sábado, 31 de dezembro de 2022

Lições de 2022 que estarão em 2023



Finalmente chegamos ao fim de 2022! Este foi um ano de extremos desafios, em todos os sentidos. Pessoais e coletivos, na questão política, social, vimos máscaras caírem, sofremos frustrações de variadas nuances com relação a como a humanidade e em especial nosso povo conduziram as situações, como lidaram com as coisas, vimos absurdos e nos indignamos. Vi uma frase de uma “autora” que dizia que não queria ter terminado 2022 mais forte, mas mais feliz. A autora em questão não se importa de demonstrar amargor e arrastar outras moças para seu poço, e ainda por cima mesmo se dizendo autora demonstra clara inveja daquelas que são jornalistas e escrevem textos de fato. Esse foi só um exemplo de como muitos foram a contradição em pessoa, aliás, como muito em nosso país foi a contradição todavia nada impediu que muito também fosse aprendido, observado e muitos de nós sim, nos tornamos melhores em muitos aspectos, com mais aprendizados do que quando começamos. Então aqui vão algumas coisas que pude tirar de 2022 e que vão permanecer em 2023, alguns vieram cheios de pesar e desolação, mas o aprendizado ao fim deu imenso prazer.

1. Alguns ciclos precisam ser encerrados

Em um filme que vi certa vez havia o que se chamava de “fenda”, consistia em uma espécie de roda do tempo, na qual as últimas 24h se repetiam, sempre as mesmas 24h do mesmo dia, a responsável pela fenda fazia o relógio voltar na hora X, dessa forma ninguém envelhecia ou avançava. Muitas vezes alguns ciclos parecem bons e nós nos apegamos a ele pelo conforto que nos trazem, pela alegria que sentimos todavia nada dura para sempre e por vezes esses ciclos precisam chegar ao fim, não necessariamente porque são ruins, mas porque como seres humanos somos seres em evolução e precisamos seguir em frente, precisamos do novo para aprender e crescer. Alguns ciclos podem ser “eternos” mas não da forma como se espera, mesmo essa “eternidade” será diferente e da melhor forma para que se possa crescer. Ás vezes dói deixar coisas pra trás, todavia quanto mais consciência se tiver de que é necessário e se abraçar isso com carinho e cuidado, o processo será mais leve.

2. Algumas coisas são como são

 A revolta e indignação tomaram conta este ano de muitos de nós. Muitos tentaram lutar, falar, gritar de vários modos, porém a questão é que muito não pode ser mudado de uma vez. Aliás, muito sequer está ao alcance para ser mudado, logo cabe meio que aceitar como é, não passivamente como que aceitando como correto mas tendo a percepção e consciência de que as tentativas de mudar algo fora de alcance resulta em desgaste e perda de energia desnecessário que conduzirá apenas á frustração. Então perceber que muito é como é, saber lidar da melhor forma, se respeitando é uma forma de sabedoria.

3. E se algumas coisas não mudam, mude você

E tendo por base essa questão de que muito é como é, é óbvio que muito não vai mudar, logo quem precisa mudar é o próprio indivíduo. Conheci um colega certa vez que era um dos melhores da leva profissional de seu setor, ele cumpria os protocolos, fazia tudo direito e era muito dedicado a todos e aos clientes, todavia por ele querer fazer tudo certo esbarrou justamente nas condutas não muito certas, nos protocolos não cumpridos e pessoas que também eram totalmente apáticas e negligentes com o trabalho, daí depois de um tempo vendo seu potencial e energia sendo desperdiçados com a gota d’água disse que ali tudo continuaria igual, então quem tinha que mudar era ele. Recebeu uma oportunidade de crescimento na qual ele iria se aprimorar, trabalhar menos e ganhar bem mais. Ou seja, ao deixar de gadtar energia desnecessariamente tentando mudar e elucidar quem não queria ser mudado, investiu em si mesmo e atraiu tudo que havia de mais abundante. Podemos estar em um ambiente limitante, mas não significa que temos que nos adaptar a esse aquário ao invés de sempre buscar um oceano.

4. Por vezes NUNCA é algo positivo

Parece muito contraditório, porém depois de experiências e aprendizado, se percebe que a ressignificação é a chave para tudo e situações nas quais se recebe NÃO ou aquelas nas quais se pensa NUNCA na verdade são apenas o início de uma possibilidade de SIM. Lógico que são necessários anos de reforma íntima para chegar nesse nível de resiliência e estratégia pessoal, todavia quando se adquire essa habilidade de se receber uma negativa e não se abater totalmente por ela, tudo na vida fica de forma menos pesada. Mesmo o NUNCA se transforma em uma prerrogativa para algo além, se consegue traçar de forma mais rápida planos alternativos e não se perde tempo com impossibilidades nem se insiste em ideias perdidas.

