As Olimpíadas acabaram mas creio
que trouxe algumas lições bem pertinentes a todos nós. Começa que o fato de ter
sido na terra do sol nascente, o qual traz uma história cheia de conotação
referente a superação de dificuldades já dá um sopro de esperança para o mundo,
levando em consideração todo o horror, dificuldade e tempos difíceis que
vivemos nos últimos quase dois anos. O Japão foi sede das Olimpíadas na década
de 70, o evento trouxe naquela época toda a carga conotativa da reconstrução de
um país que ficou devastado, destruído, arrasado pela guerra em múltiplos
aspectos. Esse ano, considerando a pandemia, talvez o significado se mantenha:
a reconstrução de um mundo devastado e fragilizado pelo Corona Vírus.
Além deste início cheio de significados, com o passar dos dias outras coisas foram emergindo. Começa que algumas categorias esportivas novas com atletas talentosos competindo, traz uma nova luz aos simpatizantes que podem ter uma expectativa de futuras competições desse cunho mundial. Skate, surf, escalada esportiva, muitos que
treinaram nessas modalidades e tiveram destaque nelas puderam sentir seu momento nessas Olimpíadas. Não só por mostrar habilidades, mas também por dar visibilidade nos referidos esportes. No caso do Brasil, a fadinha do skate Rayssa, sendo tão novinha e fazendo algo tão incrível, que vai repercutir de forma tão grandiosa para o país fez história com sua medalha de prata. No surf, a medalha de ouro com ítalo Ferreira, que na sua comemoração emocionou a todos, com caricaturas dele imitando Poseidon também foi algo que será lembrado nessas Olimpíadas.
Ao contrário das modalidades novas, as modalidades mais tradicionais surpreenderam, algumas negativamente, outras de forma extremamente positiva. Os grandes nomes da ginástica, seja feminina seja masculina emocionaram por um lado e chocaram por outro. Algumas das promessas como Nori, Zanetti suaram a camisa em suas apresentações. Nori caiu, o que fez com que ficasse longe do pódio. Ao contrário de apoio em massa, houve uma repercussão
de torcida contra, pois ele protagonizou uma situação de racismo com seu colega de equipe. E como nada fica sem uma resposta, especialmente em tempos de internet, um colega da mesma equipe em defesa de Nori, expôs que o rapaz vítima de racismo era algoz em muitas outras situações, fora os sérios desvios de conduta e responsabilidade com relação aos treinos.
Algo que nas redes sociais foi um escândalo que rendeu dias. Fora que relacionado a isso, o próprio Nori se mostrou arrependido com relação ao episódio, mas mencionou o quanto as críticas e culpa desencadearam fortes danos ao seu psicológico, havendo episódios de depressão que afetaram seu desempenho. Além de Nori, uma super estrela que ganhou destaque nas últimas competições, Simone Biles chocou a todos quando no meio da prova desistiu de competir.
Segundo Biles, haviam “monstros” em sua cabeça que estavam afetando sua saúde mental. E com isso, não conseguiu atingir seu desempenho na totalidade. Ela com essa atitude, mostrou que atletas não são robôs, por mais que a capacidade física deles seja incrível,
muito superior à de comuns de academia, o corpo e mente precisam estar na mesma sintonia em termos de saúde. Lógico que por mais que nos tempos atuais com as discussões sobre depressão e mente, houve quem condenou sumariamente, motivados pelos pensamentos de que houve investimento pesado em Biles assim como em outros atletas.
Por falar em investimento, esse
foi um ponto polêmico nestas Olimpíadas. Com direito a figuras, textões e
polêmicas, muito foi dito sobre como algumas nações investem pesado em seus
atletas, dando-lhes condições de local de treino, salário, possibilidades para
que eles possam ter uma dedicação exclusiva ao físico, por isso, muitos acharam
Biles uma fracassada depois de tanto investimento de treino e financeiro ter
desistido. Todavia, considerando o quanto falaram das meninas do futebol, se
Biles, com toda a vulnerabilidade ainda que com investimento tivesse falhado,
seria taxada de fracassada da mesma forma.
