempo ou por falta de tato com palavras, o que é primordial quando se trata de uma pessoa deprimida que quer se agarrar a qualquer coisa que a salve e lhe dê o mínimo de conforto. Palavra de quem em dias realmente ruins rolou a barra do celular ou do bate papo nas redes sociais e não encontrou absolutamente nenhum contato, ninguém com quem pudesse conversar ou os que tinham já tinham sido tão hostis que não valia a pena repetir a dose. E esses dias acabavam comigo numa queda de braço dura com a solidão e com múltiplos sentimentos massacrantes. Creio que com outros que sofrem dias assim não é muito diferente.

Creio que nosso Setembro Amarelo 2019 começou bem (mal). Quando todos já estavam na expectativa de setembro chegar, o desenvolvedor de games Alec Holowka morreu após uma falsa acusação de abuso por parte de uma colega Zoe Quinn, segundo relatos, ele já sofria de doenças mentais tratadas por longo tempo e falam da causa da morte como um possível suicídio. Outra notícia que ocorreu foi um pouco mais específica, aqui mesmo na minha cidade, Belém-PA, uma moça foi vista no alto de um prédio de 12 andares. Já havia sido internada em hospital particular devido problemas psiquiátricos como depressão, mas mesmo após a intensa negociação ela pulou e morreu devido aos ferimentos. Ano passado e este ano também já ocorreram vários casos de pessoas que pularam das escadas de um shopping famoso do centro, isso fora os inúmeros anônimos que não são notificados.
Depressão não é uma manha. Também não é a única causa que pode levar a um suicídio. Lógico que há muitos casos nos quais sim, a força de vontade da pessoa é um fator importante e ela consegue sair disso sozinha, buscar ajuda e apoio sozinha, ter percepções que puxem ela de dentro desse buraco que se encontra, é um bom exemplo, todavia devemos também focar em quem não consegue por si mesmo. Religião, família, amigos, são coisas que da forma correta podem ajudar bastante, só que o deprimido tem lutas diárias e acorda não dizendo "Bom dia" porém "Mais um dia". Ao contrário do que pensam, pessoas com depressão não necessariamente são fracas, pelo contrário, é preciso muita força pra lutar todo dia contra um inimigo que está a todo momento com você. Há casos de pessoas que se cansam tanto de serem fortes que enlouquecem e desistem de resistir, vindo o suicídio. 

Outro mito é que muitas pessoas crêem que quem tem depressão ou quaisquer afecção de cunho psicológico apresenta sempre aquele padrão certinho e delimitado, só que não. Pessoas deprimidas gostam de suas famílias, riem com elas, se sentem felizes nos churrascos, nas piadas contadas pelo colega gozador do trabalho, nos shows de sua banda favorita, elas se sentem felizes naquele momento porém ele é como uma estrela cadente. Um rápido lampejo de luz que ilumina e faz tudo ser bonito e brilhante, porém rapidamente se vai deixando para trás novamente a escuridão do céu e o desesperado desejo de se pegar tal luz novamente. Quem se lembra do famoso Chester Bennington, vocalista do Linkin Park? 36 horas antes de seu suicídio ele estava rindo e comendo jujubas. Curiosamente, após o suicídio dele ao ler melhor as letras das músicas, das minhas favoritas inclusive, percebo nas palavras uma situação de alguém que está desesperadamente lutando contra algo, tanto interno quanto externo.

É uma luta diária com altos, baixos, subterrâneos e um mundo que nem sempre ajuda ou é acolhedor. Afinal, o mundo estava aqui antes de virmos e estará aqui quando nos formos, logo ele espera por vezes uma perfeição de seres que vão viver para sempre. Nisso, muitas pessoas não se adaptam a esse mundo, não por elas mas pelo modo como são tratadas em muitos casos por serem elas mesmas, ainda que isso não cause absolutamente nenhum mal a ninguém, incluindo elas mesmas. Daí nos perguntamos: por que? Que mundo é esse que vibra com notícias de pessoas que sonham e conseguem o que querem mesmo sendo impossível, quando há holofotes mas fora deles cultiva desesperança? Uma desesperança que assola de crianças (sim, suicídio infantil é real) a idosos (devido solidão e abandono)? Que mundo é esse que exige que você mate a si mesmo por dentro pra se adaptar para poder viver nele? Vi pessoas que colocam depressão em pauta, falam sobre, até estudam teorias neurológicas do assunto e foram as primeiras a contribuírem para depressão de quem estava perto. Outras que não escondiam vergonha de pessoas próximas apenas por tal pessoa não ser como se queria ou se esperava, e reitero: sem fazer mal contra ninguém, apenas querendo ser feliz e aprender a ser feliz num mundo cheio de desafios para tal.