5. Sempre há chance de algo surpreendente ocorrer

Perto de dezembro, eu percebi certa desesperança de muitas pessoas, inclusive eu. Estávamos em um buraco negro de obrigações, exaustão devido obrigações e sobrecargas não propriamente por culpa nossa mas por situações alheias a nossa vontade e que não conseguíamos mudar, um burnout absurdo que fazia ter a sensação nítida de que nada de novo ou interessante aconteceria. Mas aconteceu. Para mim, de repente a oportunidade de fazer um curso com um ídolo, um dos melhores do seu ramo e ter cinco minutos ao vivo de conversa com ele. Muitos o veem como o criativo, o artista, eu o vi como anjo, pude dizer que ajudou a recuperar algo de muito bom em meu interior que ficara soterrado diante de tantas rugosidades. Foi algo inesperado mas que me fez sentir de novo algo que eu tinha deixado pra trás e que me ajudava a lidar muito melhor com as adversidades. E isso foi algo que jamais esquecerei e me fez crer de novo que não desistir ainda vale a pena.

6. NÃO Existe o tal ANO NOVO

Pode parecer estranho dizer isso, todavia conceitualmente, o tal Ano Novo é apenas um dia. Uma virada de meia noite a meia noite e um. Lógico que toda a energia do calendário, aquela coisa das simpatias para boas energias e recomeço valem muito a pena, porém no meio de trabalho que vivo algumas fichas caíram e essa foi uma. Pensemos em pessoas internadas em hospitais, para elas não faz diferença a data comemorativa pois estão em uma situação triste e longe da família, para elas o Ano Novo será quando saírem, ali sim, será seu recomeço, sua mudança de valores e metas. O dia 01/01 para elas é apenas um dia, mais um dia. Com os anos, a percepção de que qualquer dia pode ser um Ano Novo foi se instalando. Uma frase reiterou isso mais ainda: “Não adianta comemorar o Ano Novo se no final dele você terminar reclamando das mesmas coisas”, ou seja, não adianta clamar por metas se não houver modificação para cumpri-las, não adianta traçar objetivos se a mesma preguiça do ano anterior imperar, não adianta querer que tudo seja diferente se continuar com as mesmas atitudes. Se for pra ser Ano Novo, seja ele numa quarta, num sábado ou em qualquer mês do ano, que seja pra valer, com a energia e disposição pra fazer de fato diferente e despertar pra uma nova vida.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

10 dicas para trabalhos acadêmicos - Parte 2

 


Então o tempo passou e o trabalho avançou na estrutura, nos conceitos, se aprimorou, virem novos desafios e novas orientações. Lógico que no processo de fazer um mestrado, doutorado, TCC, enfim, existem fases que não podem ser ignoradas e o aprendizado vai se aprimorando, assim como as habilidades. Só que considerando essas fases obviamente que algumas dicas podem ser muito úteis e ajudam bastante para que o trabalho se finalize da melhor forma possível.

1. Atente-se para os extras
Todo programa no ramo acadêmico sempre envolve processos e créditos a serem cumpridos, tanto pelos alunos quanto pelos professores. Por mais que tais créditos possam dar trabalho e envolvam uma dedicação extra, são de suma importância para que o programa crie mais credibilidade, atraia mais investimentos e se desenvolva, gera mais vagas para que mais pessoas se qualifiquem e mais produções de qualidade sejam feitas, produções essas que servirão para a sociedade e tenham repercussão positiva. Logo, estes extras são critérios que mesmo um tanto inconvenientes em alguns casos, são exigências que estimulam a disciplina e atenção do aluno.

2. Procure fazer seu melhor e demonstre no processo
Se uma das dicas é não deixar seu orientador em paz, procure fazer sempre o melhor, se por ventura as circunstâncias não permitam o máximo, chegue perto disso. Demonstre a importância que tem pra você, o processo é longo, com várias etapas a serem cumpridas, cada etapa tem sua dificuldade então se você não se empenhar com esmero, as fases parecerão mais difíceis e pesadas. Os professores possuem interesse em sucesso tanto quanto seus alunos, logo é importante o empenho em todo o caminho, o interesse abre muitas portas e muitas vezes os frutos podem ser mais abundantes do que se imagina quando fazemos nosso melhor.

3. Procure profissionais com antecedência
Se você valoriza seu trabalho, é óbvio que ao buscar ajuda profissional para algum ponto dele vai desejar alguém que leve a sério tanto quanto você. Alguns programas geram o que se chama de produtos, são como resultados práticos e físicos do que foi proposto, os quais serão apresentados e dados a sociedade em retorno, numa forma de melhorar serviços e ajudar processos e pessoas. Dentre muitos produtos que são propostos estão cartilhas, aplicativos, e-books, bonecos demonstrativos, fichas avaliativas, tudo visando incrementar o ambiente no qual o profissional está inserido, então muitos destes produtos precisam ser encomendados com profissionais de ramos específicos como designers, arquitetos e desenhistas, então a dica é que você busque alguém que vai saber confeccionar o produto da forma como o trabalho propõe e funcional, alguém que leve a sério os prazos, materiais de qualidade e ética.

