terça-feira, 4 de agosto de 2020

Sobre o Cancelamento de Chaves e Chapolin: não é só pela nostalgia



“Ain, não sei porque endeusam tanto Chaves, sempre achei chatão” “Finalmente alguém que me entende”. Na semana em que foi anunciado o fim da transmissão de Chaves em todos os canais abertos e fechados, em que os fãs tem buscado salvar as listas de reprodução do youtube ainda não bloqueadas e episódios perdidos a tapa, ouvir isso é quase um escárnio. Conheci pessoas que não gostavam de Chaves e muitas vezes vendo a conduta delas e suas percepções, não confiava nelas... Lógico que para essas, fãs que se abalaram no Brasil e no mundo com a disputa da Televisa e da família de Bolaños pelos direitos é apenas um exagero. Afinal, é um programa velho que passa há mais de 30 anos e nunca renovou as piadas. Na tentativa de poder justificar as falas, li muito mas creio ser muito pertinente explicar o porquê o abalo da comunidade Chaves e Chapolin foi dessa magnitude.

Chaves e Chapolin (CH) é um programa engraçado. Muitos dirão que não, mas em mais de 100 episódios se alguém não riu pelo menos uma vez é porque realmente há um déficit ali. O humor que Bolaños explorou em suas séries era diferente, não era uma coisa com piadas de duplo sentido, salvo algumas exceções. Não haviam palavras sujas, nem personagens dúbios. Todos eram transparentes em suas personalidades, mesmo Chiquinha que era arteira e se aproveitava dos garotos, jogava limpo com relação a isso. Tinha uma transparência ali que fazia os personagens terem autenticidade. Quando vemos os personagens de hoje, em muitos casos há notória impressão de que são artificiais, que os próprios atores estão se forçando a faze-los, seja porque não gostam ou porque algo os está desagradando, não conseguem incorporar o gênero. Comédia é o gênero mais difícil que existe, é preciso mais que caras e bocas para você convencer uma pessoa a rir do que está propondo e fato é, que poucos se consagraram nisso. E os que conseguiram, tornaram-se eternos. Sendo Bolaños um dos incluídos.

Muitos falam: “Endeusam pela nostalgia”. Sim, de fato, é nostálgico. Mas não, não é apenas por isso. Tv Colosso é nostálgico. Punky, a Levada da Breca é nostálgico. Família Dinossauro é nostálgico. E mesmo algumas coisas mais conhecidas pelas gerações como Bambuluá e Tv Globinho despertam aquele sentimento de saudade de um tempo de criança sem maiores preocupações... Todavia, Chaves e Chapolin permanecem não porque é nostálgico, mas porque tocam em algo maior que a simples lembrança de infância. Risadas são algo muito de momento. Você pode ver um vídeo de pegadinhas do finado Canal Boom e gargalhar, mas passados alguns minutos, horas não mais lembra do que viu. O raciocínio se baseia nisso. Chaves e Chapolin fazem você gargalhar, rir, porém suas bases são mais profundas que o simples humor.

Vemos valores ali. Além das frases de estampa do Seu Madruga, vemos características que se pode levar para além da infância e para além das gargalhadas. Ensinamentos que permanecem, que ficaram impressos em nós até a vida adulta e esse tipo de coisa é que é lembrada, e faz com que CH não seja apenas uma nostalgia. Quantos de nós não aprenderam que devemos ser bons filhos e bons amigos? Vemos na vila condutas que podem ser facilmente vistas fora das telas e exemplos a serem seguidos. Seu Madruga mesmo levando tantas cacetadas nunca levantou a mão para D. Florinda, mesmo que hoje até figuras ilustres apoiem que se deve revidar sem pensar duas vezes. Vimos a gentileza da D. Clotilde, que mesmo nunca sendo correspondida em seu amor platônico, não deixava de ser solícita com seus vizinhos e com Seu Madruga dando bolos, comida e frangos assados.