A depressão sempre existiu, hoje está sendo colocada em pauta, porém sempre esteva aí. E é um assunto sério, pois muitos que sofrem desse mal acabam desenvolvendo a tendência suicida, inclusive é comprovado a depressão foi a única doença que ao invés de ser sanada, aumentou com o passar dos séculos, considerando que nos gabamos da erradicação da poliomielite, cura de tuberculose e qualidade de vida para pacientes soro positivo, admitir que uma doença que envolve o psicológico e causa tanta incapacidade quanto qualquer outra se não tratada, é quase uma vergonha para a comunidade médica. E um suicida, como já foi falado, ele até ama a vida e o que tem nela, mas sua dor é tão grande que atinge um nível que ele já não consegue mais ouvir essa vida o chamando de volta e quer matar essa dor de qualquer forma, é mesmo sabendo o quão grande o mundo é, sentir que não tem lugar nenhum. Então aqui vão algumas cenas de pessoas que sentiram dores tão grandes que não conseguiram mais achar outro caminho.


1. General - Kardec
O professor Rivail (nome anterior de Kardec) até tentou demove-lo de sua intenção, mas foi inútil. General como era chamado, era um dos mendigos da grande Paris. Rivail havia lhe dado um exemplar do Livro dos Espíritos, para tentar elucidá-lo,como fez com tantos outros, já que o via sempre, mesmo que General nunca houvesse lhe dirigido a palavra. Religiões a parte, este livro fala de Deus de uma forma elucidante, mais plausível, inteligente, que O coloca de uma forma sábia e acolhedora, ainda que sendo um ser superior. Em sua negociação, ele menciona que por mais que as coisas não tenham sido como General esperava, a vida é um campo de aprendizado infinito, porém ainda assim seu amigo pula da ponte e cai no Rio Sena.


2. Hannah Baker - 13 Reasons Why
Hanna criou polêmica quando deixou suas 13 fitas explicando os motivos pelos quais havia se suicidado. Inclusive, a série foi criticada sob argumento de que causaria aumento no número do suicídio entre jovens, fora que segundo alguns, a cena do suicídio de Hanna era um "tutorial de como se matar", sendo censurada em algumas plataformas. Ela era uma estudante que tinha problemas com os colegas, como muitos hoje o tem, todavia isso foi se somando de tal modo que virou uma bola de neve. Problemas na escola, bullying, descaso em casa e inabilidade do próprio diretor da escola de lidar com o problema de Hanna fizeram com que ela decidisse pelo suicídio. Segundo o depoimento de seu amigo ao diretor durante a cena: "Ela vestiu roupas velhas, encheu a banheira, pegou uma lâmina, entrou na banheira vestida, cortou os pulsos e sangrou até morrer. Ela morreu sozinha."


3. Bobby - Orações para Bobby
Este é um filme inspirado em uma história real, que infelizmente se repete em muitos lugares do mundo. O rapaz em questão é Bobby, um menino gay que cresceu sob regras muito claras contra a homossexualidade. Seus pais, um pastor e uma mãe religiosa fervorosa, até tentam demovê-lo do que é, alegando que é uma doença e que Deus poderia curá-lo, o pai diz que o sonho dele de ser escritor não é realista e Bobby se torna cada vez mais deprimido. Mesmo quando ele se assume, a mãe diz que não terá um filho gay ao passo que ele diz: "Então você não tem um filho", ele pede desculpas por não ser o filho perfeito que ela queria que ele fosse. A auto rejeição e depressão chegam a um nível no qual ele decide se jogar de um viaduto, morrendo instantaneamente. Mesmo sendo uma temática com relação a rejeição a homossexualidade, podemos também pensar em quantas pessoas não são rejeitadas por algo que simplesmente são ou gostam, mesmo que seja inofensivo mas que de algum modo são levadas a crer que é errado e ruim?