4. Salve cópias em todo lugar
Nunca se está salvo de um pen drive que queima, um computador que pega vírus, um HD que trava. O trabalho obviamente dá trabalho, logo é importante que se salve não somente em vários locais, tenha uma reserva, mas também em vários formatos. É importante ter uma retaguarda, enviar a e-mail pois fica guardado em nuvens online, salvar no celular para o caso de não haver um computador disponível e em variados pen drive para o caso de haver um problema de última hora. E se for o caso, envie para pessoas de confiança para mais segurança e ter mais uma opção segura.

5. Faça check list
Listas são ótimos indicadores para se acompanhar o avanço do trabalho. Enquanto escreve, fazer uma lista com os tópicos que merecem mais atenção é ótimo; fazer uma lista para checar as referências; tópicos para se destacar na apresentação oral e até mesmo no dia da apresentação todas as coisas para se atentar antes do horário, tudo a se levar e atentar. No dia de minha apresentação, fiz uma lista para se checar tanto de coisas a se levar na bolsa referentes ao trabalho quanto tarefas antes da apresentação, como pedir o coquetel e acrescentar alguma figura em algum slide, tudo com muita antecedência e administrando o tempo, nesse ponto a lista é ótima para se ter uma noção do quanto ainda se tem pra fazer e do que já foi cumprido.

6. Revise, revise, revise e peça para outros revisarem também
Sempre se menciona que nenhum trabalho é perfeito, que sempre fica uma ponta solta, uma virgula fora do lugar, uma referência não colocada. Lógico que a banca vai olhar o principal, a construção geral, os alicerces, alguns detalhes podem passar por não repercutir de forma tão significativa no trabalho como um todo, mas a revisão é importantíssima. Uma vez, duas vezes, 10 vezes e ainda vai se achar pontos que poderiam ser melhorados, pois a cada olhar poderá haver uma percepção diferente. E se for o caso, peça para alguém revisar, muito provavelmente esta pessoa vai achar uma palavra errada. Eu achei na última hora referências do texto não colocadas na parte final, houve desespero e correria para a produção de uma errata. A banca se admirou e até em tom de brincadeira disse que foi uma “auto orientação”, mas mencionou que focavam no principal. Lógico que isso não exime de sempre se buscar a perfeição, até porque a versão final vai precisar passar por uma revisão profissional ortográfica e de regras de formatação, então quanto menos erros, melhor.

7. Ensaie a apresentação
Ensaie, cronometre o tempo e tente sempre focar nos pontos mais importantes e relevantes. Lógico que o trabalho gera um orgulho tão grande que se quer falar dele em todos os seus detalhes, todavia existe um tempo limite para a apresentação, e nisso a banca fica atenta, alguns professores cronometram e monitoram se o orador passou dos minutos estipulados. Não o fazem por maldade ou para tirar pontos, mas para verificar a oratória e capacidade de síntese do aluno de passar a mensagem que se quer e se fazer entender. É importante ensaiar a apresentação, pode-se até gravar a si mesmo falando e colocar sempre nos slides o principal e focar nisso, e sempre tentar falar de forma clara, concisa e com expressão.

8. Mantenha contato com os colegas e troque ideias
Por mais que os trabalhos sejam individuais com assuntos diferentes, não significa que não se deve manter contato com os colegas e trocar ideias. Mesmo que a logística tenha mudado e o campo on-line tenha ganhado um espaço maior, é importante trocar ideias com os colegas de turma, principalmente sobre informações, processos a serem cumpridos, a experiência de um ajuda o outro e ambos crescem mutuamente em suas respectivas áreas, tendo ambos também sucesso.


9. Seja grato
Sempre agradeça e seja humilde. Agradeça a todos, desde os professores que orientam, a banca que vai julgar o trabalho, até as pessoas da coordenação. É preciso ser grato para que as pessoas possam adquirir confiança em você e em seu trabalho. Esteja sempre disposto a melhorar e aceitar sugestões para tal, ouça e mesmo que não caiba a sugestão esteja grato pelo tempo que alguém se dispôs a dar.