Chaves é a personificação de um menino pobre, que pode ser facilmente visto em sinais e calçadas, mas ele mesmo assim em vários episódios quando mencionado o ato de roubar disse que nunca o faria. Quem não se lembra do icônico episódio do Ladrão da Vila no qual ele foi acusado injustamente? Ele decide ir embora não por orgulho, mas porque não achava certo ficar em um local onde desconfiassem dele. Quantas vezes também não o vemos mesmo sendo pobre, dividindo o que

tinha com os outros, dando o exemplo autêntico de amor ao próximo? Seu Madruga mesmo sendo chamado de vagabundo, buscava todo tipo de emprego na tentativa de se virar e sobreviver, podia dizer que não gostava de trabalhar porém estava lá trabalhando no que aparecesse, fora sua solidariedade com Chaves convidando-o para comer e se preocupando com ele, ainda que ralhasse bastante. Vimos o cavalheirismo do Professor Girafales para com a D. Florinda, mostrando como cortejar sem desrespeitar, sendo inclusive meio cafona com desafios para duelo e declarações de poema ajoelhado. Isso sem falar nas lições de Chapolin com elação a vencer a si mesmo, vencer seus medos, que você pode ser um herói ainda que imperfeito. Tudo isso mostra o quanto não é por mera nostalgia, pois quando algo toca você e imprime ma memória, um valor, um sentimento, uma lição, esse algo simplesmente permanece por toda a sua vida, mesmo que tenha acontecido quando criança.


E se formos por outro caminho? Vamos analisar pela ótica dos bastidores. CH foi um programa que consagrou atores e atrizes. Jogou seus nomes numa história que ficou eterna. Lembremos de programas de humor dos últimos anos. Quantos nomes conseguimos lembrar? Quantas risadas e piadas conseguiríamos ver de novo e rir? Pouquíssimas. Um dos que existem atualmente, Zorra Total lembro mais pela vinheta que é altamente grudenta do que por algum quadro ou ator que faça parte. A Escolinha do Professor Raimundo é o mais digno que podemos citar em termos de humor atualmente,
não apenas por Anísio que nos presenteou com uma enxurrada de personagens criativos, mas por celebridades que participaram como a lenda Orlando Drummond. O remake também tem sua dignidade, mantendo boa parte dos moldes originais. Mesmo hoje, muitos atores que fazem parte disso podem se considerar agraciados, ainda que a escolinha não faça você propriamente gargalhar como a dinamicidade de Chaves e Chapolin faz.

Os atores que fizeram parte da época na qual humor era algo sem gessos podem se considerar sortudos. Lógico que como tudo, mudanças são boas. Todavia muitos quadros outrora engraçados do Zorra Total jamais seriam reprisados atualmente devido a enorme quantidade de regras, de gessos “corretos” que foram instaurados no gênero. CH sobreviveu a isso. Sobreviveu e permaneceu sendo amado por décadas a fio, com comunidades criadas especificamente para ele, mostrando que as pessoas de fato gostavam do humor simples e cotidiano, das piadas pastelão, dos xingamentos entre crianças que numa hora chateava mas que cinco minutos depois as fazia brincar juntas. Bolaños ao fazer roteiros assim foi eternizado e já tem seu lugar na história.

E por falar em ser eternizado, muitos que não compreendem o porquê do amor a Bolaños e sua obra não devem saber de onde o apelido “Chespirito” vem. É nada menos que uma referência a Shakeaspeare. Esses devem conhecer. Foi um escritor com obras variadas e significativas na literatura, Bolaños inclusive adaptou sua famosa história de Romeu e Julieta em seus moldes, tornando-se um dos episódios mais famosos de Chapolin. Bolaños também em várias ocasiões encarnava o Magro de O Gordo e o Magro e Chaplin. Este último era um ator bem significativo em termos de humor e comédia. Como eu disse, é o gênero mais difícil de se fazer. Um ator de comédia pode fazer muito bem dramas dignos de Oscar, como vimos Jim Carrey e Will Smith fazerem. Todavia, um ator de drama nem sempre consegue fazer plateias rirem. Chaplin era de uma época na qual não havia muitos efeitos especiais, os que podem fazer os atores parecerem mais incríveis do que o são de verdade. Na verdade, não existiam nem cores ou sequer som. Tudo o que ele tinha era sua pura expressão facial e corporal e com isso precisava cativar. Bolaños não o fazia com tanta maestria a toa. Numa prerrogativa, todos seus personagens eram absurdamente simples. Mesmo Chapolin que era o super heróis era simples de entender, com armas e poderes singelos, conduta sem muitos vieses, caímos de novo no ponto de que a simplicidade fazia com que o humor fosse dos melhores.

