sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Querido Tom 03

 


Talvez estejamos mais solitários, Tom. Quando somos jovens, estamos sempre cercados de pessoas. Lá e de volta outra vez, nos recreios vamos ficar com os amigos, invejamos os populares, tentamos nos introsar, afinal, ter pessoas ao redor é sinônimo de sucesso. Aí crescemos. A ilha da família nas nossas cabeças fica realmente pequena, pois a nossa própria casa torna-se menor. E aquele pequeno núcleo de pessoas também torna-se pequeno e insuficiente. A companhia dos demais vai sendo superestimada, o sonho de qulquer um nessa época é ser conhecido, é ser querido, estimado. Algo contribui muito para a constreução de percepções e desejos. Só que algo ali também se constrói e se fixa, só que nem sempre é consolador: o fato de você ser ou não alguém que terá braços ou costas. É ali, naquela época que de forma fatídica que se percebe o quanto realmernte se terá pessoas ao lado ou não. 

Muitas pessoas estão destinadas a terem muitos braços,. que sempre estarão abertos para acolher absolutamente todos, mãos que auxiliam, que jogam todos lá em cima como um balão, impulsionando as pessoas em seu sucesso, em seus caminhos. São braços que ovacionam, com mãos que aplaudem e sempre estão ali. Todavia há quem tenha costas. São pessoas que sempre serão abraçadas, que sempre serão acolhidas, terão os que tem braços sempre em torno acolhendo suas costas, nunca sentirão frio ou desolação porque tem braços de vários lugares para aquece-las. E há os que por uma sorte do destino, são os dois. Dão e recebem, na mesma medida. Dão abraços e recebem eles em dobro. São como um ímã, uma espécie de ser encantado, fascinante, que atrai as pessoas. De modo curioso, desde muito cedo, esse tipo de coisa já é definida. Nos grupinhos, o colega que abraça todos assim como o que se destaca são facilmente reconhecidos. Só que é importante reconhecer alguns pontos. Ser braço ou costa não tem a ver com interesse, não se faz querendo algo e troca, simplesmente o é, de forma nata. Quem é braço não necessariamente vive preenchido, pelo contrário, até na história do mundo se viu que as figuras que vieram com a missão de serem braços para o mundo sifreram com a sensação de abandono e solidão. Do mesmo modo como quem veio pra ser costas não é uma pessoa fraca, apenas mais provida que os outros. Seja por destino, por providência divina ou sorte, esses papéis são até bem definidos desde sempre. 

Vi pessoas que não importava o que fizessem, quando fizessem, tinham dúzias de mãos para dar suporte, apoio, mesmo que o tempo não estivesse a favor, porém lá estava a pessoa sendo carregada, ao passo que vi quem tivesse mais braços que um polvo, abraçar o mundo era quase uma vocação desde sempre, todavia estava em muitos momentos só, lidando com críticas por coisas ridículas e incompreensão ao extremo, tendo que aprender, seja por marra, por necessidade a cuidar de suas próprias costas, uma vez que não havia mais ninguém que fizesse. Com isso, Tom, podemos concluir que existe quem é Sol e quem é Eclipse. Todos buscam o Sol e querem ele, admiram, admiram seu brilho, seu calor, o sol atrai as pessoas para os lugares e momentos de prazer, definitivamente, ao menos na nossa galáxia, ninguém consegue viver sem essa estrela. o Eclipse não. Apesar de haver curiosidade, de alguns até acharem bonito e correrem pra tirar fotos boas toda vez que acontece, ninguém quer viver em um eclipse, copntudo, ali, naquele vislumbre, podem se aproximar por um instante daquele espetáculo dos céus, mas é apenas isso, um instante, depois, supondo que o Eclipse é uma pessoa, esta novamente seria deixada de lado para que os outros se aproximasse do Sol. O Eclipse, por mais legal, curioso, bonito e fascinante que pudesse parecer, estaria sozinho novamente...

Nenhum comentário:

Postar um comentário