10. Não deixe esfriar
Nem é preciso dizer que parar de estudar jamais. Lógico que trabalhos visando títulos tem um limite, em grau ao menos, mas sempre se pode ter disposição para ter mais de um título do mesmo naipe, embora se possa com eles investir em outras coisas como artigos ou passar o conhecimento adquirido. Nunca se deve duvidar do poder do conhecimento e do estudo, é a coisa que se pode dizer eterna, cujas experiências poderão ser úteis para várias coisas na vida e se pode servir de exemplo para outros que estão ainda no início do caminho.



domingo, 25 de setembro de 2022

O Luto: o que é

 


O luto é algo no mínimo curioso. É uma palavra que causa temor em uns, causa pena em outros, mas em algumas pessoas ainda que ela paire sobre suas cabeças, pode ser sinônimo de conforto e paz. Muito desse imaginário vem porque luto não existe sem morte e morte não vem sem dor, e como os seres humanos fogem da dor causada pela morte, obviamente que a palavra luto não vai ser associada com coisas brilhantes e felizes.

Luto por definição é “um conjunto de reações a uma perda significativa”, aí começa a primeira coisa notória nessa conjuntura. É dita a palavra “perda”, não morte. Logo, se pressupõe que a morte não necessariamente significa perda, porque muitos não olham desse modo, a morte de algo pode significar muito mais uma oportunidade dependendo da situação do que propriamente uma perda.

O luto possui cinco fases. É muito comum nos cursos relacionados a humanas e saúde se falar nelas. Para que se possa identificar qual fase alguém de luto se encontra e tentar trabalhar em cima das reações e sentimentos que isso desencadeia. O luto é acima de tudo um processo, todavia o quanto esse processo vai durar até o chamado “ficar bem” varia muito de pessoa para pessoa, do quanto são profundas suas percepções, envolve muito de apego e como lidar com expectativas.

A primeira fase do luto é a negação. Seja qual tenha sido o objeto da perda, de início se nega isso. Por vezes, se tenta pensar que nada aconteceu, que foi tudo um sonho ruim, que as coisas são possíveis de continuar como eram antes. Se implora por isso. Quando não se tenta modificar a realidade


mentalmente, se tenta o afastamento de tudo que faz lembrar aquilo que foi perdido. Aí vemos pessoas que do nada desaparecem, largam ou pedem licenças de seus empregos, se afastam das famílias, da vida ou tenta negar a vida como se ao tomar tal atitude, pudessem ser outra pessoa que não esteja sentindo e passando por tudo aquilo.

A segunda fase é a raiva. Perdas normalmente trazem sentimento de injustiça. E quando a perda está personificada em uma pessoa, isso tende a se acentuar de um modo bem inflamado. A raiva é um sentimento de explosão e reação, logo se supõe que ao dar vazão a ela se esteja tentando reagir a algo e assim formar um escudo para não se machucar mais. Quando se trata de luto, vale a questão de “a


melhor defesa é o ataque”. No desenho Super Choque, Virgil nunca conseguiu lidar bem com a morte da mãe. E dados alguns episódios, ele se mostra preso na fase da raiva, pois não tolera que falem nela perto dele, não tolera lembranças dela, sequer tolera pensar em expressar seus sentimentos com relação a ela e com isso reage grosseiramente com sua família quando esta tenta coloca-lo em situação de contato. A fase da raiva tem a ver com revolta. Existe um certo sentimento de que se foi injustiçado e não se devia ter perdido o que se perdeu, seja uma pessoa, seja um desejo. E se por acaso, uma pessoa se envolve nesta “perda” tudo se torna mais aflorado e potente.

A terceira fase é a barganha. Leia-se aqui negociação, existe um certo sentimento de pensar em múltiplas possibilidades e alternativas que poderiam ter mudado o que houve, formas de ter feito diferente, independente da religião, muitos dão vazão a um contrato com suas divindades, numa tentativa de amenizar a própria dor. Certa vez, uma mãe perdeu sua filhinha mais nova afogada em uma piscina, em uma sequência de fatos totalmente inédita para a rotina da família. A menina conseguiu abrir portas que nunca havia aberto, desceu escadas sozinha que nunca tinha descido, o despertador não


tocou... Nesses momentos, o “E se...” torna-se um carrasco cruel. A mãe disse a seguinte frase: “Eu senti tanta dor que se Deus me desse um balde e me dissesse pra esvaziar o oceano com esse balde em troca de ter minha filha de volta, eu iria”; em um livro com história parecida a mãe acusa o marido e todos pela morte do filhinho, “se você não tivesse mandado o empregado a rua com uma lista enorme de coisas pra comprar ele teria voltado com o cadeado daquela maldita piscina e meu filho nunca teria entrado lá”. É como você tenta se convencer de que se fizer algo muito grande poderá ter o merecimento de receber de volta o que lhe foi tirado.