Ainda no ponto dos bastidores, não só atores e atrizes que atuaram no seriado se consagraram porém aqui mesmo no Brasil, outros se consagraram pelo seriado. Os que deram suas vozes aos personagens de Bolaños até hoje são reconhecidos por tal e se estabilizaram através do seriado. Profissionais experientes do ramo não economizam em dizer que os seriados são o maior exemplo de dublagem perfeita existente no país. Para quem não sabe, o Brasil é um dos melhores do ramo, tendo ganho inclusive prêmios internacionais de dublagem pelo excepcional trabalho que estes artistas fazem. O eterno Gastaldi, que se eternizou como a voz de Chaves e Chapolin, cuja voz será lembrada sempre mesmo que ele tenha tido uma morte precoce; Cecília Lemes (Chiquinha) e Carlos Seidl (Seu Madruga), que ficaram famosos por seus bordões e trejeitos, com quem tive honra de tirar foto; Nelson Machado (Quico), que deu também sua voz a outra fera do humor: Robin Willians e estará marcado por suas risadas e choro característico, e tantos outros que já foram silenciados mas que estarão sempre presentes. E considerando CH, não só a dublagem é um bom exemplo mas também a
questão das traduções, seja de diálogo, seja de músicas. Afinal, muitas piadas em espanhol fazem sentido mas que ao serem traduzidas para português, nem tanto. Todavia, ainda que não fizesse sentido, promover risos no público mesmo assim é quase uma arte dos deuses.


Se formos mais a fundo na questão dos bastidores. Chaves e Chapolin vieram em uma época na qual as opções eram extremamente escassas em termo de entretenimento. Não querendo apelar, mas é fato que é difícil para muitos das gerações mais novas com opções baratas como Netflix, amazon, spotify e internet a vontade, falar que houve uma época na qual tv por assinatura era algo extremamente restrito, internet era coisa de quem tinha muito dinheiro e filmes somente em locadoras se voc~e tivesse dinheiro ou pegasse uma promoção muito boa de fim de semana. Nessas décadas, a tv aberta era praticamente tudo que se tinha. Por isso que quando se anunciava um filme que se gostava nos finados Cinema em Casa, Cine Espetacular e etc., era correr pra não perder o horário. Logo, um programa como Chaves e Chapolin, que abrangia o público infantil, que mesmo naquele tempo era meio negligenciado, era colocado nas alturas. Assim como os antigos desenhos de Tom e Jerry, Popeye, She-Ra, os mesmo que muitos hoje criticam e pedem extinção por não considerarem adequados, eram tudo que crianças de famílias não muito abastadas tinham. Aliás, para muitos ter uma televisão já era abastamento suficiente e apenas o que as emissoras abertas proporcionavam. Muitos nunca saberiam o que era anime se não houvesse transmissão aberta, CH era uma das poucas opções para as crianças daquela idade e pelos outros motivos já citados aqui, é que marcou uma geração inteira e permaneceu tatuada nela.

E se formos sair dos bastidores e ir um pouco para o mundo real. Bolaños era um exímio trabalhador. Ele em entrevistas afirmou que se guiava pela frase que talento é 1% de inspiração e 99% de transpiração. Ou seja, tudo era conseguido com suor, com trabalho. Ele imaginava os personagens e histórias e sentava na máquina de escrever e ficava horas a fio escrevendo os episódios. Não havia regalia, não havia jeitinho, nem artifício, nem uma equipe que ficava lhe soprando as ideias... ele não era nenhum gênio por nascença, mas como Chavinho disse: por maioria de votos. Trabalhou por algo e as pessoas reconheceram esse algo como sendo de qualidade. Ao longo de seu caminho, também teve negativas e baixas, mas permaneceu no caminho.

Chaves e Chapolin não foram apenas programas de humor pastelão, que distraiam crianças numa época sem Netflix e youtube. Ele é e foi mais que isso. Muitos fizeram amigos ao entrar em comunidades, muitos se sentiam sozinhos por gostar e se encontraram quando descobriram iguais, há torcida para que o programa volte, embora até o momento o que sinta seja apenas um luto, uma falta que a ausência do programa nos deixou, um programa que trouxe mais do que risadas. Muitos hoje fazem questão de estampar camisetas, colecionar bonecos, não é por uma coisa boba de fã ou mera nostalgia, mas por um sentimento de que contribuição ao caráter e personalidade. E acima de tudo, por gratidão.

