Quando eu tinha 16 anos obtive
uma grande vitória, ali pensei que viveria até os 100 anos. Hoje eu sei que não
viverei até os 30.
Com os altos perfis, os vídeos
motivacionais, os coachs e suas palestras sobre alto desempenho, guerras corporativas
e sucesso absoluto muito se fala dessa busca por grandeza, por riqueza, seja
monetária seja de reconhecimento, por notoriedade, enfatiza-se esse caminho
cheio de ouro e glória que se mostra como sendo o correto e o certo, porém o
que muitos não falam são dos guerreiros que por vezes vão cair e se deparar com
a derrota antes de chegar sequer perto desse final cheio de glória que pintam.
Quando se está em um mundo que
cobra que as pessoas tenham seu lugar nele, não raro segue um caminho que
muitos dizem ser o correto, o reto, o mais provável de dar certo. Analisa-se as
probabilidades e opções, e então se segue ele. Se pensa que se deu certo para a
maioria, então todos podem dar certo. Só que no caminho do guerreiro, ele
aprende a usar a espada, porém até resolver usá-la de fato numa batalha real,
percebe que ela é mais pesada do que parece. O oponente nem sempre, aliás,
quase nunca será justo, o terreno não será favorável, o guerreiro sentirá medo,
pensará se consegue de fato seguir em frente.
Todo guerreiro começa com um
treinamento, muitas vezes quando ele nem entende direito o que as palavras
motivacionais significam ou o poder que elas têm, só sabe que lhe são ditas,
que elas têm efeito e que devem ser algo muito importante porque seus mentores
e suas figuras de autoridade fazem parecer assim. Ele sabe que tem algo importante
a frente, é ensinado sobre isso e faz o que lhe mandam, é isso que a disciplina
significa e como ele pode dizer que não é assim, se vê todos os outros que
tiveram sucesso trilhando esse caminho?
Esse treinamento de palavras
depois avança pra prática. Começam as instruções de como manejar uma espada, de
como se mover, a agir, pensar, tudo pensando no momento em que o confronto vem,
no dia em que essa batalha que sequer se sabe bem como será, como se apresenta,
ou contra quem vai acontecer, na verdade mesmo com essa preparação, por vezes
tudo parece longe e hipotético, nem se consegue por vezes visualizar como isso
vai ser, apenas se coloca todo um verniz brilhante de que será um momento
colossal, no qual depois dele tudo vai ser diferente.
Tanto tempo de treinamento,
empenho pra esse guerreiro fazem tanto sentido que a vida dele passa a se
mesclar com tudo. Ele não se enxerga fora disso, não se enxerga não fazendo
isso, de repete é como se a vida dele fosse isso. E vem o momento do confronto,
o momento em que depois de fazer tudo que os mentores disseram que devia fazer,
tudo que foi treinado pra fazer, finalmente pega a espada e vai pra sua
batalha. Lógico que antes da batalha de sua vida há outras menores, funcionam
como uma escada de pequenos degraus, mas o topo é o visado e cobiçado. E nesse pequeno
trecho de caminho existem pedras, obviamente que existem derrotas, perdas,
abdicações, lágrimas, porém o guerreiro não se abate, ele continua, insiste,
ele quer fazer tudo valer a pena, porque quer ter seu nome reconhecido afinal,
quer sentir como é essa vitória e essa sensação de sucesso que todos dizem que
é incrível.
Chega o momento, ele vence! Ele
crê que ali conseguirá o mundo! Ele crê que contarão histórias com seu nome,
que todos o conhecerão, ele crê que chegou ao topo, que finalmente o
reconhecimento virá. Contudo, o que ele não sabia era que esse topo dele era
menor do que parecia e havia muito mais depois, e com isso ele permanece na
luta, mas espadas não se cansam, seus manejadores é que se confrontam com a
derrota que o cansaço de as manejar gera. E o guerreiro cai.
Nisso que ele cai, sofre o peso
da desolação. Ele sente o peso dos anos investidos sem pensar em mais nada que
culminaram em uma derrota, da qual ele se levanta, mas nunca com o mesmo vigor,
nunca com a mesma empolgação, com o mesmo entusiasmo, apenas segue tentando
permanecer vivo, porém algo dentro dele se quebra, afinal, uma hora mesmo os
grandes de nome precisam admitir o cansaço e desgaste das batalhas, por mais
que tenha tido vitórias.
Hoje se vê isso. Muitas pessoas
buscam o sucesso constantemente, acham que estão no topo do mundo, creem que o
seu próprio mundo será incrível, e tentam incessantemente mudar ele, fazê-lo ser
como nos filmes de grandes reviravoltas, porém algo acontece e se percebe que
isso não será possível. Não que isso seja uma ode a desistência e se afundar na
mesmice, nunca tentando melhorar, mas uma reflexão de que por vezes há quedas e
que talvez a glória absoluta como se é pintada como único caminho para o
sucesso e felicidade plena, simplesmente não é o mesmo para todos. Por vezes
alguns guerreiros serão bons só pelo fato de serem bons, sem grandes holofotes,
sem grandes regalias, mas estarão sempre num lugar de simplicidade e modéstia. Podem
não ter seus nomes reconhecidos ou conhecidos, mas na discrição podem mudar
suas pequenas vilas.
Muitas vezes isso pode ser como
uma “queda”, uma sensação de que houve falha, porém o guerreiro sabe que deu
seu melhor para o mundo da forma como podia e que era possível no lugar que
estava, por vezes é difícil admitir isso e não ver como uma derrota, é difícil
ver os sonhos de glória se esvaindo ainda mais em um lugar tão competitivo, tão
enfatizador de pompa e notoriedade como o que se vive hoje, porém, o guerreiro
em nome de tudo que viveu e investiu não deve nem pode descredibilizar suas vivências,
afinal, no fim quando estiver diante de seus feitos será somente ele e sua
espada. Muitos dos sonhos pode ter ido embora, essa derrota que é a queda dos
sonhos e expectativas gera dor, a morte dos projetos equivale a uma morte no
campo de batalha, contudo ainda podem haver possibilidades para esse guerreiro
se levantar.
Portanto, ainda que se sinta como um guerreiro caído, cabe lembrar o quanto muitos dos maiores guerreiros tiveram seus feitos grandiosos, porém no fim, talvez não fossem lembrados, porém para eles um momento de paz era o mais valioso dos sonhos de verão.



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