A quarta fase é a da depressão. Embora esteja em lugar quatro, é a mais intensa e visceral de todas. Talvez porque neste momento, há um certo cair de ficha que nas outras não existia, o combustível não mais se pauta numa reação, mas na passividade. O enlutado sente que tudo é real, sente a dureza dos fatos, o vazio na sua forma mais pura. Então as reações nesta fase se pautam na tristeza sentida, chorar


copiosamente ou sentir vontade de faze-lo nos momentos mais impróprios, o sentimento de viver em um arrasto constante, como se cada nascer do sol fosse uma espécie de vitória dolorida, porque para muitos a vontade é de não o ver mais. As lembranças nessa fase são mais densas também, em todo lugar que se olhe, qualquer som que se escute, existe associação imediata com a perda, é como uma presença agridoce que não se pode livrar.

A quinta e última fase é a aceitação. Aceitação do que não se pode mudar de fato, porém não de um jeito penoso ou doloroso, mas resignado seguido de alívio e certa tranquilidade. Os combustíveis nocivos foram queimados aqui e a realidade já é vista com um pouco mais de otimismo, que tende a crescer conforme o tempo vai passando. É a única fase na qual as lembranças não mais causam angústia, mas são


associadas com momentos bons e felizes. No mesmo desenho Super Choque, o pai de Virgil ao perceber a raiva e não aceitação que o menino ainda sentia pela perda da mãe, o esclarece dizendo que também se sentiu assim “Demorou muito tempo até que eu pudesse pronunciar o nome dela sem sentir dor”, ou seja, já estava na fase de aceitação, que a falta podia doer, mas não mais arrasava pela dor.

Embora existam essas fases do luto, não se pode dizer que é uma linha reta. Cada pessoa vai reagir diferente por aquilo que é perdido, algumas estacam em uma determinada fase que pode durar anos a fio, ou pulam direto para a fase da depressão e lá permanecem remoendo as dores, outras demoram pouco nas fases iniciais e aceitam logo a realidade e as novas conformações. Considerando o luto e todas as fases dele, pode-se dizer que não somente a perda de pessoas gera luto, mas a perda de sonhos, idealizações e expectativas também.

Sonhos perdidos também geram um sentimento de luto. O luto e todas as reações estão relacionados não apenas pelo sentimento de perder, todavia pelo vazio que a ausência das perdas gera. Ele dependendo do que se é perdido, pode ter mais a ver com ausência de todo o significado do que com outra coisa, sendo assim, mesmo que algo não seja em definitivo uma perda, a ausência da pessoa/objeto/sonho gera o luto e todas as suas fases, o vínculo afetivo e investimento de todo um sentimento, expectativa e desejo pode gerar rupturas que culminam neste sentimento. A dificuldade de não ter mais tão perto algo que lhe era querido, acariciado e quisto pode ocasionar raiva, fazer barganhar com os fatos, negar as coisas como são até o ponto de que se precisa uma conformação para entender que as coisas são diferentes do que se planeja. E que ainda assim, se precisa seguir.

O luto, seja de uma pessoa, seja de sonhos, de expectativas, do que está fora de nosso alcance e por ventura perdemos, precisa ser trabalhado de um modo que não nos faça afundar num mar de sentimentos escuros e nos impeça de ver o que de melhor possa ser feito. Afinal, a vida continua apesar de mudada e não significa que é pior, apenas diferente, e sendo diferente significa que existem múltiplas possibilidades.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Somos todos Andy Dufresne

 


“Quando o imaginei indo pro Sul em seu carro de capota arriada, me deu vontade de rir. Andy Dufrene que rastejou por um rio de bosta e saiu limpo do outro lado. Andy Dufrene indo para o Pacífico...”

Alguns filmes são clássicos. Há muito que define um clássico, por vezes é a inspiração em um livro, uma visão do autor, uma lição dada ou tudo junto. Stephen King tem uma estranha sorte de além de ter filmes bons, esses gerarem adaptações muito boas. Adaptações que sobrevivem às décadas e por mais que sejam refeitas, por mais que tenham o toque tecnológico, sempre há aquele quê de clássico. Muito provavelmente porque as obras geram reflexões e questionamentos, e lições que são pra serem lembradas e nos tocam de algum modo, mesmo que jamais tenhamos vivido uma situação como a dos personagens retratados.

Uma dessas histórias é a do filme Um Sonho de Liberdade. É possível sentir como o ambiente de uma prisão pode ser hostil, tenebroso e sim, injusto em muitos casos, mesmo que este filme se passe nos anos 50, a energia de disciplina, rotina e sentimentos de todos os presos pode ser palpável. Todavia, isso é um pano de fundo para um assunto mais profundo: a questão das injustiças.

Muito embora os personagens que ali estão cumprindo pena tenham de fato feito algo errado e sofrido as penalidades da lei, há um que foi vítima do sistema. Andy Dufresne foi condenado a perpétua pelo


assassinato de sua esposa e seu amante, todavia o que ocorreu de fato foi uma sucessão de erros e provas mal alocadas, que direcionavam para Dufresne, a típica situação de estar no lugar errado na hora errada e ser punido pelo que poderia ser chamado de azar.