4 comentários:

  1. Olá, estou vindo do Fórum Chaves.
    Quero começar te parabenizando pela postagem e pela abordagem do tema no blog.
    Desde que me entendia por pessoa me lembro de estar assistindo Chaves e até sexta-feira não perdia. Minha infância foi a clássica: ver Chaves e Chapolin na hora do almoço.
    Na escola, em 2005, quando houve uma chance de nunca mais passar Chaves e Chapolin, sofri muito, chorei uma noite inteira, me lembro de que uma guria da minha sala me falou para parar de assistir, que não levava a nada (não espero muito de quem fazia bullying com a própria irmã e vivia só contando caloria, falando que até respirar engordava), que eu tinha que assistir Malhação (respeito quem gosta, mas eu nunca gostei), aí um amigo meu me falou por MSN que eu tinha de lutar para o Chaves ficar no ar, mandar um e-mail para o SBT e tudo o mais. Fiz isso. E aí depois sai uma notícia que um monte de fãs fizeram o mesmo. Na época deu certo, o SBT não tirou o Chaves.
    Quando parei de esconder meu amor pelo Chaves, comecei a me aprofundar nesse universo e foi onde me senti em casa. Comecei a conhecer outros fãs, visitar sites, comunidades do Orkut e entre os amigos que fiz depois dessa época, todo mundo sabe que sou super fã de Chaves, especialmente do Seu Madruga, que é o meu personagem preferido.
    No dia em que o Roberto Bolaños morreu, na madrugada antes, eu tive um pesadelo com o plantão do SBT (bem doido, até porque é raro o SBT dar plantão) e acordei assustada. Aquele dia estava tão triste, eu acordei meio chateada e nem sabia por que, aí quando saiu a notícia da morte do Bolaños, fiquei muito triste. O Fórum Chaves estava promovendo uma homenagem que nós fãs entregaríamos ao Chespirito no aniversário seguinte dele. Chorei tanto, foi muito difícil acompanhar o funeral, doeu bastante.
    Confesso que depois da morte do Bolaños eu parei de assistir Chaves por um tempo, mas quando o SBT anunciou o Clube do Chaves, eu estava passando por um momento bem difícil da minha vida e voltar a acompanhar Chaves no SBT me ajudou bastante. A afiliada daqui do Paraná passou Chaves até a sexta passada e a turma da vila era minha companhia todas as tardes.
    Ainda é difícil de acreditar que isso está acontecendo. Gostaria que tudo se resolvesse de modo que pudéssemos ter de volta as obras-primas do Chespirito porque não penso só em mim e na falta que me faz, mas em quem também está sofrendo, as crianças, principalmente as que dependiam do SBT para ver Chaves, os idosos que não sabem mexer em plataformas de streaming, penso em todas as pessoas que estão tristes e também que os que vierem depois de nós merecem acompanhar o legado do Chespirito.
    Acredito que o sucesso longevo das obras dele se devem ao fato de serem atemporais, criativas. Crédito aos atores que interpretaram muito bem seus personagens, aos dubladores (os nossos, que fizeram uma enorme diferença) de todo o mundo e aos fãs.
    Bom, são tantas emoções que ainda não consegui escrever o meu manifesto pessoal, mas te parabenizo pela iniciativa e coragem.

