Eu confesso que nunca me liguei muito em dia internacional da mulher. Nunca me liguei muito em movimentos, todavia uma coisa eu me ligo muito: a forma como as pessoas tratam as outras. E não preciso tomar nenhuma água milagrosa pra perceber quando um homem trata mal uma mulher motivado por ciúme, por sentimento de superioridade, ou o que for. Sei que atualmente a palavra "Feminismo" causa espasmos em muitos. Eu compreendo, perfeitamente compreendo. Afinal, hoje (ênfase no hoje) com a disseminação de ideias errôneas, a questão de um coletivismo que pode se tornar torpe, fora os caminhos como ele é exposto para a sociedade e para outras mulheres, é capaz de gerar muito mais aversão do que elucidação.
Contudo, por mais que muitos não acreditem, o feminismo teve fases. E em sua fase original, possuía a firme ideia de que as mulheres eram iguais aos homens. Uma declaração datada da Revolução Francesa, referia dizeres de que "a mulher possuía direitos naturais iguais aos homens" e por isso podiam participar da Revolução e dos processos, ou seja, elas não deviam ser subjulgadas, menosprezadas ou desvalorizadas. O Feminismo tem por raiz a ideia de que ambos são iguais em direitos e deveres, sem privilégios ou benefícios. Foi o caso de pessoas como Elizabeth Blackwell, a primeira mulher a se formar e exercer a medicina nos EUA, a primeira a conseguir um doutorado, uma área na qual somente médicos se formavam, precisou lidar com a desconfiança de ambos os públicos porém não se subjulgou nem se menosprezou em suas habilidades. Daí muitos por mais que acreditem nessa ideia e admirem, dizem que não gostam do feminismo, é como dizer que gostam de torta alemã mas não gostam de chocolate. Com essa ideia na cabeça, comecei a me remeter a um som peculiar.
Tilintar. Vocês sabem o que significa? Tilintar por definição é produzir som metálico. É o som que sinos fazem quando batemos neles, quando moedas chacoalham ou quando as chaves mexem. É um som diferente porém curioso. Desde sempre gostei desse som de tilintar, acho que é porque esse é o mesmo som que espadas e escudos fazem. Seja em filmes, livros, séries, essa coisa de luta de espadas me pareceu super empolgante, até porque quando espadas estão envolvidas, normalmente é dentro de uma batalha, seja com outros ou com relação a um objetivo próprio.
Espadas tem algo de muito nobre, muito honrado, bonito eu diria. Daí o fato de que uma espada por si só já é linda, na mão de uma mulher torna-se inusitado e excepcional. Lógico que é um objeto "pesado", meio grosseiro que contrasta com a doce natureza feminina, todavia é fato que muitas mulheres de variados povos foram instruídas sobre como usar uma espada, muitos juram de pés juntos que não, dada a história do mundo e em como o homem era o que ia para as guerras e blá, blá, blá, mas usando um pouco a lógica, muitos povos também ensinavam as mulheres a se defenderem justamente porque eram elas que ficavam sozinhas com crianças e idosos, precisando proteger seu lar.
As chamadas "Damas do Escudo" tão citadas em séries como Vikings demonstram isso, embora muitos também por orgulho ou por não acharem possível juram que elas não existiram. Não querendo parecer feminista fervorosa, mas ninguém é burro, sabemos que fisicamente uma mulher é menos forte que um homem, isso é coisa de milhões de anos de evolução e vai ser sempre assim, todavia, não significa que uma mulher não possa se aprimorar nesse sentido e tornar-se melhor. Provavelmente por pensarem assim, que mulheres espartanas faziam exercícios físicos durante a gravidez visando filhos saudáveis e um parto seguro. Ao passo que as Atenienses, ficavam bem quietas, em todos os sentidos.
Lógico que quando se fala em mulheres fortes, em como adquiriram força e notoriedade ao longo dos séculos sempre parece tabu. Contudo eu queria saber como muitos reagiriam ao saber que em séculos passados, a mulher e por conseguinte, mães, avós, esposas eram consideradas menos que um boi. Sim, palavras ditas por autoridades, de que Deus havia criado tudo e amava todas as suas criaturas, embora as mulheres merecessem menos amor e tinham menos valor que os (idiotas) bois. Lógico que hoje as mulheres conseguiram espaço, serem vistas como algo maior, hoje não empunham espadas nem escudos, nem vão para batalhas matar invasores, porém ainda é uma luta diária para sobreviver a desafios e evoluir cada vez mais. Sorte que nem todos os povos do mundo pensavam na mulher como algo abaixo de um boi e outros foram evoluindo socialmente. Por isso, aqui vão alguns exemplos de mulheres que seguraram suas espadas e foram à luta.