Ainda que ele estivesse preso injustamente, sofrendo todas as agressões não somente dos carcereiros, mas também de outros presos, ele mantinha uma positividade e procurava passar isso a outros com quem criou afinidade. Ele era um banqueiro respeitável, um homem de bem no sentido de ser correto e não quebrar regras, comparado com os outros ali, tinha mais instrução e cultura até mesmo do que os homens que o mantinham encarcerado, todavia em nenhum momento se mostra superior ou arrogante, pelo contrário se mostrou proativo melhorando o ambiente para todos.

A atitude que se pode dizer antecipadora chamou atenção dos superiores que viram nele alguém que poderia ser aproveitado de outra forma, que não os trabalhos braçais. E considerando o conhecimento intelectual de Dufresne, não demorou para que ele fosse coagido a entrar em esquemas escusos. Muito embora ele o fizesse conscientemente, a intenção não era maléfica, visto que ele não recebia absolutamente nada em termos de lucro, talvez proteção e algumas melhorias para seus companheiros, mas interessante notar que ele manteve sua dignidade e percepção do que era, de seu caráter até o fim. “Engraçado que lá fora eu era um homem correto, reto como uma flecha, precisei ser preso para virar um bandido”. Ou seja, ele sabia do que fazia de errado, mas tinha a consciência de seu verdadeiro eu quando olhava para si.

Dufresne tinha planos para escapar e ao fim consegue seu intuito. Ele consegue usar as falcatruas nas quais estava envolvido contra os próprios cabeças destas. Como o esquema envolvia lavagem e desvio de dinheiro, ele nada mais fez do que usar o fantasma que havia criado para sacar o dinheiro que


segundo ele era “seu salário por 19 anos de serviço”. E o estopim para a decisão da fuga foi perceber que ele jamais sairia dali. Primeiro porque o diretor não abdicaria de fonte tão rentável e segura nem de alguém que fizesse um trabalho tão meticuloso a ponto de os rastros serem imperceptíveis e segundo porque quando a oportunidade de sair surgiu na forma de um rapaz que tinha toda uma vida pela frente quando cumprisse sua pena foi assassinado a mando do diretor por um guarda corrupto quando veio à tona que o rapaz poderia através de um testemunho revelador inocentar Andy. Ou seja, alguém perdeu a vida e chance de recomeça-la.

Andy movido pela revolta não propriamente pela desonestidade financeira, mas pela desonestidade envolvendo valores morais torpes de saber a verdade, mas modifica-la e usar de poder para fazer parecer mentira, deu o impulso para de algum modo perceber que fugir de uma pena da qual ele era


inocente não era mais desonesto do que tudo ao que o diretor o estava submetendo. Daí a frase que ele rastejou pelos esgotos até conseguir fugir completamente. E rumar para sua liberdade definitiva em uma cidade do México perto do mar onde ele deixaria tudo pra trás.

O mundo gosta de uma história onde os personagens são puramente humanos em suas virtudes e condutas, e ainda assim no fim conseguem dar um tapa nas injustiças que os acometem. Curiosamente a motivação não é algo material ou riqueza ou poder em muitos casos, mas algo puramente intrínseco, algo de cunho emocional, sentimental seja com relação a si mesmo ou com outro. Algo muito parecido foi visto em Quem Quer Ser um Milionário. Jamal era um garoto pobre que possuía um grande amor com quem sonhou em se reencontrar durante a vida toda, após múltiplos desencontros. Havia pessoas poderosas também envolvidas que configuravam empecilhos, fora os desafios de percurso que envolviam sua história de vida difícil.

O modo que ele achou de poder ter uma notoriedade e conseguir chegar em seu amor Latika foi participar de um programa de perguntas que poderia lhe render dinheiro. De início houve suspeita de fraude, afinal, como um rapaz jovem, pobre, sem muita instrução poderia ter chegado tão longe em


um jogo no qual intelectuais não haviam chegado nem perto da pergunta final? A resposta foi simples: ele usou a própria adversidade da vida na qual aprendeu coisas que davam as respostas corretas. Ao ser interrogado, ele sequer parecia interessado no dinheiro, o que considerando sua condição seria o que lhe faria ficar tranquilo para sempre, surpreendeu as autoridades perceber que o motivo singelo: para Jamal, Latika estaria assistindo.

Não surpresa ele consegue uma fortuna e seu amor para viverem finalmente em paz. Todavia, o olhar dele mesmo sendo um milionário é de tranquilidade por ter a pessoa que ama e emana uma serenidade que estava pautada em ter conseguido seu intuito, independente das coisas materiais. Dufresne também saiu no fim com uma pequena fortuna, mas só consegue paz mesmo em um local simples a beira mar, com roupas simples de trabalho, uma lancha velha e a companhia de seu melhor amigo.