4. Brooks Hatlen - Um sonho de liberdade
"Duvido que alguém vai se importar com um criminoso velho como eu". Essa frase somente é dita quando a pessoa chega a um nível no qual sequer consegue sentir, é o supra sumo da desesperança, de se sentir abandonado e sozinho num mundo enorme. Brooks era um ex-presidiário bem velhinho com artrite nas duas mãos que após décadas de penitenciária, ganha liberdade condicional. Todavia, tal como um pássaro que viveu tanto tempo na gaiola, é como se não soubesse mais voar. Ele pode ter ganho a liberdade, porém se sentia preso num mundo exterior do qual não queria fazer mais parte. O caso de alguém que não se adapta ao mundo novo, ele não conseguia dormir a noite, tinha pesadelos e não se lembrava bem aonde estava, sentia que o gerente de seu emprego não gostava dele, ele não gostava dali e tendo se cansado de ter medo o tempo todo, resolveu partir. Sobe em uma mesa, escreve com um canivete no parapeito da parede "Brooks esteve aqui" e se enforca.


5. Carolina - Verdades Secretas
A situação neste caso é bem complicada. O marido de Carolina, Alex, já estava apaixonado pela filha dela Angel, ele inclusive se casou apenas para ficar perto da enteada e os dois se encontravam ás escondidas. Carolina j[á desconfiava dessa tórrida relação, porém quando os flagra na cama tem a devastadora certeza. Ali se sentiu traída pelas duas pessoas que mais amava e a sensação de flagelo, de desolação são muito profundas, tanto que ela não mais poderia imaginar uma vida após aquilo, não via mais luz ou possibilidades além do fim, e com isso escreve uma carta e se mata com um tiro.


6. Romeu e Julieta 
O cupidita Shakespeare sempre escreve histórias nas quais o amor e morte estão muito ligados, aquela concepção de que sem algo ou alguém você morreria. E no caso de Romeu e Julieta, muito embora seja uma história com intenção de romance, seu desfecho é trágico. Ao se conhecerem, por serem de famílias inimigas, sabiam que eram um amor proibido, mas era algo tão intenso que eles não mais conseguiam ficar longe um do outro. Tanto que a mínima ideia de um não estar perto era o bastante pra que eles  simplesmente não quisessem viver, era como se a vida não tivesse mais cor. Então, quando Romeu achou que Julieta havia morrido, sem saber do plano de fuga tramado pelo padre, tratou logo de arrumar um jeito de ir até ela comprando um veneno. Ela por sua vez, acreditando que ele sabia do plano para uma fuga de ambos, viu seu amado morrer e também não quis ficar sem ele e se matou com uma adaga, na versão de 1996, foi com um tiro.


7. Isabel - Constantine
Lógico que esse filme envolve um pouco de religião, coisas sobrenaturais e etc, Isabel e sua irmã
gêmea Ângela eram como Constantine, elas viam coisas que não queriam ver, Isabel, contudo ao contrário de sua irmã assumiu isso e não negou o fato. A consequência foi que era tida como louca e internada várias vezes em um hospital psiquiátrico, com as vozes e os seres malignos cada vez mais tentando se valer dela para entrar no mundo dos humanos, ela decide acabar com aquilo se jogando do alto do hospital aonde estava internada.


Menção Honrosa: Veronika - Veronika Decide Morrer
Ela era uma moça bem sucedida, com bom emprego, bonita, bons amigos, se dava bem com os pais porém com uma vida que segundo ela não tinha propósito e já havia se cansado dela. Daí com queixas de problemas para dormir, conseguiu um coquetel de comprimidos com colegas e decidiu numa noite tomar todos de uma vez. Sentiu dores intensas e perdeu os sentidos, contudo não contava que alguém apareceria no último minuto. Foi parar em Vilette, um asilo para "loucos" onde foi dito a ela que a tentativa de suicídio havia deixado danos irreversíveis em seu coração e que tinha pouco tempo, coisa de semanas ou dias. Ela se revoltou, contudo no tempo que restava conheceu pessoas que lhe ensinaram coisas e ficou sabendo um pouco mais de seus companheiros. Este é um filme inspirado no livro de Paulo Coelho do mesmo nome, o qual recomendo altamente que tanto leiam quanto vejam o filme, é muito interessante que a história também trata não somente do suicídio mas de outras doenças de cunho psiquiátrico/psicológico como esquizofrenia, síndrome do pânico, depressão e em como as pessoas mais comuns e importantes podem sofrer delas, além do fato de ter lições valiosas sobre a própria valorização da vida. E só uma curiosidade: Paulo Coelho sentiu na própria pele esse estigma de ter uma condição psicológica sendo internado em instituições muitas vezes durante sua juventude.

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