1. Mulan
"Seria bom ensinar sua filha a dobrar a língua na presença de homens". Mulan vivia numa época na qual a maior honra que uma moça podia dar a sua família era fazer um bom casamento. Só que o espírito dela era maior e mais impetuoso que isso. A personagem faz parte de um conto secular chamado "A Balada de Mulan", onde é justamente narrada a história de uma moça, que não tendo irmãos, vê seu pai velho e doente sendo obrigado a ir para a guerra. Sabendo que ele não sobreviveria, se veste com a armadura para assumir seu lugar. Os filmes mostram bem isso, com a expectativa do Live Action, vemos que Mulan é bem ativa e não tem medo de pegar em armas para defender seu país e família, mesmo sendo mais fraca e magra fisicamente, não hesitou em pegar no pesado e trabalhar duro no dever que se propôs a fazer, honrando a si mesma e demonstrando que podia fazer mais do que ser uma bonita noiva.
2. She-Ra
"Fabulosos poderes me foram revelados quando ergui minha espada e disse: Pela honra de Greyskull". Adora era uma princesa, irmã gêmea de Adam (He-Man), moça bonita e formosa, mas que quando foi necessário soube erguer sua espada e lutar. Ela fazia parte de um grupo rebelde que combatia as forças da Horda, protegendo o povo e buscando liberdade. Além de ser uma heroína, foi um ícone que inspirou muitas garotas no seu tempo, meninas que queriam ser bonitas e ao mesmo tempo fortes, valentes, corajosas e montar um lindo unicórnio voador como Espírito. Por mais que Adora parecesse frágil, era uma garota lutando por justiça e protegendo os mais fracos que necessitavam dela.
3. Éowyn - Senhor dos Anéis
Éowyn era filha de reis. Tinha medo de jaulas, que todos os seus sonhos ficassem na vontade até que a velhice aceitasse tal destino. Por mais que fosse sobrinha do Rei Théoden e irmã de um cavaleiro, ambos tentavam protegê-la, ainda que ela manejasse com muita habilidade uma espada. Quando estourou a Guerra pela Terra Média, ela se veste com uma armadura, se infiltra no exército e de quebra leva o hobbit Merry com ela. Tal atitude meio como que desafia muito na situação em questão, tanto por ela ser mulher quanto por Merry ser hobbit, considerado pequeno e incapaz de lutar. Ambos no calor da batalha mostram que conseguem sobreviver e de quebra, Éowyn salva seu tio do Rei dos Nâzgul e destrói ele na icônica cena de "Nenhum homem pode me matar!" "Não sou um homem!"
4. As Guerreiras Mágicas
Como em muitos animes, tudo começa por acaso. Três meninas em um passeio da escola na Torre de Tókio e de repente um clarão. Lucy, Marine e Enne são transportadas para o reino de Zephir, no qual são informadas que são escolhidas pela Princesa Esmeralda para protegerem seu reino. Como Guerreiras Mágicas que se tornarão, elas usam mágica dos elementos água, vento e fogo e espadas combinantes com estes e com sua personalidade. Um detalhe é que as armas são feitas de um mineral especial que evolui junto com elas, conforme suas habilidades e coragem do dono, o qual foi obtido mediante prova de merecimento. As meninas não só aprenderam as sutilezas mágicas como ficaram excepcionais no combate corpo a corpo. Numa opinião pessoal, quando criança, nunca quis ser uma princesa, queria ser uma guerreira mágica porque elas tinhas lindas espadas.
5. Beatrix Kiddo - Kill Bill
Talvez uma das imagens mais bonitas do mundo seja uma mulher com espada. E Beatrix conseguiu não só a beleza da espada como ser eternizada vestida de noiva com ela. Após sobreviver a um massacre no dia de seu casamento arquitetado por seu ex-amante Bill crendo que havia sofrido um aborto de sua filha não nascida, jura vingança contra todos os envolvidos. Para tal coisa, que seria grande, era necessário um instrumento a altura. Ela viaja até o Japão para encontrar um artesão de espadas de samurai, Hattori Hanzo. Armada, vai atrás de seus desafetos e um a um, executa sua vingança até chegar em Bill. A habilidade dela é notória, capaz de lutar contra várias pessoas ao mesmo tempo, Beatrix honra a frase que Hanzo lhe disse ao entregar a espada de samurai: "Se você um dia encontrar Deus, Deus será cortado".