Muito provavelmente essas histórias cativam porque as pessoas gostam do chamado “cachorro de favela”, é aquele cachorro que passa por maus bocados, não têm pelo brilhante, vive na pindaíba tentando achar comida, passa por dificuldades, mas uma vez adotado, será o cão mais fiel, mais feliz e mais doce que se pode encontrar. Personagens que passam por toda uma sorte de adversidades, mas


conservam seus valores, sua doçura e preservam sua essência mesmo com tanta coisa que poderia mudar isso, traz esperança. Ao assistir esse tipo de personagem nossa esperança é renovada, algo bom é desperto dentro das pessoas, uma sensação de que a injustiça existe, mas se manter íntegro vale a pena.

No fim, seja como Jamal ou Dufresne, vale a pena se preservar. São os personagens humanos e ´possíveis de se encontrar nas esquinas, nas ruas e que mesmo sendo das telas, nos fazem acreditar que o mundo é de fato um lugar bonito como seus finais e mantém essa chama viva, afinal como o próprio Dufresne diz: e esperança é uma coisa boa e nada que é bom pode morrer.


domingo, 17 de julho de 2022

Resenha Anime Geek 2ª Edição

 


Depois do Anime Geek Day essa versão com o tema inspirado em Harry Potter deve ter sido um dos eventos mais esperados. Liberação das máscaras, local diferente, atrações super conhecidas, era a fórmula perfeita. De início na aquisição dos ingressos já começou algo inédito, como o número de pessoas foi surpreendentemente grande na última edição, desta vez houve prevenção, logo colocaram venda on-line, para facilitar o acesso e também a rapidez na fila, bastava apresentar o QR code quando chegasse, o que evitou aglomerações e longa espera.

Por uma eventualidade o local precisou mudar assim como a data, tudo de última hora devido algumas questões logísticas e provas de concurso realizadas no local pensado de início, todavia isso não apagou o brilho e empolgação das pessoas, arrisco a dizer que muitos se sentiram mais ansiosos devido a distância, espaço e nostalgia.

E não decepcionou. A entrada não teve filas, foi organizado, as barracas de vendas bem espaçadas, havia conforto para olhar bem os produtos e bem localizadas quanto a isso, fora a variedade de souvenires para os ávidos por compras. Claro que por ser um local que há muito não recebia um evento foi preciso certo tempo até se acostumar com o local das salas, se situar quanto aos caminhos para se chegar até elas assim como encontrar as salas chave como a do guarda volume e do meet com as atrações.

A área do palco era deveras espaçosa e arejada. Por mais que se tratasse de um evento realizado em pleno verão com direito a muito calor, não se sentia o excessivo incomodo de ar abafado, havia


circulação de ar mesmo com muita gente transitando, fora que haviam inúmeros caminhos para se chegar até o palco, dava pra pegar atalhos e ficava bem pertinho da área de alimentação, dava pra pegar uma broca sem perder muito das atrações que estavam sendo apresentadas pelos mestres Rai e Thiago.

Desta vez resolvi não ir de cosplay, quis ter uma liberdade maior de prestigiar meus colegas cosplayers e ter mais tempo pra circular pelas inúmeras salas. Claro que para os dois dias os outfits foram muito bem pensados. No primeiro dia, como eu iria circular mais optei por um short, meias, coturno e corset, estreei minha peruca bicolor e era super confortável. Deu pra transitar nas salas, tirar fotos, se movimentar com liberdade. Parar pra ver os


espetáculos, destaque para o espetáculo da Moana, protagonizado pelo grupo de teatro Sigma em Arte, incrível e emocionante, com ótimos atores que deram um show de talento. Eu que já fiz cosplay de Moana fiquei emocionada ao ouvir as músicas e interpretação. 

No primeiro dia, digo que conheci pessoas novas e aproveitei para ver as apresentações de K-pop, algo que tinha tempo que não via. Preciso salientar que era difícil tirar uma foto desses meninos parados, pois o que eles pulavam e arrasavam no palco não está no gibi, as apresentações individuais e em dupla estavam de altíssimo nível, contudo era sempre frisado a eles que se hidratasse e se alimentassem bem, pois pelo menos cinco saíram do palco com estafa precisando de atendimento especial. Mas foi incrível! E uma das juradas era a youtuber Pandangélica, conhecedora da cultura que está bem por dentro do que há de moderno em termos de dança, a carinha que ela fazia era de surpresa e emoção ao mesmo tempo, como se não esperasse ver tanta gente surpreendente.

Depois do concurso de K-pop, a vez foi do youtuber Gordox, ele mencionou as dificuldades da pandemia, os afastamentos e até mesmo como algumas redes tornaram-se obsoletas para determinados fins. Algo que me deixou deveras feliz e orgulhosa foi ver que durante as apresentações colocaram um interprete de libras, para que as pessoas com deficiência auditiva pudessem também se sentir


contempladas. Em apenas mais um evento que fui, isso foi pensado e me senti muito feliz uma vez que demonstra o quanto a organização do evento está pensando de fato no público e ouvindo sugestões.

