segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Você é copo de vidro ou de plástico?


Com o ano findando, acho que uma das reflexões mais bonitas que me ensinaram foi justamente sobre copos. Uma vez li que as pessoas tem um cuidado excessivo com copos de vidro. Todos sempre observam se não estão na beira das mesas, para que não se esbarre neles e eles quebrem. Embora o mundo não acabe por causa de um copo quebrado, ainda é excessiva essa atenção que se tem com eles. O mesmo ocorre com pessoas.

Quando se é um copo de vidro, você se torna frágil e vulnerável. Não admite imperfeições, seja na vida, seja nos relacionamentos. A menor trinca é um sofrimento e ameaça ao seu mundo perfeito, a sua estética perfeita de vida. Copos de vidro são muito bonitos, alguns sequer são usados, são pra serem mantidos numa prateleira, apenas com o intuito de admiração, longe de mãos desastradas que possam quebrá-los e longe da vida real e seus possíveis esbarrões.

Copos de plástico são grosseiros. A estética deles não é muito variada, mudam de cor mas o material sempre tira o ar de elegância de qualquer mesa chique. Se eles caem, espalham seu conteúdo, mas não quebram. Fazem barulho quando amassados, se deformam e voltam a sua forma original. É preciso muita força e intenção pra que eles se rompam. Eles foram feitos exatamente pra facilitar a vida nas festas, pra serem usados e gastos, vários de uma só vez.
Quando me falaram sobre copos, eu guardei com atenção porque as pessoas são assim também. Quem é copo de vidro não se deforma com facilidade e se a vida dá uma forçada, logo se quebram e permanecem aos pedaços. Quantos se conhece que simplesmente não conseguem se adaptar aos desafios da vida? Que simplesmente não conseguem ser submetidos a algo maior sem se trincar ou quebrar completamente? Isso ocorre porque não há um ressignificado, permanecem rígidos às adversidades, não conseguindo passar por elas e voltando ilesos.

O copo de plástico é diferente. Nós os amassamos e logo ele volta ao que era. A vida submete essas pessoas às adversidades, mas por elas atribuirem significado diferente a elas, logo conseguem voltar ao seu formato sem maiores danos. Pode voltar com algumas marcas do amasso, mas não quebrado ou rasgado, permanece útil e inteiro.
Diante das dificuldades, podemos ser um copo de plástico ou de vidro. Podemos tentar aprender com as adversidades de modo que quando elas nos deformarem possamos voltar cada vez mais rápido ao nosso estado original com aprendizado ou podemos permanecer rígidos e tilintando com cada vento mais forte que vier pela janela. E embora pareça tentador viver protegido, conservado dentro de uma vitrine longe de qualquer esbarrão, talvez ainda não compense o medo constante de uma queda que possa nos espatifar.

E então, qual dos dois vai ser?

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