segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Os Legítimos Gente Boa

 

Nas mídias, sejam filmes, séries, desenhos, o mocinho sempre fica em evidência. Todos sabem quem ele é, todos o reconhecem de cara. Normalmente são aqueles personagens que são um poço de virtudes, são tão doces que por vezes você até enjoa por acha-los tão monótonos e enfadonhos. Não á toa que muitos vilões acabam levando as coisas nas costas (assunto para outro post). Contudo os mocinhos tem uma forma bem específica.

Hoje talvez o que se vê é essa forma permanecer a mesma, mas a cobertura desse personagem mudar. Ele é um mocinho, mas aquela virtude imaculada não mais é obrigatória. E assim se tornam mais humanos, um modelo não tão distante e utópico, eles se mostram os legítimos gentes boa de se ver. Ao contrário do que parece, eles não são aqueles bonzinhos que baixam a cabeça pra tudo, que se deixam ser pisados e humilhados sem revidar, com a cega benevolência cristã, pelo contrário, eles sabem o modo e tempo certo de agir, sua astúcia é genuína, não pelo benefício do protagonismo. Eles sabem ser inteligentes e sagazes, porém sem que isso afete sua integridade e honestidade.

Eles sabem dar amor, mas sem abdicar de seu bem estar, não atropelam seu amor próprio em nome de quem quer que seja, mesmo que a pessoa em questão seja muito querida e amada. Sabem impor os devidos limites, o que por vezes causa até estranhamento, uma vez que há tempos se tem a imagem do mocinho como aquela pessoa tão meiga e doce que a mínima aspereza por parte dela torna-se impossível de se imaginar, entretanto até isso vem mudando e os mocinhos não são os bobos que projetavam neles. 


Os mocinhos hoje são aquela personificação humana da bondade. Nem tanto uma bondade divina como vemos nas figuras ditas religiosas/espirituais, naqueles lideres que arrastam multidões com seus ensinamentos, mas uma bondade palpável, que se mescla em muitas outras coisas. Esses gente boa não se afogam em ambição, eles são gentis por natureza, não se deslumbram por posses ou bens materiais, são humildes em sua essência sem parecerem servis, olham as pessoas independente de quem seja com os mesmos olhos. Não se envaidecem mesmo que sua posição/condição possa leva-los a isso. Eles são leais ao que sentem e acreditam, mesmo que o mundo diga que não é assim.

Na mídia eles são identificáveis a olhos vistos. Na série A Imperatriz, a jovem Elizabeth conquistou o coração de Francisco justamente por seu jeito inusitado, por falar a verdade mesmo quando todos queriam esconde-la dele. Por não se curvar a ordens que não queria obedecer, por ser espontânea e não esconder quando algo a desagradava e ao mesmo tempo era gentil com todos, tinha incalculável
humanidade e humildade, fazia questão de se aproximar dos súditos, mesmo dizendo a ela que eram a ralé pobre, tal discriminação a indignava, pois via a todos com humanidade. Tanto que para ela o melhor caminho para que o povo olhasse os nobres com simpatia era justamente que eles descessem de seus pedestais e olhasse o povo como pessoas, falasse com ele considerando-o como tal e se aproximasse com o respeito que era devido, afinal, eram seus súditos e tinham dever para com eles.

Outra pessoa com poder nas mãos e uma posição dita de autoridade que não se deixou levar pela soberba foi a famosa Lady Diana. É impossível não lembrar de sua humanidade, humildade e jeito próprio de ser. Considerando a realeza, há milhares de normas a serem respeitadas, de comportamento a conduta. Di protagonizou cenas icônicas de como ela seguiu seu coração não importando os protocolos, como quando ela participou de uma corrida na escola do filho. Tirou os sapatos e mesmo com saias esvoaçando correu e ganhou, ainda que isso fosse considerado inadequado para uma princesa e contra o manual.