Após o Gordox foi a vez do concurso cosplay com a famosa cosplayer Juliana Lopez, que tem milhares de seguidores e dá um show em termos de vídeos e qualidade na arte de cosplayar. Eu cheguei a vê-la quando chegou e ainda gritei “É ELA!”, daí porque quando fui tirar foto com ela, ela me reconheceu e me deu dicas. Pensamos que alguém com uma rede tão cheia de seguidores tem um estúdio mega profissional, com uma super equipe, eu perguntei sobre isso e ela super humilde e gentil me disse que não se precisava disso, que as fotos e vídeos ela fazia de seu próprio quarto usando uma boa luz, foi tão gratificante sentir esse acolhimento dadas tantas confusões devido competição no meio, alguém que pode se considerar no topo demonstrar todo esse acolhimento, pra se ter noção, ela ficou sem jeito e até surpresa quando eu lhe pedi um autógrafo, era como se ele mesma não se achasse famosa.

Os cosplays também não economizaram talento e esforço para compor as roupas e acessórios. O pessoal arrasou mesmo e havia uma boa quantidade de competidores, alguns usaram trilhas sonoras,


outros foram só com a presença mesmo. Mas tal ocorreu com Pandangelica, Juliana ficou estarrecida com toda a qualidade que presenciou no palco, sim, aqui o pessoal vai atrás mesmo quando quer fazer bonito, as premiações foram merecidas.

No segundo dia de evento, o outfit foi mais característico. Como eu iria para o meet com os dubladores Charles Emanuel e Luisa Palomanes, que dublam Hermione e Rony em Harry Potter, lógico que eu precisava trazer toda a minha essência lufana, pensei minunciosamente e me cerquei de elementos amarelos e pretos. Fui com uma camisa exclusiva, encomendada que simula a camisa da capitã de quadribol, com direito ao meu nome e um número escolhido, o conforto ficou por conta da legging preta e cinza e all star tratorado (o melhor de dois mundos), os acessórios ficaram por conta do meu orelhão e anéis com as cores da minha casa. 

Por ser domingo, tudo estava bem mais cheio. Os dubladores era uma das atrações mais aguardadas, tanto que uma hora e meia antes da abertura para distribuição de senhas para o meet, já havia uma fila considerável, ninguém queria perder. Além deles, o rapper VMZ também era bem esperado para fechar o dia com um super show. Tirei bem mais fotos no segundo dia, inclusive das apresentações em grupo de k-pop, eles entregaram tudo! Tal como as apresentações em dupla, foi de altíssimo nível! Eu me encanto mais ainda não só com os passos, as coreografias bem feitas, mas com a fidelidade dos figurinos, os detalhes nos acessórios, os jurados mencionaram que estavam muito felizes de ver que o nível aumentou, que estavam de fato estudando e se esforçando pela melhora.

A expectativa ficou em torno dos dubladores Charles Emanuel e Luisa Palomanes, juntou uma multidão em frente ao palco, eles são extremamente simpáticos e doces, demonstraram ter adorado visitar nossa cidade. E estarem realmente felizes com todo o carinho e acolhimento dos fãs, as perguntas eram tantas que quase que eles não conseguem deixar o palco. Emanuel uma hora desceu para tirar fotos com o


pessoal de uma ponta e receber presentes e desenhos, assim como Luisa. Sempre valorizei esse tipo de gesto, mostra que por mais famoso que você seja, você não considera quem o admira como alguém a ser visto por uma barreira. O meet com eles foi ótimo também, não perdi oportunidade de dar uma lembrancinha, trabalho do meu querido Antônio do ESoda Canecas, recheadas com umas iguarias doces da minha terrinha.

O fim do evento ficou ´por conta do concurso cosplay e dos shows, especialmente do esperado VMZ. Eu gravei quando ele entrou, olhei para aquele rapaz tão novo e até brinquei dizendo: “Na idade dele eu estudava para provas”, afinal, alguém novo com tantas multidões gritando seu nome não é pra qualquer
um, nem tanto pela questão do sucesso, fama, dinheiro e toda a questão logística que isso acarreta, mas pela própria questão de maturidade e saber lidar com tais questões, provavelmente abdicando de coisas que muitos buscam, mas só a maturidade ajuda a lidar.

O evento do Anime Geek foi surpreendente. Deixou uma incrível expectativa para as próximas edições, a qualidade sem dúvida melhorou muito, foi bem notório o que a mudança de local associada com mudanças de logística e incrementos fizeram um evento que já era bom se tornar excepcional.























OUTFIT DO PRIMEIRO DIA















OUTFIT DO SEGUNDO DIA