Ás vezes crescer é doloroso. Ás vezes você pensa em voltar à vida simples e tranquila de quando as preocupações eram escassas. Pensa 1001 coisas que gostaria de fazer e lugares para os quais gostaria de fugir quando se apresentam as adversidades do dia a dia.
Muito pouco sabemos até que nos tornamos autosuficientes. Talvez muito pouco se saiba de que se quer até que o que não queremos se apresenta. Alguns sabem o objetivo, mas não o caminho, sabem o que querem, mas o caminho ás vezes machuca, é áspero e não há motivação para percorre-lo. Há muito que se pode desejar em tempos como o nosso. Muitas coisas são vistas e lá no fundo de nós uma força clama por algo diferente e melhor. Pode ser bens materiais, mais paz e sentimentos nobres para com o próximo, dependendo da vida que tem e do que valoriza, os desejos mudam bastante. Os caminhos que se seguem e o modo como são seguidos é que varia bastante.

Um dos maiores desejos do mundo que tenho visto é: igualdade social. É um desejo muito nobre e bonito: um mundo no qual todos têm as mesmas coisas e oportunidades, no qual todos ganham buscando essa igualdade por vezes é violenta e ignorante, carregado de preconceitos. Não parece lógico que eu, assim como muitos, queiram ganhar R$ 10000,00 num único emprego? Possa ficar viajar três vezes por ano pra lugares legais, gastar mais a vontade com hobbies tipo cosplays e coleção de figurinhas? E não é por nada não, mas pouco importaria se o lixeiro, a costureira ou a faxineira ganhassem parecido, o que importaria é que fosse suficiente para as necessidades e uns pequenos supérfluos.
Por vezes há o questionamento sobre como a situação se encontra, seja a situação do país ou do mundo. Sempre sai uma discussão ou reportagem sobre um país superdesenvolvido onde faxineiras tem uma Hilux; por vezes não compreendo o objetivo. Talvez sejam vários. Enfatizar nossas diferenças, criticar nossa política, atacar classes, ou quem sabe, dar um incentivo mostrando que é possível uma igualdade e vida boa a todos. Isso era o desejado, cobiçado por uma grande parcela da população. Talvez houvesse menos inveja, não seria alarde dizer que se conseguiu uma vaga em uma universidade estrangeira, nem haveriam rótulos de "classe é isso ou aquilo", haveria menos agressão e crítica se esse desejo fosse realizado.
A grande questão é se estaremos preparados para isso. Damos mesmo valor ao que se tem em termo de trabalho? Como seria, com nossos atuais valores e crenças ter um salário altíssimo com poucas horas de trabalho? Temos a capacidade de valorizar? Por vezes mal conseguimos valorizar o mérito do outro como algo positivo e passível de exemplo, o que dirá algo que venha tão fácil e tão efêmero pode ir...

Quem estamos valorizando como potenciais realizadores desses sonhos? Qual o calibre das pessoas que colocamos no poder e que poderiam estar trabalhando neste instante para que os salários fossem mais dignos assim como a vida geral da população? Por vezes é revoltante, admito. Mas lá no fundo, talvez, temos o necessário pra evoluir. O bastante para que em nós questionamentos sejam gerados e nos façam refletir sobre como se encontra nossa vida, sobre pequenas atitudes que repercutem em um todo bem maior. Queríamos pessoas honestas que dessem um jeito em pontos básicos mas na realidade nos deparamos com presidentes cavalos que não pensam em ninguém, força a pensar em outros meios de mudar as coisas, modos de alcançar a vida que vemos em jardins vizinhos e queremos pra nós. Considerando muitos conceitos recentes que tenho visto quem sabe daqui a uns 200 anos a gente consiga. Claro, isso se não tivermos problemas maiores como a falta de água ou uma guerra pela floresta Amazônica.
Muito desejamos, muito queremos, somos uma máquina de desejos incontrolável. As questões quenão se calam são: O que estamos desejando pra nossa vida? O que estamos fazendo pra conseguir? E o que precisamos aprender antes de conseguir?