quinta-feira, 19 de novembro de 2015

História de Cosplay - Katniss Everdeen, o Tordo





Eu tinha planejado este cosplay há exatamente um ano. Dizem que as coisas começam e terminam da mesma forma e eu acredito piamente. Esse cosplay começou com todo o stress que o mestrado estava me causando e ficou pronto em meio ao mesmo stress, acrescido de uma pitada de revolta e mais uns malefícios devido a humilhações e esporros. Embora essa seja outra história, o cosplay da Katniss estava metido nisso tudo de forma muito profunda, não poderia dizer outra coisa sabendo que o cosplay e entrega do meu trabalho final seriam no mesmo dia.


Katniss desde o primeiro instante se mostrou uma garota forte, determinada, que cuidava da irmã, que sabia o que queria. Ela entrou nos jogos de forma inesperada, afinal, ela nunca imaginou que a irmã fosse ser sorteada logo no primeiro ano. Só que ao ver a realidade do que eram realmente, com sua espontaneidade acabou desafiando um governo inteiro. Acho que nesse ponto eu me identifiquei. Eu sou uma pessoa que nem sempre segue as regras, não no sentido ilícito mas não gosto de padrões pra se chegar em algum lugar ou alcançar um objetivo e não gosto de quando tentam me obrigar a tentar segui-los, afinal cada pessoa tem sua forma de evoluir e pra isso se precisa de tempo e elucidação, não de comparações.

Apesar dessa "rebeldia" Katniss foi tentando viver apesar dos enormes fardos que carregava. O peso de ter que conviver com a matança dos outros tributos e ainda ter que se vangloriar disso diante de festas por vezes era penoso e triste, gerava pesadelos e noites sem dormir. Viver assim é como estar numa prisão sem muro. Você está submetido a tantas normas e comportamentos que não são seus que só respira quando sai da encenação toda. 


Katniss começou a respirar quando abriu as asas do Tordo. Quando ela abriu as asas depois de rodopiar com o vestido de noiva, começou o passo pra liberdade. Eu a um ano estava assim. Presa numa aparência que parecia linda mas que por baixo uma liberdade queria vir. E foi a um ano que decici que faria o cosplay da Katniss. Decidi que queria abrir minhas asas também, me sentir livre, voar como um Tordo...

Ano passado não deu muito certo. O arco não ficou pronto e ainda tive problema com o cosmaker, a roupa nem de longe era o que eu precisava, enfim... Um ano depois, ainda que planejando com cuidado, teve imprevistos. O arco tem uma história emocionante por trás, que eu comentei na página; as flechas ficaram prontas no dia e a roupa, algumas horas antes. Fiquei tensa, afinal a trança e a maquiagem seriam feitas na garantia de que iam ficar boas e até que ficaram! 

De início não me senti tão incrível quanto achei que me sentiria, mas depois... vendo o quanto as pessoas foram receptivas e estavam voando comigo, vi que todo o stress valeu a pena. Nessa hoa em que se abre as asas, os pequenos defeitos que só a gente vê ficam pra trás. Eu estava sendo eu, debaixo do cosplay da Katniss voando como um tordo. Livre. Feliz...

É claro que fui na estréia e esse foi o bônus do cosplay. Passei uns maus e bons bocados antes desse dia, mas quando eu fui lá na frente do cinema, de Katniss e fiz o gento dos três dedos e vi toda aquela gente me acompanhando, isso deixou meu coração mais forte. 


O filme foi muito bom. Cheio de ação, história, bons atores e atrizes... Mas eu assim como fui a Katniss em seu traje de guerra lutando contra um regime autoritário, espero poder também ter momentos como os que ela teve na campina do 12: sentada, sorrindo, serena e cheia de paz.




Materiais:
Roupa - Costureira
Broche - Enjoei
Sapato - Posthaus
Lentes azuis - Nexus Store
Arco e flechas - Feitos por mim

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A polêmica facebookiana da mamada



Essa semana a polêmica que sacudiu o facebook foi a de uma estudante de veterinária que criticou e meio que ofendeu várias mães que amamentam, especialmente em público. Ultimamente basta uma fagulha jogada na internet que vira uma bomba atômica com direito a protesto fora das redes, textos rebate e notícias. E com essa questão da amamentação não foi diferente.