Pois bem, muitos falaram que a seleção feminina de futebol só sabe reclamar da falta de investimento e não se esforça. Mas fato é que não há de fato muito investimento, o quanto o desempenho das jogadoras foi bom ou mau, não anula o fato de que futebol feminino não é o forte quando se trata de investimento esportivo aqui no nosso país. Querendo ou não vivemos em um mundo capitalista, e mesmo no esporte, que deve ser sempre leve e alegre, não haverá investimento seja em estrutura ou pessoa, se não houver a mínima
possibilidade de lucro. Afinal, ainda com toda a vibração, são só negócios e mesmo o melhor jogador do mundo que faz desde comerciais de shampoo a estampar produtos esportivos oficiais se der o mínimo prejuízo será descartado sem segundas opiniões. Imagina um esporte que mesmo com um público fiel, não cobriria em termos financeiros investimentos feitos?
Vários atletas de outros países
em situação vulnerável conseguiram medalhas, o treino pesado, alguma vantagem
genética pode ter ajudado, todavia, é inegável que uma força de vontade pode
levar você longe, mas um suporte adequado pode fazer você que já tem essa força
de vontade latente alcançar as estrelas. Caso não tenha, como ocorre com muitos
em nosso país, o caminho fica mais longo, todavia chega a ser uma pena pensar
em tantos que podem estar se desperdiçando porque ainda não foram vistos pelos
olhos certos. Inclusive, está rolando um vídeo mostrando meninos de um bairro
de periferia de Belém, PA, com as incríveis acrobacias que fazem e que não
devem nada em termo de beleza e técnica para os mais treinados.
Mas nem tudo são sombras, houve surpresas positivas e lições valiosas. Rebeca Andrade, ginasta conseguiu duas medalhas para o país. Se muitos chamaram Biles de fracassada, estes mesmos devem ovacionar Rebeca de joelhos. Ela mesmo tão nova, passou pela questão da vulnerabilidade financeira, precisou ficar longe da família
desde pequena pra poder alcançar o lugar que está hoje, afinal, quantos pais deixariam a filha de nove anos ir morar em outra cidade com o treinador para poder se aprimorar? Fora a questão física, pra uma moça tão nova, três cirurgias de joelho é algo impressionante. E eis que com graça e habilidade, ela ao ritmo de uma música considerada obscena que deixaria os tradicionais conservadores de cabelo em pé, trouxe a prata. Depois, com maestria e humildade, o ouro nos aparelhos.
Lembra o que foi falado dos investimentos? Pois bem, para muitos atletas esse investimento começa em casa com o apoio da família e treinador, os ditos grandões só vão investir se houver ou uma grande (excepcional) chance de retorno ou se a pessoa despontar, sendo que muitos desses são os mesmos que podem ter negado ajuda lá atrás quando a pessoa era só um brotinho. Quando ela vira uma árvore
frondosa, há muitos querendo se valer de seus frutos. Rayssa, a fadinha, se recusou a tirar foto com os políticos assim que voltou, pois, seu pai no início de tudo chegou a pedir várias vezes ajuda e incentivo para a filha, sendo sumariamente recusado. Então vale a premissa: Se você não está com alguém quando está por baixo, não deixem que comemorem quando se está no alto.
Estas Olimpíadas mostraram outras faces dos atletas também.
Tivemos comemorações excêntricas, desde referências de animes como Dragon Ball Z e One Piece, apresentações com tema e vestimenta ligados a Sailor Moon, a declarações literais sobre como isso foi importante na vida dos atletas. Tivemos um atleta do salto mostrando que tinha maestria com agulhas de tricô ao fazer uma capa para sua medalha e um suéter personalizado e que isso não o tornava de forma nenhuma menos masculino como podem pensar nem menos habilidoso em seu esporte.
Em suma, vimos muito que vai ficar nesta edição. O momento do mundo em si nos fez pensar sumariamente em tudo, as surpresas que os atletas nos proporcionaram também, que possamos levar essa energia de esperança e novamente de interação com as pessoas para a próxima edição e que essa sensação permaneça viva, dando-nos o sentimento de que tudo será ainda melhor. Pois se esta foi tida como uma das Olimpíadas mais igualitárias e inclusivas, ainda que nesse caos que vivemos, talvez possamos esperar coisas extraordinárias nas próximas.










Eu cheguei aqui pq lembrei de um cosplay seu de anos atrás, e fiquei muito surpreso de ainda estar alimentando o blog. Vc twitter?
ResponderExcluirOlá! Eu até tenho, mas não entro no twitter, alimentei pouquíssimas vezes. Tenho instagram @cancerious_4 e @rhay_cosplayer, fora a página no facebook. Pode continuar acompanhando que o blog sempre alimento conforme o tempo permite hehehehhehe. Obrigada pela lembrança!
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