6. Rainha Calanthe - The Witcher
"Eu não me curvo a nenhuma lei criada por homens que nunca pariram uma criança." Essa era uma rainha que fazia jus a sua coroa. Não só colocava o adorno na cabeça e sentava no trono, observando tudo passivamente, a rainha Calanthe pegava em armas para defender seus súditos, ía para o calor da batalha contra invasores, não á toa era chamada de Leoa de Cintra. Em uma incrível sequência, no noivado de sua filha, pega na espada para apartar uma briga entre os pretendentes, de vestido e tudo, mostrando quem mandava. Uma mulher forte que fez de tudo para proteger a neta quando a cidade foi cercada, se sacrificou demonstrando grande amor e força ao mesmo tempo.
7. Azumi
Ela nasceu no meio de um país em guerra ficando órfã e sendo acolhida por um mestre, assim como outros meninos da sua idade. O referido mestre os treinou desde pequenos na arte da espada, para que no futuro se tornassem assassinos habilidosos. Mesmo sendo a única menina do grupo, nunca foi tida como frágil ou incapaz, pelo contrário, era uma das melhores do grupo. Mostrou-se muito habilidosa e ágil como assassina, embora tivesse um lado muito doce que a fazia questionar se matar era correto e se sentir mal por isso. Viu todos seus amigos morrerem mas derrotou quem se julgava invencível. No fim, mesmo com toda a dor passada, consegue abandonar essa vida e seguir.
8. Guinevere - Rei Arthur
A Guinevere do Rei Arthur de 2004 não era uma rainha envolta em sedas, que só se sentava em um trono e permanecia lá. Ela era uma guerreira, fazia parte de um povo selvagem, da floresta. Foi resgatada por Arthur quando estava sendo torturada, partindo com ele e os outros cavaleiros. Ela o enfrentava pelo fato dele a serviço de Roma expulsar o povo bretão de suas terras, todavia quando um povo bárbaro maior e mais letal ameaça invasão, o povo dela e os cavaleiros se unem na batalha. Guinevere troca o vestido por tinturas corporais, os adornos por arco e flecha e espada, ela se mete no confronto sem medo de apanhar e bater. Talvez por esse jeito ousado que conquistou Arthur, que por sua vez a olhava com respeito e deferência.
9. Xena e Gabriele
"Numa época de deuses antigos, opressores e reis, uma terra sem lei clamava por uma heroína. Xena, uma princesa guerreira forjada no calor da batalha". Xena foi um ícone das séries do seu tempo. Uma mulher amazona, guerreira, que sabia enfrentar desafios e lutas confirme seu povo necessitasse. Logo encontra Gabriele, que treinada também se torna uma guerreira sem igual, ambas partem em uma jornada combatendo inimigos, lutando por justiça e ajudando pessoas. As duas também foram destaque no sentido de formarem um casal, coisa que fica muito clara ao longo da série, embora fosse explícito apenas no fim. Todos sabiam do clima e curtiam bastante inclusive.
10. Diana - Mulher Maravilha
Parece que a história de Diana começa bem diferente das outras heroínas. O próprio criador da Mulher Maravilha era alguém de fora do ramo, mas que ainda assim fez um trabalho muito bom. Ele quis focar em alguém que tivesse uma personalidade incrível, segundo palavras da própria Gal Gadot que a interpreta, Diana busca promover, liderança, fortaleza, sabedoria e amor, coisas que combinadas podem fazer a melhor versão de nós. Habitante de Themyscera, foi, tal como todas as suas habitantes, criada para ser forte e compassiva e não se deixar atropelar por ninguém. Essas mulheres entre espadas e escudos não seriam vítimas ou perderiam suas vidas em mãos ignorantes. Diana nasceu do barro e foi dotada de incríveis poderes pelos deuses, cresceu treinando e através de seu heroísmo provou que ser gentil e ao mesmo tempo forte usando uma espada e escudo é perfeitamente possível.
11. Arya Stark - Game of Thrones
Arya era o contrário da irmã Sansa. Enquanto esta última queria vestidos, um casamento e belos filhos, Arya queria arco e flecha, espadas e cavalgar. O pai dela, Ned Stark, respeitava as diferenças de ambas e aplaudia as habilidades da filha mais nova quando ela achava que ninguém estava olhando. Não a toa que após a morte de seu pai, ela pegou a espada que Jon Snow tinha dado e se lançou numa jornada para aprender melhor como lutar. Treinou, matou, se disfarçou de menino, aprendeu como ser "Ninguém" e vingou sua família pelo massacre do Casamento Vermelho, matando todos os soldados da Casa Frey. Como ela mesma disse, "Deixe um lobo vivo e as ovelhas não estarão seguras".