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    1. Nossa! Fico extremamente grata e feliz pelo comentário e post! Eu me lembro do dia que Bolaños faleceu, fiz um vídeo falando do quanto eu estava triste. Muitos ao longo da vida também me disseram o quanto Chaves era bobagem, no trabalho percebia o quanto me olhavam de viés quando eu ria das piadas e quando no horário de intervalo do almoço eu colocava no SBT, dava pra ver que era como se me julgassem infantil e boba. Porém como você mesma disse, começamos a enxergar tais pessoas e percebemos muitas falhas de conduta e em casos extremos até de caráter delas. Uma dessas pessoas por exemplo, que nem respeitava quando eu estava assistindo e trocava de canal sem nem perguntar, é uma política radical e se mostrou preconceituosa em mais de uma ocasião. Sim, creio que com a internet pudemos ver que não estamos sozinhos. Muitos que se julgavam isolados descobriram que há outros de vários locais do país que estão juntos, unidos numa mesma paixão e num mesmo gosto, você ainda que não tenha um contato pessoal, se sente acolhido, não é mais uma ilha mas parte de algo maior. Eu sempre recomendo que leiam o livro original do Chaves, no qual a série foi inspirada, vemos a simplicidade, como é singela a situação de Chaves e da vila. Creio que nenhuma série conseguiu fazer tanto sucesso abordando temas tão cotidianos sem apelar para as asperezas, como violência urbana, sexualização ou palavras rudes. Digo que podemos encontrar o cortiço em qualquer lugar, pessoas como as da vila também e é isso que nos toca fundo, porque sentimos uma aproximação com os personagens. Estou torcendo pra que tudo se resolva, porque afinal, como você disse não são todos que tem acesso, mesmo hoje com tantas facilidades e acesso a preço bem mais baixo que antigamente, muitas crianças não podem acessar internet livremente e idosos apenas tem tv aberta como opção, Chaves e Chapolin eram uma opção sadia para ambos. Mas nós, enquanto comunidade que ama Bolaños, que cresceu vendo e se uniu graças ao programa permaneceremos. Muito obrigada mais uma vez!

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  2. Acabei de ler seu texto, compatilhado pelo grupo do fórum Chaves no Facebook. Realmente, a obra de Bolanos se destaca por sua simplicidade. Em cada roda de amigos/trabalho/residência, acabamos encontrando um Chaves, Quico ou D. Florinda na vida real, sem ao menos perceber. Isso é o sucesso de seu humor. O Chaves está nas nossas vidas, que fazendo coisa do seriado sem ao mesmo perceber. Eu mesmo uso muito frases dos seriados com meus amigos naturalmente. No dia que Bolanos faleceu, me lembro que eu estava assistindo Chaves, quando deu o plantão, eu queria acreditar que fosse mais uma fake news, corri para o Facebook ver se era verdade. Foi o pior dia da minha vida: Perdi um amigo "distante" que me alegrava todas as tarde, me faIa companhia e mesmo assim não pedia nada em troca. Todos meus cachorros são homenagem a serie: Kika e Patty, duas pinschers. Essa ultima teve um problema de saúde exatamente um mes depois da morte de Bolanos. Faleceu em 2018. Foi dificillara mim ouvir seu nome nos episódios em que a Paty do seriado aparecida e quando ela veio pro Brasil. Depois de uns meses aceitei. Entendo que toda vez que ver a personagem, de algum forma, minha cachorra vai estar ali comigo. Tambem em 2018, ganhei um Yorkshire de presente. Seu nome não podia ser outro: Madruguinha. Ranzinza, desconsta sua raiva mordendo uma galinha de borracha e sua coloração ficou preta e cinza. Não vejo isso como uma coincidencia, e sim, como se meu cachorro fosse o próprio personagem. Acho que é minimo de gratidão que posso fazer por Roberto. Tenho 27 anos e desde que me conheço por gente, o Chaves me fez e faz rir. Não tenho palavras pra expressar o quanto as series significam para mim.

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  3. Oi, vi seu post lá no Fórum CH do Face. Texto lindo, sensível e principalente reflexivo.Parabéns. Vc tocou em pontos mto importantes q eu mesma não me atentei. Sou daquela turma q sentou "olhando pra TV" naquele 24 de agosto de 1984 do alto de seus 9 anos rindo mto até sentir o estômago revirar como episódio do matador de lagartixas. Não parei mais e esses dias estou triste, parece q falta alguém q não mais "virá me ver". Eu tenho um Chaves desses q foi brinde do MC Donald´s, tenho quatro miniaturas e um par de meias vindos do México q meu primo trouxe ha uns dois anos e como dói olhar pra tudo. O fim de semana foi estranho, a semana tá estranha, tá tudo esquisito mas tenho esperança q tudo volte ao normal.
    Eu tb tenho um blog e tb tive a dura missão de escrever sobre esse assunto e te convido a ler se quiser. www.bondgirlpatthy007.blogspot.com Parabéns mais uma vez. Bjs e fiquemos bem e na torcida pro Chaves voltar.

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