A estudante foi realmente rude. Acredito que ela tocou em três pontos muito delicados. O primeiro o de pessoas denominadas "pobres", neste sentido remetendo a questão financeira e de instrução. O segundo o de uma função que remete ao corpo feminino e que somente ele executa. E o terceiro unindo os dois primeiros, onde a estudante diz que quem executa esta função automaticamente é "pobre".

A mesma estudante ainda insinua que amamentar seria um joguete do governo para economizar nos potes de NAN (leite artificial). Ao que eu saiba, mesmo que o governo nunca dê um ponto sem nó, o incentivo a amamentação visa economia sim, só que não nas latas de NAN, mas nos recursos hospitalares. Crianças que ficam doentes precisam de leitos, remédios, cuidados. As que são acometidas por diarréias, pneumonias, desnutrição e anemia lotam muitos postos de saúde, ocupando leitos sendo que em determinado ponto estes faltam não só para estes casos como também para outros mais graves, resultando num verdadeiro caos.

O ato de amamentar (comprovado por pesquisa) influencia muito no laço e vínculo da mãe para com o bebê, além do que biologicamente não só é o alimento mais completo para o bebê como também é o que ele CONSEGUE digerir. Claro, salvo excessões (falarei posteriormente) os bebês por não terem desenvolvimento completo de seu sistema digestivo não conseguem dissolver determinadas substâncias podendo resultar em cólicas e complicações.

A moça da postagem disse que o governo quer transformar as mães "pobres" em vacas leiteiras através do incentivo a amamentação. Eu pessoalmente olho o quanto se ofenderam pelo adjetivo "vaca", mas se pensarmos logicamente, somos tão mamíferas quanto elas, quando se trata de dar leite, mama e teta assumem conotações iguais, só que em espécies diferentes então da mesma  forma que elas alimentam o bezerro é a mesma forma que mulheres alimentam seus bebês. O que em nenhum momento deixa de ser bonito. 

Para criticar o exato ponto de amamentação ser "coisa de pobre" inundaram o facebook com fotos da Gisele Bündchen amamentando sua filhinha enquanto estava sentada no salão. Eu nem olho por esse lado, a Gisele é modelo famosa, então se ela postar uma foto das fezes vai virar notícia de como a dieta dela faz elas terem um aspecto melhor. No caso de amamentar curiosamente, a mesma foto que embasou o argumento de que não é coisa de pobre mas de qualquer mulher, foi a mesma que na época sofreu polêmica por Gisele apesar de estar dando mama era de longe o melhor de exemplo de mãe multitarefa, já que parecia que ser mãe era só dar de mamar com um batalhão da beleza em volta. Valeu a intenção mesmo assim. 

Devo fazer uma observação com relação a postura da moça. Mais pela foto do que pelas palavras. Amamentar é lindo, porém em termos concordo que não deve ser feito de qualquer jeito. O que inclui como se mostra na foto, você estar pedalando, botar o peito pra fora na boca da criança e continuar pedalando passando por buracos e lombadas. Acho que esse momento exige uma consciência corporal, olho no olho, calma, amamentar é dos mamíferos, mas o sentimento e empatia são humanos.

Eu não mamei muito. Tipo, foram dois meses e só. Não porque minha mãe não quis, não por medo do seio dela cair, por nada disso. Eu simplesmente enjoei o leite, do mesmo jeito que não gosto de leite até hoje. Ela não me deu NAN, mas nesquik. Não sou obesa, tenho boa saúde e fui uma criança robusta. Acho que deviam olhar também para estes casos, nos quais a mãe quer amamentar mas por algum fator nela o no bebê, esta não é possível e nem por isso ela é menos mãe.

Acredito eu que amamentar é um ato divino, favorece empatia e vínculo, embora não seja a única opção. A crítica que a moça fez foi rude e ofensiva, mas se o filho dela é saudável mesmo sem ter mamado, bom para ambos. Devo lembrar que esse momento é acima de tudo, um momento meio ilha. É um momento no qual mãe e bebê ficam meio isolados do mundo, só sentindo aquela sintonia. é um momento, sobretudo, de amor.