12. Lagertha - Vikings
"Ela é diferente de qualquer mulher que eu conheci, não há mulher saxã como ela. Estou encantado com ela. Uma dama do escudo. Uma guerreira. Fazendeira. Mãe... Ela é incrível". Talvez poucas frases possam descrever Lagertha tão bem quanto essa. Lógico que ser de um povo bárbaro já fazia as concepções serem diferentes. Curioso que para um povo tido como selvagem, eles cultivavam valores e costumes bem evoluídos, como por exemplo, as mulheres podiam lutar lado a lado com os homens, coisa que surpreende até mesmo a princesa da França. As chamadas Damas do Escudo são prova disso. Lagertha era esposa de Ragnar, que se lançou ao mar em busca de novas terras. Embora ambos se amassem, apareceram obstáculos. Ele se envolveu com Aslaug, engravidando-a. Lagertha considerou aquilo um insulto e humilhação e deixou Ragnar, em outros povos a esposa aceitaria calada e passsiva. Ela não só lutou pra conseguir seu reino de volta como era contra qualquer tipo de violência contra mulher, como estupros e abusos, sendo que matou uns e outros por tentarem invadi-la ou cometerem abusos. Ela tinha adoração pelos filhos, protegendo-os com a própria vida se precisasse, não se submetia ao que a oprimia nem tolerava que a colocassem como inferior, seja quem fosse. Afinal, uma mulher que se colocava a frente do perigo como qualquer outro homem merece ser olhada no mesmo nível.
13. Brienne de Tarth - Game of Thrones
"Em toda minha vida homens como você me ridicularizaram, e em toda minha vida eu venho derrubando homens como você na poeira". Brienne logo de cara era uma mulher diferente. Não só por usar uma armadura mas por ser consideravelmente mais alta e maior que as outras, de todos os seus irmãos, que morreram na infância, ela era a mais "esquisita". Segundo ela, após vários noivados desfeitos, implora ao mestre de armas para que a ensinasse a arte da espada, e conforme sua habilidade crescia, ela começou a ter autoconfiança. Com isso, acabou se tornando guarda pessoal de Renly Baratheon, ao qual devotava um grande amor. Provou seu valor diversas vezes, não só com a espada mas em virtudes nobres, como cumprir uma promessa a Lady Stark e lutar bravamente contra o exército dos mortos. Tanta nobreza de caráter rendeu-lhe uma condecoração, dada por Jaime Lannister, que finalmente a fez cavaleira real de fato.
14. Joana D'arc
Joana nasceu na França no Séc. XV, bem no meio da guerra da França contra a Inglaterra. Quando criança viu sua família toda ser assassinada pelos soldados inimigos. Pouco depois começou a ter as visões santas e receber mensagens, as quais diziam que ela devia lutar pelo seu povo e seu país. Lógico que não foi fácil convencer um exército de homens que ela, uma moça, iria se juntar a eles na batalha, com armadura, espada, lanças realizar o mesmo treinamento e de cabelos curtos, que ela mesma cortou. Contudo, ela foi uma líder nata e chegou a comandar tropas. Mesmo tendo sido reconhecida pelo próprio rei, atraiu a inveja de outros comandantes e acabou sendo traída, o que culminou em acusações de bruxaria e sua posterior execução. Foi canonizada em 1920.
15. Maria Quitéria
Aqui no Brasil tivemos Maria Quitéria, que desde cedo não se fazia de rogada e aprendeu montaria, manejo de armas de fogo e caça. Conforme os movimentos de independência do Brasil rolavam, ela fugiu de casa, disfarçou-se de homem e se alistou no exército. Foi a pioneira ao ser a primeira mulher a ser reconhecida por assentar praça em unidade militar, a entrar em combate e foi até condecorada por seus feitos de bravura. Ela também se vestiu de homem, embora ao uniforme tivesse sido acrescentado um saiote, cortou os cabelos e não teve medo das batalhas. Ela foi homenageada em sua cidade, recebendo permissão para portar uma espada, ficou conhecida como Heroína da Independência. Ela se casou e teve uma filha, faleceu anônima, porém segundo palavras de um pesquisador, "Tão valente quanto honesta senhora".
















Nenhum comentário:
Postar um comentário