sexta-feira, 23 de abril de 2021

Você não é extraordinário

 


O mundo é um lugar extremamente grande. Fora os lugares que sequer conhecemos e que o homem ainda não chegou, o mundo é grande demais até pra que nós possamos imaginar aonde ele acaba. E nesse lugar existem bilhões de pessoas em uma quantidade que também nem conseguimos imaginar. E nisso se pensa em quantas coisas existem para se fazer.

Num mundo tão grande obviamente que existe pessoas em diferentes níveis, seja de perspectiva ou de feitos. Nos acostumados a ver os exemplos do que seria considerado o “sucesso” e passamos a buscar aquilo com avidez, crendo que se formos iguais poderemos sentir como é essa sensação e se sentir incrível. E aí caímos no conceito do que seria algo/alguém extraordinário.

Muitos passam a vida correndo atrás do que seria ser assim. Tomam por base as pessoas mais bem sucedidas que se conhece, aquelas que parecem ter tudo e uma vida brilhante como um trigal da Toscana no pôr-do-sol. Tomar alguém por exemplo e se inspirar para trilhar o próprio caminho pode ser muito positivo e bom, desde que o sentimento seja um incremento evolutivo, uma forma de crescer e trilhar seu caminho individual de um modo produtivo, mas ainda único. Todavia, com o bombardeio do mundo e a ideia disseminada de constante competição, o efeito quase sempre é o inverso e a tendência é que nos sintamos um fiapinho.

O que faz uma pessoa ser extraordinária? É fama? É sucesso? É o quanto o mundo faz questão dela nele? Muitos jamais vão ser conhecidos por multidões porque sua personalidade é discreta, logo mudar pra se alcançar algo assim seria artificial e inútil. Alguns sempre vão se sentir a margem de algum modo porque não se olham como tendo valor ou fazendo algo importante ou não fazendo falta a ninguém. Talvez seja uma ramificação de sentimento muito perigosa, pois a sensação de inutilidade faz com que não nos sintamos parte de absolutamente nada. Nem de família, nem de classe profissional, é como se não soubéssemos bem o que fazemos no mundo, ou fica a sensação de que nada fazemos bem. É como viver uma vida pairando e não identificar algo que nos faça sermos nós, algo que seja nosso e incrível ao que se propõe

Quais as pessoas extraordinárias do mundo que podem ser citadas? Tirando, é claro aquelas que tem algo de transcendental, podemos citar desde artistas até youtubers. O mais curioso é que quase todos tem o mesmo discurso: “nunca quis ser conhecido”, “nunca imaginei que isso aconteceria”, “nunca pensei que chegaria até aqui”. E muitas vezes a vida deles é até difícil mas de algum modo é como se essa extraordinariedade os acompanhasse. A artista Frida Kahlo morreu quase duas vezes antes dos 18, viveu com dores, sua obra era puramente individual, sem nem intenção de sucesso, pois era o que vinha de dentro de seus sentimentos, o “artista famoso” era seu marido, só que no fim, a obra dela foi a que ganhou notoriedade e foi o que a fez extraordinária. Escritores de sagas incríveis eram meros aspirantes e tornaram-se fenômenos. Stephen Hawking, que chocou o mundo com suas teorias inéditas mesmo com toda limitação que seu corpo tinha talvez quando novo nunca acordou pensando que seria extraordinário e nunca esqueceriam seu nome.


Muitas vezes queremos ser extraordinários, como essas figuras que vemos nos livros, na televisão, nos filmes, na história. Aquelas que fizeram ou foram algo tão incrível que o mundo mudou depois delas, que alcançaram uma gama de pessoas tão grande que nem se consegue ter dimensão, como uma era antes e depois. Mas a real é que não somos extraordinários, somos ordinários, a maioria de nós pelo menos. Ordinários puramente. A razão disso é simples: quem é extraordinário meio como que nasce assim. Não diz que “quer ser extraordinário”, simplesmente o é, eles são e fazem. A vida de algum modo impulsiona a pessoa pra algo dessa natureza. E o resto de nós precisamos nos contentar com nossa ordinariedade.

Entretanto, a boa notícia é que por mais ordinários que sejamos, ainda podemos ser extraordinários, mesmo que de um modo diferente do que normalmente consideramos. Podemos ser extraordinários e mudarmos com nossos pequenos gestos o mundo ao nosso redor, alcançando pessoas que  talvez nem imaginemos. Em muitos momentos a gente vai se sentir menos, nos sentiremos formigas em um mundo imenso. Nos sentiremos descartáveis e substituíveis, sobre isso não há dúvida. Mas existe solução. E ela é tentar mesmo nos dias em que você se sente a mais ordinária das criaturas, pensar que mesmo o mais simples que possa fazer, ainda mais se denota esforço, naquele momento é o mais extraordinário que pode fazer. E isso torna você especial no mundo.

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