Todavia foi graças a esse jeito rebelde que Di é lembrada até hoje. Pelo jeito irreverente e por ter feito coisas que a realiza nunca tinha feito até então, mas que aos olhos do mundo ficaram marcadas para sempre. Di fez um trabalho excepcional e sem precedentes com crianças africanas. A cena dela carregando uma criança negra entrou para a história, assim como suas ações em prol do continente e
humanidade genuína. Ela se colocava a nível deles, sem roupas chiques, sem jóias, que os constrangesse ou gestos superficiais, aliás não faltam comparações da postura de Di e da atual princesa Camila, a qual demonstra clara aversão a presença e ao toque com os africanos.

Ser um gente boa inclui não se deslumbrar e manter sua essência. Desse modo no pouco ou no muito sua conduta e percepções se mantém. Aninha, de Chocolate com Pimenta enriqueceu ao se casar, mas nunca pensou em bens ou poder, queria apenas um nome para seu filho que nasceria. Ao voltar para a cidade de origem, ainda era a mesma menina humilde que não se importava em abraçar o primo que
acabara de sair da lida e adorava a comida caseira da avó, e mesmo quando perdeu tudo, pouco ligava para a simplicidade das roupas e da casa para a qual voltara, queria mesmo estar ao lado da família e ser útil, o dinheiro e posses não a deslumbraram a ponto de modificar seu jeito de ser, eram apenas uma condição transitória, sua personalidade era pra sempre.

Essas pessoas não fazem diferença entre as outras, olham a todos com o mesmo respeito que tem por si mesmos e sabem reconhecer o valor de cada pessoa. No filme Histórias Cruzadas, Celia Foto era hostilizada pelas outras mulheres da sociedade. Mesmo sendo branca, as outras mulheres a rebaixavam por ela ter sido da favela e morar longe da cidade. Ou seja, por mais que ela fosse bem casada, sempre a viam como ralé. E ficou pior depois que ela se tornou amiga da empregada Minie. Considerando que a cidade era extremamente racista, Celia quebrava esse ciclo de intolerância. Não se importava de comer
junto com Minie na mesa da cozinha, mesmo esta dissesse que não. Celia era amiga e não tinha problema mostrar isso com seu companheirismo e risadas, talvez por ser hostilizada e excluída sabia como era ruim e não fazia isso com outra pessoa, daí se recusava a ser como as outras mulheres da cidade.

Outra pessoa que se recusava a fazer distinção era Luna Lovegood. A doce amiga de Harry Potter era tão doce que todos a achavam esquisita. Dona de um senso e percepção únicos, era a mais gentil de todos. Lógico que ela sabia que a olhavam como uma boba, mas era educada demais para partir para a
briga. Em muitas ocasiões salvou a todos com sua astúcia, ainda que sob um véu de inocência. Ela tratava a todos de forma igualmente educada e polida, incluindo não bruxos. Quando ela chama Dolby de “senhor”, ele imediatamente se encanta com ela, por seu respeito e educação, algo hoje que pode parecer piegas, no fundo era uma forma de mostrar que não dá pra ser gente boa se você não for gentil de forma igual.

Alguém também que demonstrava o cúmulo da gentileza era Sara. A menina protagonista do filme A Princesinha demonstrou que você pode ser gente boa independentemente do meio que vive. Afinal, ela era uma menina rica, criada com luxo e conforto, tinha tudo pra ser arrogante como as outras meninas


de sua classe, mas tratava todos com educação, gentileza, não fazia diferença de cor, para ela não fazia sentido diferenciar alguém por isso. Era estranho a ela a dureza do mundo que queriam lhe impor, sua visão otimista e positiva não a deixava esmorecer mesmo que estivesse em um porão escuro, sentia-se feliz e imaginava coisas incríveis mesmo com pouco.

Ser gente boa é algo bem genuíno, é inegável que nasce conosco e cresce à medida que se envelhece, todavia também pode se aprendido de modo que a pessoa se torne melhor enquanto ser humano, pois no fim das contas, ser gente boa é justamente ser, acima de todas as coisas, mais humano.


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