Não chore, Misericórdia
Ainda tem muita dor por vir
Março é a amostra grátis de agosto. Parece de uma forma muito curiosa, este ano está vagaroso para as coisas difíceis e rápido para o que devia dar um tempo pra que se assimilasse ao menos por onde está indo. Mas a real é que em prerrogativa, Março é parecido com o mês dito do desgosto: não tem feriados, é bem longo, o primeiro no qual as pessoas respiram um pouco mais aliviadas depois das taxas do início do ano, mas se preparando para o imposto de renda e as compras dos chocolates da páscoa. Esse ano em Março a pandemia completou seu aniversário de cinco anos, em meio a um turbilhão de coisas em nosso país, na sociedade, até nas novelas e filmes no cinema. Março não foi fácil, mas ainda é só 1/4 do que vem por aí, só que já tem grandes lições.
1. 1. Nem sempre vão comprar seu barulho
Então você
PRECISA aprender a comprar ele por si só. É um fato, muitos vão ter pessoas ao
lado, ali defendendo, pessoas que vão comprar seu barulho e defender sua causa,
suas ideias, ou meramente dar apoio, fazendo você crer que não está só, contudo
há situações em que isso simplesmente não rola e você se vê que nem Jon Snow na
frente do exército. Muitos quando as coisas apertam vão se abster, ou
simplesmente renegar você três vezes, e nessas horas vem uma lição valiosa:
você precisa comprar seu próprio barulho e fazer sua parte, se ninguém segura
uma espada na sua frente, aprenda a segurar duas e se defender por si. As
pessoas podem se abster por inúmeros motivos, estes têm que ser peneirados,
porém a única pessoa que nunca pode deixar de se defender é você mesmo.
2. Nem sempre a justiça que você quer é a que vai ver
Dizem que a justiça
é cega, o que de fato é verdade, porém não de uma forma positiva: ela não
enxerga a todos igualmente. Muitas vezes somos acometidos de injustiças, de
atos horríveis, de coisas que fazem contra, é comum pensar onde está a justiça,
seja divina, seja legal nessas horas, porém fato é que muitas vezes as coisas
não vão ser propriamente da forma mais correta, nem sempre se vai ter a justiça
que se merece, ou o mais comum: nem sempre vai se ver a justiça merecida. É
algo que vai despertar raiva, desolação, revolta e sensação de que nada vale a
pena, porém lá no fundo, o único consolo e saber que ao menos a lei de causa e
efeito está aí, e cedo ou tarde todos pagam pelo bem ou mal que semeiam.
3. Aparência ainda é algo superestimado e valorizado
Vimos no Oscar.
Duas atrizes magistrais, com desempenho bom em seus papéis, técnica, ampla experiência,
mas quem levou a estatueta foi a garotinha bonita que rebolou o popô. E que com
detalhe nem era tão avantajado assim. Na escola, vemos muito isso, as meninas
mais bonitas sempre são as mais populares e vistas, as que não são tão bonitas
são as rejeitadas, as proscritas, por mais que tenham potencial e muito mais
conteúdo pra oferecer. Infelizmente, no quesito profissão isso acaba se estendendo.
Na saúde, muitos ainda condicionam capacidade do profissional a aparência
física dele. Isso é um perigo pra própria área, pois abre vagas pra usurpadores
que sequer estudaram ou são formados acharem que tem propriedade para algo, a supervalorização
da aparência dá esta validação. Curioso um país que superestima a aparência ser
o mesmo que reclama dos picaretas que ela forma.
4. Validação é diferente de contribuição
Um rapaz fez um
vídeo que achei magistral. Ele explicava sobre o porquê o preconceito NUNCA acabaria,
e a razão é mais simples do que parece: muitos dos que tem não só esta, mas
outras atitudes condenáveis, têm dinheiro, popularidade ou muitos seguidores,
logo ao ter estas coisas, que hoje são sinônimo de importância, acabam sendo
totalmente validados e aceitos em suas atitudes e condutas, por mais torpes que
sejam. Se alguém é assim tem tanto e tanta coisa “legal”, quem não tem nada
disso acaba sendo taxado de inútil. Contudo, fato é que ser validado em algo
errado não significa estar propriamente contribuindo com algo útil. Quantos
profissionais da saúde estiveram na linha de frente, pereceram de diversas
formas e viram outros perecerem, mas são sempre colocados de forma inferior a
outros “populares”, mesmo que estes falem as maiores besteiras? A sensação de
que o mundo acabou é inevitável, porém cabe sempre permanecer fiel aos valores.
5. Muitas vezes, você não será visto
É algo muito
dúbio, pois todos querem sentir que tem certa importância e valor, querem ser
vistos em suas ações, suas falas, suas ideias, contudo fato é que nem sempre
isso acontece. Talvez porque vivemos em um mundo no qual cada um está em sua
própria ilha, com seus próprios problemas, suas próprias questões e conflitos. Por
vezes a sensação de que não se é visto dói, como se só estivesse ocupando
lugar, porém há vantagens de proclamar em um teatro vazio. Há uma frase numa
série que diz: “Não temos lugar e ainda assim podemos ser o que quisermos.
Livres. Malucos”, ou seja, por vezes não ser visto dá uma liberdade de viver
sem se preocupar muito com julgamentos ou com o que os outros vão pensar,
ninguém julga o que não vê. É até uma oportunidade de olhar pra si e pensar nos
reais desejos, nas habilidades, no que realmente se gosta de fazer. A solitude
dá essa regalia.
6. Só quem chegou ao fundo, conseguiu se ver e ver os outros com clareza
Imagina que você chegou no fundo de um lago muito profundo. Conseguiu tocar a areia que está lá embaixo e olha pra cima. Você sente toda a pressão que é estar nesse lugar, você afundou de tal forma que chegou ali. Quem está em cima e olha pro lago, não consegue enxergar o fundo no qual você está, mas você do fundo consegue enxergar exatamente tudo que está em cima. Consegue ver as pessoas que olham pra você de lá, consegue ver suas expressões, consegue ver o quanto se importam ou não e consegue saber exatamente o que sente com relação a tudo, consegue ouvir seu coração e seus pensamentos, ali é um silêncio muito elucidativo. Todos que chegaram no fundo desse lago, quando voltam a superfície, JAMAIS voltam os mesmos e tão pouco enxergam as pessoas da superfície da mesma forma.







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